Chile despacha a Espanha, garante vaga nas oitavas e elimina atuais campeões

Após tumulto antes do jogo, vitória por 2 a 0 no Maracanã sela classificação chilena e holandesa para a fase final do Mundial

O DIA

Rio – Nada deu certo para a Espanha. O Chile transformou os 90 minutos da partida desta quarta-feira, no Maracanã, num verdadeiro drama para a atual campeã do mundo. A única coisa que a Fúria não podia era perder, mas foi assim que terminou o segundo capítulo da história espanhola na Copa do Mundo. Vargas e Aránguiz foram os maiores vilões e deixaram o campo dando adeus para o “tiki-taka” no Mundial. Nem mesmo ter barrado Piqué e Xavi fez Del Bosque ver sua equipe dar a volta por cima após a goleada sofrida na estreia. Muita coisa ainda vai acontecer na Copa, mas não para a eliminada Espanha.

Antes de a bola rolar, o Maracanã já havia se deparado com grandes confusões. Primeiro, um grupo de torcedores chilenos invadiu o estádio e foi contido por seguranças e policiais na área de imprensa. Além disso, fogos foram soltos na arquibancada antes do apito inicial do árbitro. Dentro de campo, a invasão também foi chilena, mas para garantir a vaga nas oitavas e despachar os atuais campeões do mundo.

Adiós, ‘tiki-taka’! Chile vence a Espanha por 2 a 0 e atual campeã dá adeus à Copa do Mundo

Foto:  André Luiz Mello

Show nas arquibancadas

Os chilenos roubaram a cena logo durante o início da tarde carioca. Os bairros ao redor do Maracanã foram pintados de vermelho desde cedo. A “invasão” chilena tomou conta das ruas e bares da região. Ônibus, carros, bicicletas… Os visitantes não queriam saber qual seria a melhor maneira de chegar ao estádio, mas a certeza era uma só: ia ter festa!

Nas arquibancadas, o Chile levava vantagem. Com um contingente de torcedores maior que os espanhóis, os gritos que embalaram a vitória sobre a Austrália na Arena Pantanal se repetiram: “chi, chi, chi… le, le, le… Chile, Chile, Chile!”. Mesmo em menor número, os espanhóis também maracaram presença e fizeram a festa. O lado triste ficou mesmo pela eliminação.

Durante o segundo tempo, os espanhóis ainda sofreram com a provocação dos torcedores chilenos, que gritavam “olé” a cada toque de bola da seleção sul-americana. No fim, até o adeus foi decretado pelos torcedores aos gritos de “eliminados”. Agora, o jeito para os espanhóis é começar a preparar as malas. Já o Chile ainda vai em busca da liderança do Grupo B, no duelo com a Holanda, na próxima segunda-feira.

Crianças pintam o rosto e colaboram no show da torcida do Chile no Maracanã

Foto:  André Luiz Mello

O JOGO

Em campo, não foi preciso nem sequer um minuto para o Chile assustar a Espanha pela primeira vez. O ataque foi rápido e resultou em escanteio após chute de Vargas, tendo uma boa cabeçada de Jara indo para fora e concluindo a jogada. O início de jogo contou com um volume bem maior do futebol chileno.

Buscando o resultado, a Espanha passou a apostar em David Silva para a criação das jogadas. O camisa 21 buscava espaços e tentava organizar o setor ofensivo espanhol, mas acabava parado com faltas. Num dos melhores ataques dos europeus, Diego Costa recebeu na direita e tentou chute cruzado. Na sobra, a bola acabou sendo rebatida na área, mas o lance foi parado em razçao de um impedimento.

O início de reação, no entanto, não foi o suficiente. O Chile voltou a acordar e deu um passo importante para encaminhar a vaga nas oitavas. Velocidade e tranquilidade marcaram a jogada chilena que foi finalizada com maestria por Vargas. Após o passe de Sánchez, o camisa 11 deslocou Casillas e abriu o placar no Maracanã.

