ENFRENTAR A POLÍCIA COM A LEI TAMBÉM FAZ PARTE DA ‘AÇÃO DIRETA’

Iranildo Brasil, de 22 anos, citou artigos da Constituição e do Código de Processo Penal quando PMs tentaram revistar seu carro

As cerca de 250 pessoas que se reuniram no sábado passado na Praça da Sé, para se manifestar contra a realização da Copa do Mundo no Brasil, eram basicamente black blocs – muitos deles sem máscaras – e seus seguidores. Mesmo assim, o ato foi pacífico do início ao fim. O momento de maior tensão ocorreu quando policiais militares tentaram revistar o carro de um rapaz e ele não deixou. Os manifestantes cercaram a van da PM para onde o rapaz foi levado. Acabaram deixando o veículo passar, para que ele pudesse resolver o conflito com a PM em uma delegacia. O rapaz era Iranildo Brasil, de 22 anos, filho de empregada doméstica, que ainda não terminou o curso de Direito em uma faculdade particular, mas já passou no exame da Ordem dos Advogados do Brasil e faz estágio em um escritório de advocacia. No 8º Distrito Policial, o delegado de plantão deu razão a Iranildo.

O incidente começou quando um manifestante mascarado veio deixar objetos em seu Santana, que estava estacionado na praça. Policiais vieram revistar o carro, mas Iranildo os impediu. “Não estou cometendo crime ou prestes a cometer, portanto, a ordem é ilegal”, disse ele ao policial. O jovem advogado cita o artigo 5º da Constituição, sobre a inviolabilidade da propriedade, e o artigo 244 do Código de Processo Penal, que fala de “fundada suspeita” e obriga o policial a explicar ao cidadão as razões da revista. “O que a PM fez foi dizer que esses direitos não valem nada, que sua autoridade é superior à Constituição.” 

 

Enfrentar a polícia com a lei também faz parte da ‘ação direta’

 

Iranildo conta que já tinha tido uma experiência de um policial “plantar” uma garrafa de gasolina (utilizada para fazer coquetéis molotov) no seu carro, durante uma revista. 

Segundo ele, o soldado na Praça da Sé não conhecia a lei, e teria dito: “Se fosse noutro momento, você teria apanhado”. Os moradores da periferia que acompanharam o episódio concordaram que ele só teve esse desfecho porque ocorreu no centro da cidade, e na presença da imprensa. “Se você diz na comunidade ‘quero me identificar na delegacia’, não sai vivo de lá”, comenta um rapaz que mora com o pai, auxiliar de limpeza, no extremo sul de São Paulo.

“A PM não respeita as leis, e por mais que tenha códigos de disciplina, não respeita o cidadão com ideologias e o pobre”, acusa Iranildo. O jovem advogado foi o herói dos black blocs no sábado. Sua atitude é considerada, pela doutrina black bloc, uma “ação direta”, de imposição de um direito na prática.

Um grupo de advogados voluntários acompanha as manifestações e dá assistência aos detidos, até constituírem um defensor. O grupo surgiu espontaneamente em julho, no início da onda de manifestações. Foi formado por advogados que participavam dos protestos como manifestantes. Eles são facilmente identificáveis: em geral jovens, são os únicos que aparecem de gravata ao lado dos black blocs. 

BLACK BLOCS PROMETEM CAOS NA COPA COM AJUDA DO PCC

Protagonistas das ações mais espetaculares da rede anarquista não foram nem sequer fichados pela polícia

O Estadod e São Paulo|Lourival Sant’Anna

Os black blocs que executaram as ações de grande repercussão do ano passado continuam fora do radar da polícia, e prometem transformar a Copa do Mundo “num caos”. Para isso, alguns deles esperam que o Primeiro Comando da Capital (PCC), a organização que domina os presídios paulistas e emite ordens para criminosos soltos, também entre em campo. Não se trata de uma parceria, mas de uma soma de esforços.

Com o compromisso de não identificá-los, o Estado ouviu 16 desses black blocs, em seis encontros, na última semana. À diferença dos adolescentes que os imitaram em depredações, e que acabaram arrolados em um inquérito do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), eles são adultos, seguem tática desenvolvida há décadas na Europa e nos Estados Unidos, não têm página no Facebook nem querem aparecer.

Black blocs prometem caos na Copa com ajuda do PCC

Dos 20 que formam o núcleo da rede, apenas um foi fichado, porque foi detido em uma manifestação. Movem-se na sombra do anonimato, articulam-se nacionalmente, e nunca haviam dado entrevista antes. Preocupados com sua imagem perante a opinião pública, decidiram falar, pela primeira vez. “Vamos estourar de novo agora”, promete o mais veterano deles, de 34 anos, formado em História na USP e com matrícula trancada no curso de Psicologia.

