SP: menino-placa em área nobre causa indignação no Facebook

O anúncio de uma construtora na avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, no Brooklin, zona sul de São Paulo, despertou a ira de um paulistano que buscou o Facebook como caminho para o “combate à impunidade”.

O personagem é o jornalista César Hernandes, 38 anos, que considerou ofensiva a cena de um menino negro, aparentando ser adolescente, escondido atrás da placa que anunciava apartamentos de um ou dois quartos da construtora Plano & Plano, localizada no mesmo bairro. O detalhe: na placa, o desenho de um jovem esbelto, pele clara e olhos azuis dão o contraste com a figura viva que é sua portadora.

Compartilhada no Facebook, a foto com o anúncio rendeu uma série de reações indignadas e, até as 20h desta segunda, mais de 1,6 mil compartilhamentos. Nenhuma denúncia por suspeita de exploração do trabalho infantil, entretanto, havia sido apresentada ao Ministério Público do Trabalho (MPT) para que essas ações fossem fiscalizadas, salientou o órgão. A cena foi fotografada e publicada por Hernandes no sábado passado.

“Moro na região, ando bastante a pé e atravessava a avenida para pegar um ônibus. Não estava acreditando na cena: aquilo me deu um calafrio, e eu já nunca havia sido exatamente um fã dessa atividade de homens-placa”, disse. O “calafrio”, explicou, veio pelo contraste entre o desenho do jovem estampado na placa e a realidade. “Não tenho como garantir que se tratava de um menor de idade, mas o menino não parecia ter mais de 15 anos. Já vi idosos segurando a mesma placa, de porte altivo, em outros cruzamentos do bairro”, afirmou.

Indagado por que não levara o caso a algum órgão de fiscalização, uma vez que a exploração de trabalho infantil suspeitada pelo jornalista seria crime, Hernandes defendeu: “O que fiz foi dar um primeiro passo de levar as pessoas a pensar sobre esse tipo de trabalho. Já vi refugiados de etnias africanas o dia todo em trabalhos como o desse menino, sob sol, para ganhar uma quantia ínfima por isso. Quero provocar o debate – colocar em uma rede social reverberaria o assunto, como reverberou. Isso não pode ficar impune”, justificou.

Fonte: Terra

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