O gol chileno foi um balde de água fria na reestruturação espanhola. Depois de terem aberto o placar, os sul-americanos passaram a reforçar o sistema defensivo e ainda pressionavam toda saída de bola da Fúria. Os europeus encontravam grandes dificuldades para articular as jogadas e, quando chegavam ao ataque, o último passe não era feito com sucesso.

A Espanha era irreconhecível. Sem “tiki-taka” e sequer um bom trabalho tático, a Fúria sofreu o segundo gol ainda no primeiro tempo. Eram 42 minutos quando Casillas espalmou cobrança de falta para o meio da área, mas não conseguiu segurar o rebote de Aranguiz. Bola na rede e vaga ainda mais perto do Chile ao término do primeiro tempo.

Espanha teve muita dificuldade para segurar o Chile

Foto:  André Luiz Mello

A postura no segundo tempo começou diferente. Del Bosque apostou na entrada do jovem Koke no lugar do experiente Xabi Alonso logo no intervalo e viu a equipe iniciar a segunda etapa com um ímpeto muito mais ofensivo. Iniesta passou a aparecer mais para o jogo, tirando o peso de cima de David Silva, mas a situação estava mesmo difícil para os espanhóis.

Um drama marcava o segundo tempo da Espanha. A atual campeã precisava, no mínimo, do empate para seguir viva na Copa e passou a buscar totalmente o ataque no Maracanã. Diego Costa chegou a ter uma grande chance de marcar o primeiro gol da Fúria, mas perdeu a oportunidade de maneira incrível. Enquanto o Chile passava a jogar num sistema mais defensivo, os europeus buscavam o ataque a todo custo.

O relógio era mais um adversário da Espanha e Del Bosque resolveu apostar as fichas no veterano Fernando Torres. O atacante entrou no lugar de Diego Costa que, mais uma vez, deixou o campo vaiado. A tática do Chile funcionava como era planejado. Os contra-ataques eram perigosos e Isla chegou perto de matar o jogo aos 23 minutos: bola cruzada, Casillas batido, mas bola por cima do gol.

A reta final da partida serviu para sacramentar o drama espanhol. Nem mesmo a entrada de Cazorla ajudou a Fúria. Boas chances até foram criadas, mas nada dava certo, e o goleiro Claudi Brava brilhava no gol chileno. Os atuais campeões foram dominados mais uma vez e deram adeus ao Mundial de maneira traumática e antecipada.

Agora, o Chile volta a campo às 13h da próxima segunda-feira, na Arena Corinthians. O compromisso valerá a liderança do Grupo B, definindo quem enfrenta quem no cruzamento com o grupo do Brasil. A despedida espanhola do Mundial acontecerá no mesmo horário, mas no duelo com a Austrália, na Arena da Baixada.

Casillas voltou a falhar na partida e viu a Espanha ser eliminada da Copa do Mundo

Foto:  André Luiz Mello

FICHA TÉCNICA

Espanha 0x2 Chile

Estádio: Maracanã (Rio de Janeiro) 
Público: 74.101 presentes 
Árbitro: Mark Geiger (Estados Unidos) 
Gols: Vargas (20′ do 1ºT), Aránguiz (42′ do 1ºT) 
Cartão amarelo: Xabi Alonso (Espanha); Vidal e Mena(Chile) 
Cartão vermelho: –

Espanha: Casillas, Azpilicueta, Sergio Ramos, Javi Martínez, Jordi Alba; Busquets, Xabi Alonso (Koke), Iniesta, David Silva; Pedro (Cazorla) e Diego Costa (Fernando Torres). Técnico: Vicente del Bosque. 

Chile: Claudio Bravo, Medel, Francisco Silva, Gonzalo Jara, Isla; Marcelo Díaz, Aránguiz (Gutiérrez), Vidal (Carbona), Mena; Alexis Sánchez e Vargas (Valdivia). Técnico: Jorge Sampaoli.

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