“A gente vai devolver o troco na moeda que o Estado impõe”, ameaça o ativista, que trabalha para um hospital público de São Paulo. “O caos que o Estado tem colocado na periferia, por meio da violência policial, na saúde pública, com pessoas morrendo nos hospitais, na falta de educação, na falta de dignidade no transporte, na vida humana, é o caos que a gente pretende devolver de troco para o Estado. E não na forma violenta como ele nos apresenta. Mas vamos instalar o caos, sim. Esse é um recado para o Estado.”

“A gente tem certeza de que o crime organizado, o PCC, vai causar o caos na Copa, e a gente vai puxar para o outro lado”, continua o veterano. “Não temos aliança nem somos contra o PCC. Só que eles têm poder de fogo muito maior do que o MPL (Movimento Passe Livre, que iniciou as manifestações, há um ano, com ajuda dos black blocs). Pararam São Paulo”, acrescentou, lembrando as ações do PCC na década passada.

O veterano e uma bailarina de 21 anos, que abandonou um curso em uma universidade pública para se dedicar exclusivamente à causa, contaram que membros do PCC receberam bem na Penitenciária do Tremembé (interior paulista) dois black blocs presos na manifestação de junho do ano passado do MPL. “Colocaram colchões para eles.” Igualmente, o Comando Vermelho acolheu um ativista preso no Rio.

“Os ‘torres’ respeitam o que fazemos, por causa do nosso idealismo”, explica o veterano, usando o jargão que designa os líderes do PCC. “Eles fazem por lucro e a gente, contra o sistema. Não nos arriscamos por dinheiro, mas para que a mãe deles também seja atendida pelo SUS.” O veterano prossegue: “Sou nascido e criado na ZL (zona leste). Conheço muito a cara do PCC. Somos os nerds do lado da casa deles. O crime organizado respeita a gente porque nasceu de mentes pensantes. Por isso talvez não nos coloquem na cadeia”, interpreta, intrigado com o fato de a polícia não os incomodar. “Porque vamos fazer uma revolução lá.”

Black blocs prometem caos na Copa com ajuda do PCC

Tática. O veterano, que cita o anarquista canadense George Woodcook e os Racionais MC, emprega “a tática”, como eles a chamam, desde 2001, quando “quebrou” o Parque d. Pedro, no centro de São Paulo. Em princípio, a função assumida pelos black blocs é a de resistir à repressão e proteger os manifestantes, interpondo-se entre eles e a polícia. Mas também a provocam, quando acham politicamente conveniente fazer com que ela perca o controle e a razão diante da opinião pública, de modo a atrair simpatia para um movimento.

Foi assim há um ano, na Praça da Sé, em protesto do MPL, quando o veterano, protegendo-se apenas com sua mochila, investiu contra a polícia de choque. Pegos de surpresa, os policiais dispararam bombas de gás lacrimogêneo, que atingiram a multidão, enquanto ele saía de cena, ileso. A partir dali, intensificaram-se os distúrbios.

Os black blocs, que não são um grupo estruturado, mas uma rede, que vai se formando espontaneamente, no contato nas ruas, queimaram carros de emissoras de TV e da polícia, depredaram 14 bancos (em 40 minutos) e a sede da Prefeitura. Protegidos por barricadas e beneficiados pela surpresa e pelo despreparo da polícia, não foram pegos.

Mas receberam a adesão de cerca de 100 adolescentes, que, numa explosão de fúria, ou por terem apanhado da polícia nas manifestações ou por ressentimentos trazidos da periferia onde moram, partiram para um quebra-quebra descontrolado, de tudo o que aparecesse na frente. Incluindo carros, lanchonetes e bancas de revista cujos donos pouco têm a ver com os “símbolos do capitalismo” visados pela doutrina anarco-socialista que predomina entre os black blocs. O núcleo original, então, saiu de cena. Voltou há uma semana, em uma manifestação pacífica na Praça da Sé. “A gente estava bem armado”, disse o veterano, sem detalhar o tipo de arma. Eles têm usado coquetéis molotov, pedras e escudos improvisados.

“A ação black bloc é mais incisiva e intensa numa manifestação pacífica”, afirma o veterano. Segundo ele, as ações têm de ter uma razão de ser. “Não vejo sentido em quebrar banco na Copa”, exemplifica. Mas a violência contra bens materiais – e não contra seres vivos, com exceção de policiais – é justificada pelos praticantes da tática. E desculpada, no caso da ação “aleatória” de adolescentes da periferia. “Não existe o errado e o certo”, pondera. “É a revolta dele.”

