Padilha participou como testemunha em acordo do Labogen

O ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha atuou como testemunha em um termo de compromisso da Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) de citrato de sildenafila com o Labogen — empresa usada pelo doleiro Alberto Youssef para remessas ilegais de dinheiro para o exterior. Segundo o jornal O Globo, o acordo foi assinado no dia 11 de dezembro pelo secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do ministério, Carlos Gadelha, e pelo capitão Almir Diniz de Paula, do LFM

Ainda estava presente na assinatura Leonardo Meirelles, apontado como testa de ferro de Youssef e sócio da Labogen. Meirelles chegou a ser preso na Operação Lava-Jato e é um dos réus no processo, acusado de crime financeiro e lavagem de dinheiro. Ainda segundo o jornal, documentos do projeto de PDP, desfeito após a Operação Lava-Jato, da Polícia Federal, revelam que o Labogen era uma empresa de fachada. O projeto era por cinco anos, com valor de R$ 134,4 milhões.

Na análise, que incluiu um “de acordo” de Gadelha, os técnicos afirmam que o Labogen não possuía os documentos necessários, como o Certificado de Boas Práticas de Fabricação, embora fosse o responsável pelo desenvolvimento e fabricação do insumo. O ex-frentista Esdra Ferreira, alçado a sócio do laboratório por Youssef, disse em depoimento à Polícia Federal que sua atividade era cuidar das licenças e levá-las a órgãos públicos. Ele informou que a fábrica do Labogen não tinha alvará da prefeitura de Indaiatuba, alvará dos bombeiros ou licença da Anvisa, mas que havia um “ok” do órgão em relação à planta e ao maquinário.

Contou que ele mesmo comprou pela internet, em cemitérios de equipamentos usados, 60 a 80 máquinas, que foram revestidas de chapas de alumínio para ficarem com cara de novas e que estariam prontas para serem usadas.

Escutas da PF mostram que, no mesmo dia da visita, houve uma conversa entre Youssef e o deputado André Vargas (PT-PR). Pouco depois das 8h, Youssef mandou SMS a Vargas dizendo: “Hoje vou na indústria visita dos técnicos”. Por volta de 17h, mandou outra mensagem: “Terminou a visita fomos bem temos que aguardar relatório”. Vargas responde: “Vamos cobrar. Preciso do retorno sobre a estruturação”.

Ainda segundo O Globo, em troca de mensagens interceptadas pela PF, o grupo do doleiro comemorou a assinatura do acordo: “Tava todo mundo lá, tava o ministro, o tal de Jorge, Gadelha, cumprimentamos todo mundo”. Procurado pelo jornal, Padilha afirmou em nota que não comentaria aspectos técnicos e que desde o início da apuração do caso se declarou a favor da suspensão da parceria, até o fim da investigação. Disse ainda que o termo de compromisso era apenas um início de processo e que haveria outros filtros até a assinatura do contrato definitivo, onde o preço poderia ser reavaliado com base nos preços praticados pelo SUS.

O Ministério da Saúde informou que o termo foi suspenso e que não fez pagamentos.

O jornal O Estado de São Paulo publicou, também nesta sexta, que um mês antes do estouro da Operação Lava Jato, o laboratório Labogen divulgou anúncio em jornais da região de Indaiatuba, informando o sumiço de dez livros contábeis da empresa.

A nota endereçada “ao mercado em geral, para os devidos fins” foi publicada no dia 18 de fevereiro. Sob o título “Comunicado de extravio de livros”, o laboratório destaca que naquela data foi constatado o extravio dos livros da companhia.

Segundo o jornal, os investigadores estranham o desaparecimento da papelada, que coincidiu com o avanço da operação. A suspeita é de que a ocorrência possa ter sido forjada para tentar despistar que o verdadeiro controlador do laboratório é o doleiro Alberto Youssef.

Fonte: Terra

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