Coletivo francês lança campanha contra assédio às mulheres nas ruas

 
O coletivo contra o assédio nas ruas tenta ensinar às mulheres a reagir a cantadas agressivas

O coletivo contra o assédio nas ruas tenta ensinar às mulheres a reagir a cantadas agressivas

DR
RFI

O coletivo francês #stopharcelementdesrues, que combate o assédio às mulheres nas ruas, lançou uma campanha nas redes sociais contra as abordagens masculinas de mau gosto. Na semana passada, cerca de 30 militantes organizaram uma manifestação na praça da Bastilha para sensibilizar a população sobre o tema.

Qual mulher nunca foi alvo de um comentário desagradável na rua? Para lutar contra o machismo que ainda impera nas calçadas e avenidas da capital francesa, um grupo de jovens criou simbolicamente uma área onde esse tipo de cantada agressiva, que muitas vezes são verdadeiras ameaças, não tem vez. Ela fica na rue de Lape, perto Bastilha, bairro boêmio de Paris.

Durante o ato, as militantes também distribuíram folhetos explicando às mulheres como reagir ao assédio. A campanha também é uma resposta ao caso da jovem agredida no metrô de Lille, no norte da França. Perseguida por um homem bêbado, ela só conseguiu escapar da agressão sexual porque, depois de sair correndo da estação, entrou à força no carro de um jovem de 18 anos.

Ao jornal francês “Le Figaro”, ela contou que, apesar de seus inúmeros pedidos de ajuda, os outros passageiros ignoraram seu desespero. Uma das testemunhas disse que os homens que se recusaram intervir alegaram que ela “só estava sendo paquerada.”

Para educadora sexual Maria Helena Vilela, diretora do Insituto Kaplan, é preciso reagir à cantada agressiva. “Tem que falar, gritar, denunciar. Uma mulher deve gritar e chamar por socorro, isso, claro dependendo da situação. Se ela estiver sozinha e confrontada a um grupo, a estratégia é ir para um lugar que tenha público, testemunhas”, explica.

Para ela, no Brasil, a cantada muitas vezes é vista com bons olhos pelas mulheres. O movimento feminista no país, diz, é muito embrionário. “Existem campanhas contra assédio e violência, mas em relação à cantada considerada pouco constrangedora, como o assobio por exemplo, não existe nenhuma mobilização”, diz Maria Helena. Esse tipo de atitude, ressalta, é até mesmo considerada normal.

A RFI entrevistou também a estudante franco-brasileira Claire-Sophie Dagnan. Para ela, esse tipo de assédio ocorre da mesma maneira no Brasil e na França. Em sua opinião, o machismo não tem fronteiras. “Mas a questão tabu na França que não é no Brasil é a questão da violência sexual. Existem muito poucos estudos na França sobre esse assunto. O machismo, como é mais cotidiano no Brasil, essa questão vai para a frente.”

A estudante de Psicologia italiana Rosamaria Boselli vive em Paris desde 2004. Na sua opinião, a reação das mulheres quando são assediadas deveria ser mais incisiva. “As mulheres se sentem quase responsáveis quando isso acontece. Minha sensação é que elas não tem a boa reação quando isso acontece”.

Para ouvir o programa completo clique no ícone “Ouvir.”

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