Frustração. “Ocupamos durante cinco meses a frente da Assembleia Legislativa, cheios de boas intenções”, lembra um estudante de Direito de 22 anos. “Apresentamos uma pauta de reivindicações. Não deu em nada. Manifestação pacífica não dá resultado.”

“No último ano, houve 30 protestos, 4 muito violentos, que foram os mais noticiados”, contabiliza um profissional de Marketing e estudante de Ciência Política de 32 anos, que doutrina os black blocs e seus seguidores com textos anarquistas. “Os outros não receberam uma linha.”

A socióloga espanhola Esther Solano, professora da Universidade Federal de São Paulo e pesquisadora dos black blocs, vê uma distorção nessa atenção dada às depredações. “Num país onde mais de 50 mil pessoas são mortas por ano, como é possível essa histeria com 40 garotos?”, pergunta. “Um país que naturaliza tanto a sua violência não tolera ver a violência na Avenida Paulista.” O veterano acrescenta: “No Brasil, choca mais 14 bancos quebrados do que a polícia matar 6 crianças”.

“A manifestação não pode ser pacífica, sendo que é resposta à repressão estatal e capitalista”, argumenta um rapaz de 18 anos, que estuda e trabalha, mas não quis dar mais detalhes sobre si mesmo. “O Estado sendo opressor, esmagando a população, obrigando a morrer na fila do SUS, isso é violento, e a resposta é autodefesa.” O veterano completa: “É legítimo quebrar banco. Quantas pessoas os bancos quebram por dia?” Com relação a depredar bens públicos que depois terão de ser reparados com dinheiro dos impostos, ele responde: “O imposto já é roubado. Dizer que o dinheiro vai sair do nosso bolso é mentira, porque já saiu. Alguém tem saúde digna? Então não reclame de vandalismo.”

Contágio. Os black blocs acreditam que sua revolta esteja se espalhando pelas camadas mais pobres da população. “O bagulho que mais gostei da semana passada foi a greve dos motoristas”, disse a moça de 21 anos, que vive da renda de um aluguel. “Estamos mostrando na rua a tática, e queremos que as pessoas se apropriem”, acrescenta uma estudante de Ciências Sociais “na casa dos 30”, que, como muitos deles, tem receio de fornecer detalhes nesta reportagem e finalmente entrar no radar da polícia. “A barricada é útil quando o Choque chega para desocupar uma área”, exemplifica. “Uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) foi queimada em uma favela do Rio em protesto contra a violência policial.”

Sete membros do núcleo participaram da ocupação da Câmara Municipal do Rio, no ano passado. Eles também estão associados a um grupo no Recife, uma das cidades do Nordeste que visitaram. “Fomos fazer campo de base”, disse o veterano. Ativistas colombianos e venezuelanos vieram trocar experiências com eles. A bailarina está interessada nos zapatistas, e prepara-se para ir visitá-los no México. Ela gosta do filósofo germano-americano Herbert Marcuse, ideólogo da contracultura, para quem “não temos que quebrar o sistema nem por dentro nem por fora, mas por suas brechas”.

Alguns abandonaram estudos e trabalho para se dedicar à causa em tempo integral. Outros a conciliam com uma vida “normal”. Têm carros e cedem seus apartamentos para a “causa”. O repórter do Estado esteve em dois “aparelhos”, para usar um termo dos anos 70, na região da Avenida Paulista. Num deles, o anfitrião calçava pantufas de ursinho. Em duas situações, o repórter viu black blocs dando esmolas na rua. Pessoalmente, são gentis e educados, em contraste com a imagem de violência associada a eles.

O perfil social dos black blocs é variado. Alguns são pobres e moram na periferia. Outros são de classe média baixa e vivem na região central da cidade. O repórter conheceu apenas um caso de um rapaz de classe alta, cujos pais moram em um bairro nobre de São Paulo. Depois de ler o primeiro texto anarquista, aos 13 anos, pediu para seus pais pararem de pagar escola para ele. Hoje com 18 anos, mora com a namorada na região oeste de São Paulo, trabalha e estuda, e participa das ações mais ousadas dos black blocs.

Polícia. Quase todos concluíram, abandonaram ou fazem faculdade. E sofreram violência policial. Quando o veterano tinha 14 anos, a polícia veio despejar sua família do barraco em que viviam, no Parque São Luís, na zona norte de São Paulo. “Estávamos devendo o aluguel e parece que o dono tinha um parente militar, porque a polícia não pode chegar assim, sem um mandado”, recorda. “Um policial alterou a voz com a minha mãe, entrei na frente e ele deu um tapa na minha cara. Eu nunca tinha apanhado, nunca tinha tacado pedra na polícia. Hoje, jogo coquetel molotov com gosto.”

