Independência que Israel celebra hoje é vista como tragédia pelos palestinos

 
Israel iniciou na noite de segunda-feira, 5 de maio, a comemoração da criação do Estado de Israel.

Israel iniciou na noite de segunda-feira, 5 de maio, a comemoração da criação do Estado de Israel.

REUTERS/Ronen Zvulun

Israel comemora nesta terça-feira (6) o Dia da Independência, data que, para os palestinos, é conhecida como “nakba”, a catástrofe. O país celebra os 66 anos de sua criação em15 de maio de 1948, alguns meses depois da decisão histórica das Nnações Unidas de partilhar a palestina entre árabes e judeus.A data é celebrada pelo calendário judaico, por isso este ano caiu no dia 6 de maio.

Daniela Kresch, correspondente da RFI Brasil em Tel Aviv

As festividades começaram na noite de ontem (5), com shows e fogos de artifício nas principais cidades do país. E continuam durante o dia de hoje até o anoitecer.

A celebração acontece sempre um dia depois do chamado Dia da Lembrança, quando são rememorados os cerca de 23 mil cidadãos que morreram nas guerras e em ataques terroristas dos últimos 66 anos.

Tragédia palestina

Se a data é comemorada pela maioria judaica de Israel,  é lembrada de outra forma pela minoria árabe.

Para a maioria dos árabes-israelenses, pouco mais de 20% da população do país, o dia é conhecido como “nakba”, ou Dia da Tragédia. Cerca de 76% de árabes gnoram a data ou participam de manifestações em lembrança da “nakba”, que acontecem em geral no dia 15 de maio – data do calendário gregoriano na qual Israel foi criado.

Os palestinos da Cisjordânia e da Faixa de Gaza também consideram o dia como uma data trágica. Estima-se que 700 mil árabes tenham fugido ou sido expulsos de suas aldeias durante a guerra da Independência, que começou no dia seguinte à proclamação de criação de Israel.

Muitos foram para a Cisjordânia e a Faixa de Gaza e hoje lutam por um estado palestino. Outros foram para o Líbano, Síria e Jordânia, onde seus descendentes são até hoje refugiados e sonham em voltar as aldeias de seus antepassados.

Aplicativo inabka

A “nakba” ganhou até um aplicativo para telefones celulares. Para coincidir com o Dia da Independência de Israel, ou a catástrofe sob o ponto de vista árabe, uma ONG de direitos humanos lançou um aplicativo para celulares chamado “inakba”.

O aplicativo localiza no mapa atual de israel os 400 vilarejos árabes que foram destruídos ou evacuados desde 1948, ano da criação do estado.

Alguns viraram ruínas, outros foram repovoados por imigrantes judeus que foram chegando ao recém-criado estado de Israel.

O aplicativo é trilingue, em árabe, hebraico e inglês e ajuda descendentes a identificar onde seus antepassados moravam na época da criaçao de Israel.

O aplicativo foi criado pelaONG Zochrot (“lembram”, em português), baseada em Nazaré, a maior cidade árabe de Israel.

Os responsáveis pelo aplicativo são cidadãos árabes de Israel, mas se identificam com os palestinos.

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