Sepultura lança clipe de Da lama ao caos

Vídeo com música da Nação Zumbi enaltece a cultura pernambucana


Emanuel Leite Jr
 – Diario de Pernambuco

14/05/2014 

Clipe foi gravado em apenas um dia. Foto: Alex Solca/Divulgação  
Clipe foi gravado em apenas um dia. Foto: Alex Solca/Divulgação

Em 1993, o Sepultura lançou o Chaos AD, álbum que revolucionou a música pesada mundial ao mergulhar nas raízes sonoras brasileiras, incorporando elementos da música indígena e afro-brasileira ao seu thrash metal. A experiência foi aprofundada no Roots, de 1996, definido pelo jornal Los Angeles Times como “a reinvenção da roda”. Duas décadas depois, o grupo voltou a explorar a riqueza cultural do Brasil. E a banda brasileira mais bem sucedida internacionalmente escolheu a cultura pernambucana para homenagear em seu 13º álbum, The mediator between head and hands must be the heartDa lama ao caos”, da Chico Science & Nação Zumbi, ganhou uma versão bem mais pesada. O clipe, lançado nesta quarta-feira (14) e dirigido por Rafael Kent, explora a plasticidade dos elementos estéticos da nossa cultura.

Em colaboração com o blog DP no estúdio com o Sepultura, do Viver, o guitarrista Andreas Kisser já havia explicado o que conecta o Sepultura à Nação Zumbi. “A nossa relação com a Nação Zumbi é muito legal. Quando o Sepultura estava começando a usar a percussão brasileira, o Chico Science estava surgindo na mesma época, fazendo quase o oposto. Enquanto nós incorporávamos a música brasileira ao peso do heavy metal, eles acrescentavam o peso das guitarras do rock ao som único da música regional de Pernambuco. E a música Da lama ao caos é um exemplo disso.”


O clipe de Da lama ao caos foi gravado em apenas um dia, sendo dirigido e produzido por Rafael Kent, o mesmo diretor responsável pelo clipe da faixa The Vatican, primeira música de trabalho do The mediator between head and hands must be the heart. Kent explica que buscou apresentar no vídeo uma estética que remetesse o espectador ao Nordeste, região de origem da Chico Science & Nação Zumbi, recorrendo ao minimalismo.

“Quando recebi a música pra fazer o roteiro, pensei que havia vários elementos mais ou menos literais e que ficariam interessantes se conseguíssemos descontextualizar do local onde as pessoas geralmente pensam quando veem, por exemplo, um personagem do maracatu. Gosto do minimalismo e, acho que a depender do que é registrado, conseguimos plasticidades incríveis, como no caso da roupa e da dança do maracatu”, contou.

Kent ainda revelou como um clipe de Skrilex, com Damien Marley, em que um dos personagens evoca o espírito de uma águia indígena, serviu de inspiração para os trechos finais de sua versão para Da lama ao caos. “Como não podia deixar de existir o caranguejos no nosso clipe, eu pensei que o personagem que dança o maracatu seria na verdade a velha citada pelo Chico e que, ao fim, ela evocaria um gié e um aratu para organizar ou desorganizar alguma coisa.”

Bruno Vianna, da Bitt Animation, foi o responsável por modelar os garanguejos em 3D e pela animação vista no clipe. A Britt Animation também construiu o chão de barro cinza e rachado, dando a ideia de um sertão desolado.

Assista ao clipe:

 

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