“A maioria dos presos é punk”, diz o veterano. “A gente ‘cola’ muito com os punks. São inteligentes, não são vândalos”, continua, empregando esse termo para quem depreda aleatoriamente, sem seguir a tática, que preconiza ações com motivo claro. “Não cobrem a cara. Em tudo o que eles acham justo, eles estão. A polícia prende os punks e, por causa da cor da roupa, diz que são black blocs.”

Um rapaz de 20 anos conta que aderiu à tática depois de levar três balas de borracha da polícia – uma na perna esquerda e outra nas costas, no distúrbio na Rua Maria Antonia, no dia 13 de junho; e uma no estômago, na manifestação do 7 de Setembro, a que teve a maior participação de black blocs e de seus seguidores adolescentes.

“Não vejo sentido em quebrar banco, mas vejo a polícia como órgão repressor, e nosso papel é proteger os manifestantes”, assinala o rapaz, que estuda Direito em uma faculdade privada, com 100% de bolsa do ProUni, e faz estágio em uma imobiliária. Ele mora em um bairro da região central com a mãe, empregada doméstica.

A bailarina afirma ter sido assediada sexualmente por policiais, antes de aderir à tática.

Um programador de 32 anos que apoia o movimento acredita que seu pai, que era dono de um bingo, tenha sido morto por policiais, por não pagar a quantia exigida por eles para manter o negócio funcionando, quando se tornou ilegal, em 1998. Seus conhecimentos profissionais são valiosos para os black blocs, que se apoiam na atividade de hackers. No primeiro encontro com o repórter do Estado, o veterano lhe disse: “O seu CPF não é de São Paulo”, para deixar claro que o havia investigado.

Turismo com botos faz sucesso entre visitantes na Amazônia

Comunidade ribeirinha do Amazonas oferece a experiência de tocar e até mesmo nadar com os botos

MANAUS – O boto é um dos mamíferos mais característicos dos rios amazônicos. Personagem principal de uma das lendas mais conhecidas da região, o ‘golfinho de água doce’ é um animal dócil e atrai a curiosidade de pessoas dentro e fora da Amazônia. Você já se imaginou tocando ou até mesmo nadando com os botos? Esta experiência é oferecida em uma comunidade ribeirinha no Amazonas. Durante a Copa do Mundo de Futebol, a atividade promete ser indispensável no roteiro dos turistas.

Turismo com botos é realizado no lago do Acajatuba, comunidade ribeirinha do Amazonas. Foto: Gabriel Seixas/Portal Amazônia

O Recanto do Boto, um conjunto de casas flutuantes localizado no lago do Acajatuba, afluente do rio Negro, é um dos cinco locais autorizados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para a prática de turismo com botos. O local é administrado por sete pessoas e também trabalha com venda de artesanatos amazônicos e interação com peixes.

O grande atrativo do Recanto do Boto, como o nome sugere, é a possibilidade de um contato real com os animais. Ao chegarem no local, os turistas são encaminhados para uma plataforma construída dentro do rio, na qual podem nadar com os cetáceos e tocá-los. A beleza das águas do rio Negro e a paisagem verde que o cerca tornam a experiência ainda mais emocionante.

Dóceis e vulneráveis

Apesar da aparência inicialmente assustadora para alguns, os botos possuem atitudes completamente amistosas em relação ao homem – não mordem e nem machucam. Seus saltos podem superar a altura de um metro, e são justamente essas as cenas mais encantadoras.

Turistas se encantam com a familiaridade dos botos. Foto: Gabriel Seixas/Portal Amazônia

Os visitantes, no entanto, precisam cumprir algumas normas de segurança. Não é permitido tocar na cabeça do boto, por exemplo. Trata-se de uma parte sensível do animal, na qual encontra-se o seu orifício respirador. O turista também não pode alimentar os botos – função unicamente exercida pelos instrutores do local. Também não é autorizada a interação com os botos sem o acompanhamento de um instrutor no rio.

Entrada do 'Recanto do Boto', localizado no lago do Acajatuba. Foto: Gabriel Seixas/Portal Amazônia

Uma das particularidades do local é que os botos – cerca de 15 vivem no lago – não são mantidos em cativeiro. “Eles vivem em seu ambiente natural. A gente não tem como exigir que eles venham na plataforma [para interagir com os turistas]. Tem vezes que o turista vem aqui e os botos não aparecem porque eles estão no cardume”, afirma Érico Cruz, 23, um dos instrutores do Recanto do Boto. Ele também comenta sobre a ‘desobediência’ de alguns turistas que visitam o estabelecimento. “Tem turista que não quer respeitar as regras, quer fazer o que dá na telha. Teve vezes que a gente já quase retirou à força”, contou.

Copa impulsiona aumento de turistas

Érico conta que o local recebe cerca de 60 visitantes por mês, mas que a demanda deve aumentar consideravelmente por conta da Copa do Mundo. “Na Copa vai aumentar a quantidade de público, vou ter que contratar pessoas pra controlar os visitantes. Inclusive tem alguns grupos de turistas que já fizeram reserva para a Copa, dois deles da Alemanha”, contou. O instrutor afirmou inclusive que jogadores de seleções já fizeram reservas para conhecer o estabelecimento, porém se negou a divulgar os países por motivos de segurança.

Local também trabalha com a venda de artesanatos amazônicos. Foto: Gabriel Seixas/Portal Amazônia

O Recanto do Boto não conta com uma divulgação própria do estabelecimento. Quase todos os turistas recebidos pelo local são encaminhados por agências de turismo, que incluem a interação com os botos em seus pacotes. Entretanto, a presença de visitantes de outros países é constante. “A maioria dos turistas que vem pra cá são ingleses. Nós também recebemos muitos espanhóis, vem gente de toda a parte do mundo”, conta Érico.

Como conhecer?

Para quem quiser conhecer o Recanto do Boto, o local funciona todos os dias, das 8h às 15h. A entrada custa R$ 25 por pessoa. O lago do Acajatuba fica a cerca de 80 quilômetros de Manaus. A viagem da capital amazonense até a comunidade ribeirinha dura cerca de uma hora e meia de barco. Interessados em fazer uma reserva podem entrar em contato pelo número (92) 9124-6679.

 
 

Atrasos de voos causa confusão no aeroporto de Boa Vista

Voos que deveriam pousar em Manaus foram desviados a Boa Vista por conta do mau tempo na capital amazonense

Atrasos de voos gera confusão em Aeroporto Internacional de Boa Vista. Foto: Jaqueline Pontes / Portal Amazônia.BOA VISTA – Fortes chuvas em Manaus causaram transtornos também no Aeroporto Internacional Atlas Brasil Cantanhede, em Boa Vista. Dois voos da companhia aérea TAM foram impedidos de pousar na capital amazonense por conta do mau tempo. A mudança afetou 177 passageiros e gerou reclamação entre os clientes, que denunciaram a empresa por descumprimento dos direitos do consumidor.

Um grupo de cinco pessoas do voo que saiu de Brasília com destino a Manaus, remanejados para Boa Vista, afirmou que a companhia aérea lesou todos os direitos legais. Segundo eles, a companhia não os hospedou em nenhum hotel da cidade alegando que Boa Vista não tem estrutura hoteleira para atender tantas pessoas. Os passageiros afirmam que foram obrigados a pagar hospedagem do próprio bolso.

A geóloga Solange Costa, de Manaus, disse que a TAM passou mais de duas horas para dar informações sobre o que iria ocorrer com o passageiros. “Nós mesmo que tivemos que sair ligando para os hotéis e confirmamos que tinha vagas, sim. E mesmo assim a companhia continuava dizendo que não tinha”, declarou.

Grupo de passageiros que vinha de Brasília para Manaus. Foto: Jaqueline Pontes/ Portal Amazônia

A servidora pública federal do Instituto Federal do Amazonas, Joseane Faraco, disse que quando chegaram próximo à Manaus a companhia informou que não seria possível pousar e que viriam para Boa Vista. Ainda segundo a funcionária pública, os passageiros foram impedidos de sair da sala de desembarque ao chegarem a Boa Vista. “Ficamos presos. Quase duas horas da manhã eles disseram que a cidade não tinha estrutura de rede hoteleira para acomodar todas as pessoas, que dariam preferência para certas prioridades e que os demais tinham que tomar suas próprias providências”.

Avião da TAM que deveria ter pousado em Manaus. Foto: Jaqueline Pontes / Portal Amazônia.

A TAM informou que a cidade de Boa Vista não tinha disponibilidade para todos os passageiros, que os hotéis só disponibilizaram 20 vagas para os 142 passageiros do voo que vinha de Brasília, juntamente com mais 35 passageiros de outro voo internacional. Segundo a TAM, a companhia optou por acomodar na vagas disponibilizadas os idosos, mulheres gestantes e crianças.

A reportagem procurou a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), mas o órgão não se manifestou.

Ribeirinhos do Amazonas preparam torneio de futebol paralelo à Copa

Torneio entre comunidades do rio Negro promete atrair turistas e amantes do futebol durante o Mundial

MANAUS – A Copa do Mundo de Futebol é um evento que mobiliza milhões de pessoas, inclusive na Amazônia. A região sedia o torneio pela primeira vez na história e aproveita para divulgar suas características. No Amazonas, as comunidades ribeirinhas estão integradas nesse processo à medida em que fazem parte dos roteiros turísticos do Estado. E os locais às margens do Rio Negro apresentam um atrativo especialmente para o Mundial: o tradicional Campeonato de Futebol da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Rio Negro será realizado justamente no período do Mundial.

Torneio de futebol do Rio Negro. Foto: Acervo/FAS

A paixão pelo futebol nas comunidades ribeirinhas do Amazonas é perceptível. Torneios são organizados entre as comunidades em quase todos os fins de semana. Durante a Copa do Mundo, os locais pretendem atrair um número considerável de turistas. E além da natureza e da interação com animais, o futebol também desponta como um grande atrativo para os visitantes.

Clube da terra (e do coração)

Pedro Vidal tem 58 anos. Apaixonado por futebol desde os 13, o morador da comunidade Santa Helena do Inglês fala com orgulho do seu clube do coração. Flamengo? Vasco? Nada disso. É o Santa Helena, time amador que leva o nome da comunidade. “Minha paixão pelo futebol começou quando eu vesti a camisa do meu clube do coração, aqui da região, que é o Santa Helena. Comecei a jogar com 13 anos e até hoje, aos 58, eu ainda bato uma bola”, afirmou.

Futebol possui um importante papel social nas comunidades ribeirinhas do Amazonas. Foto: Acervo/FAS

Vidal define o Santa Helena como “o maior time da comunidade”. “É um time veterano aqui na área, muito conhecido no interior, até mesmo em Iranduba, Novo Airão e etc”, exibiu-se. O experiente ‘atleta’ explica que o torneio de futebol do Rio Negro envolve 19 comunidades ribeirinhas e é ‘democrático’, pois inscreve times masculinos, femininos e veteranos, como no seu caso.

Futebol = renda

Líder da comunidade Santa Helena do Inglês, Nelson Mendonça destaca um fator benéfico da realização de torneios de futebol nas comunidades: a geração de renda. “Esse esporte, além de proporcionar o lazer no sábado, no domingo, também ainda deixa um pouco de renda na comunidade que recebe o evento. Até porque o cara que vem jogar aqui come alguma coisa, compra uma cerveja, sempre deixa um dinheirinho”.

Estádio de futebol da comunidade Santa Helena do Inglês para os torneios do Rio Negro. Foto: Gabriel Seixas/Portal Amazônia

Outro ponto positivo destacado por Nelson é a integração das comunidades através do futebol. “É uma forma das outras comunidades virem pra cá. Até porque pra pessoa ir pra outro ‘campo’ tem que ser por algo que ela goste. E aqui a gente atrai muita gente nos torneios, tanto homem quanto mulher”.

Pra turista ver

Tanto a comunidade do Tumbira quanto a de Santa Helena do Inglês ainda não parecem ‘respirar’ Copa do Mundo. Nenhuma casa ou estabelecimento encontra-se decorado com bandeiras, cores ou qualquer enfeite relacionado à seleção brasileira. Entretanto, este panorama vai mudar até o início do Mundial, segundo os próprios moradores. O que não muda mesmo é a paixão dos comunitários pelo futebol – isto sim, perceptível em cada esquina.

Os turistas podem ficar despreocupados: se os destinos escolhidos durante a Copa forem as comunidades do Baixo Rio Negro, o que não vai faltar é bola na rede.

 

Zona Azul entra em vigor no Acre a partir de agosto, diz RBtrans

Implantação de 1,4 mil vagas de estacionamento rotativo vai melhorar tráfego e beneficiar comércio

RIO BRANCO – O sistema de estacionamento rotativo chamado ‘Zona Azul’ é a promessa para desafogar o trânsito e trazer mais praticidade na vida dos comerciantes e da população rio branquense. De acordo com a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (RBtrans), os parquímetros começam a funcionar em agosto. O projeto prevê a implantação de 1,4 mil vagas em toda a área central da cidade, os bairros Bosque, Estação Experimental e arredores.

“A vantagem é exatamente a rotatividade de veículos nessas áreas movimentadas”, diz o superintendente da RBtrans, Ricardo Torres. Ele explica que as demarcações irão garantir maior praticidade tanto para a população quanto para os comerciantes. “Uma média de 85% dos veículos ficam parados o dia inteiro e isso inviabiliza boa parte do comércio e das pessoas que buscam essas áreas comerciais pra uma compra mais rápida. Mas com as zonas azuis, isso irá mudar”, ressalta Torres.

Durante dois meses condutores receberão ação educativa sobre as Zonas Azuis. Foto: Henrique Perinotto/Secom SP

Com o sistema, as 1,4 mil vagas triplicam – já que cada veículo só poderá ficar no máximo duas horas estacionado. Durante os meses de junho e julho serão realizadas campanhas para instruir os condutores sobre as zonas e os pagamentos nos parquímetros.
Para os que trabalham nas regiões, a alternativa mais viável de não sentir no bolso é escolher os estacionamentos privativos e negociar com os mensalistas.

Flanelinhas

Questionado sobre o futuro dos flanelinhas, o superintendente da RBtrans afirmou que negociações junto à uma associação – que cuida dos interesses dos trabalhadores – são realizadas para discutir a situação assim que as Zonas Azuis forem instaladas. “Cada um deles cuida de trechos na região. Então, a proposta é que a gente reinsira esses flanelinhas dentro do mercado de trabalho formal”, conta.

Divergências

Para a paulista Daisy Sanches, residente do Acre há quase dois anos, a Zona Azul é um mau negócio. “Compensaria mais ir trabalhar de ônibus se os coletivos fossem bons. Economizaria tempo, gasolina e paciência. Em cidades que os coletivos funcionam não existe muito trânsito”, propõe. Já o auxiliar administrativo Carlos Fernandes acredita que a iniciativa é a solução. “Eu aprovo esse projeto. Não sabia que ia vir para o Acre, mas vai melhorar muito o tráfego nas horas de pico”, conta.

Pagamento

O pagamento pela utilização dos locais demarcados como Zona pode ser realizado nos parquímetros, que ficarão a 50 metros das vagas. O usuário digita os números da placa do carro no painel e debita o valor do tempo que usará. O sistema aceita cartões de crédito e débito. É importante que o motorista tenha o controle da hora, já que o tempo máximo de permanência de um mesmo veículo no estacionamento é de duas horas. Ao ultrapassar o limite de tempo, o motorista poderá ser penalizado conforme o previsto o Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

 

Conheça os conceitos sustentáveis do estádio de Cuiabá para a Copa

Concepção do estádio inclui economia no consumo de água e energia, além de medidas para amenizar o calor

CUIABÁ – A Arena Pantanal, estádio de Cuiabá para a Copa do Mundo de Futebol, teve sua obra reconhecida internacionalmente pelo seu projeto. O estádio é constituído a partir de conceitos de funcionalidade e sustentabilidade. Conheça um pouco mais sobre a estrutura que da arena que receberá quatro jogos do Mundial, todos na primeira fase: Chile x AustráliaRússiaCoréia do SulNigéria x Bósnia e Japão x Colômbia.

Área externa da Arena Pantanal será um espaço de lazer para a população, inclusive com um lago artificial. Foto: Edson Rodrigues/Secopa-MT

Em razão das altas temperaturas, o formato das arquibancadas é diferente de todos os outros estádios. Isto porque a Arena conta com quatro aberturas entre tais estruturas, que por serem arborizadas, diminuem as ilhas de calor dentro do estádio.

A economia no consumo de água e energia também foi idealizada de maneira sustentável. Com a reutilização da água da chuva para a irrigação do gramado e abastecimento da lagoa, localizada na área externa, a economia anual prevista é de 30%. Quanto à energia, com a instalação de placas solares e do sistema de resfriamento, o consumo de energia nos chuveiros dos vestiários e dos aparelhos de ar condicionado, respectivamente, poderão representar redução de 10% ao ano.

Para compensar as 232 árvores que foram retiradas do antigo estádio, foram plantadas na área verde da Arena um total de 2.080 mudas nativas, em um espaço de 18,6 mil metros quadrados.

Projetos sociais

Desde 2010, quando a obra teve início, trabalharam na Arena Pantanal um total de 5.210 pessoas, dos quais 355 integraram três projetos sociais: haitianos (235), reeducandos do sistema prisional (73) e egressos do trabalho escravo (47).

Arena em números

Dos 300 mil metros quadrados de área, 107 mil metros quadrados são ocupados pela estrutura do estádio, que nos jogos das seleções na Copa do Mundo terá capacidade para receber 41.390 torcedores e posteriormente, 44.003 pessoas. Ao todo, são 97 camarotes com capacidade para 1.624 pessoas. De cobertura nas arquibancadas são 26,8 mil metros quadrados.

Arena Pantanal recebe bom público para jogo entre Luverdense e Vasco. Foto: Mayke Toscano/Secom-MT

São 164 assentos para portadores de mobilidade reduzida e 130 assentos para cadeirantes. Há 158 assentos para obesos e sinalização específica para deficientes visuais. São 948 posições para banheiros, dos quais 66 são destinados a Portadores de Necessidades Especiais (PNE).

Na área externa, que deverá ser um espaço de lazer para a população, pode-se encontrar um lago artificial, a passarela que dá acesso ao restaurante, a escalinata, quatro choperias e espaço para o futuro Museu do Futebol.

Entre as principais características da Arena pode-se ressaltar a versatilidade e possibilidade de redução de 30% da capacidade se retiradas as duas arquibancadas dos setores Sul e Norte, assentadas sob estrutura metálica.

O estádio é composto por quatro setores – Norte, Sul, Leste e Oeste –, sendo que no Sul e Norte há quatro níveis e no Leste e Oeste, cinco. Os torcedores poderão se movimentar no estádio por meio de escadas, que são 20 em todo o estádio, ou por elevadores, 12 no total.

Em cada nível é possível encontrar:

00 (subsolo) – banheiros, vestiários, sala médica, refeitório, salas técnicas, auditório, guaritas, salas de segurança, sala de telecomunicações, escadas, elevadores, recepção mídia e vip/vvip, circulação e cabines de tradução;

10 (térreo) – acesso do público geral, sanitários, lojas, acesso às arquibancadas inferiores, bares e quiosques;

20 – Leste: camarotes para 15 pessoas e outro para 120 torcedores, denominado Bossa Nova, além de acesso à arquibancada, cozinhas, banheiros e restaurante; Oeste: camarote VIP e VeryVIP, acesso à arquibancada, cozinhas, banheiros e restaurante;

30 – Leste: camarotes, cozinha, sanitários, restaurante e bares. Oeste: camarotes, mídia, cozinha, sanitários, restaurante, bares e o Centro de Comando de Operações (CCO);

40 – arquibancada, sanitários, bares, quiosques e lojas.

Ao todo foram usados para a construção do estádio e da área de lazer na parte externa 70 mil metros cúbicos de concreto, 10,4 toneladas de estrutura metálica, 7,5 toneladas de aço e 7.351 de pré-moldados.

A Arena conta com 20 entradas pelo nível 10 (térreo), considerada o principal acesso dos torcedores e há outros três no subsolo. Para entrar no estádio, torcedores têm três opções: ônibus, automóveis e a pé.

Arena Pantanal, em Cuiabá. Foto: Edson Rodrigues/Secopa

O gramado do estádio, da espécie Bermuda, suporta altas temperaturas e sua extensão é de 75×115 metros. A distância entre campo e arquibancada nas linhas laterais é de 13 metros e 14,4 metros atrás dos gols, onde os jogadores farão o aquecimento.

A Arena conta com 2.431 vagas de estacionamento na área externa e 400 no subsolo, destinadas aos torcedores dos camarotes.

A localização da Arena Pantanal atende aos requisitos da Fifa quanto à proximidade em relação ao aeroporto e à existência de boa infraestrutura de saúde e segurança. O estádio fica próximo a hospitais e de unidades de segurança, como o Corpo de Bombeiros, Polícia Civil e Polícia Militar.

O Complexo da Arena Pantanal compreende o Ginásio de Artes Marciais Lusso Sinohara, a piscina pública e o Ginásio Aecim Tocantins, que durante o Mundial dará lugar ao Centro de Mídia da FIFA.

Gol de chocolate na boca dos brasileiros

 

Xavier Odermatt segurando o "ovo da Copa".

Xavier Odermatt segurando o “ovo da Copa”. (swissinfo)

Por Alexander Thoele, swissinfo.ch 
Brasília
Um confeiteiro suíço encanta os chocólatras de Brasília com bombons feitos com frutas exóticas como pequi ou umbu. Apaixonado por futebol, ele aproveita da Copa do Mundo para transformar a mascote Fuleco em uma versão comestível. Porém se junta ao grupo dos insatisfeitos com os gastos nas grandes obras.

O último encontro ocorreu há nove anos (ver reportagem “Um chocolateiro no Planalto”), mas Franz Xaver Odermatt, 68 anos, parece não ter mudado. Cabelos brancos, um bigode fino abaixo do nariz pronunciado, magro e a mesma voz baixa, quase tímida, mas um humor afiado são percebidos nesse suíço radicado há quatro décadas no Brasil.
 
O repórter da swissinfo.ch senta com o mestre chocolateiro na loja aberta há oito anos em uma rua comercial de Brasília. “Stans chocolates” está escrito na fachada, pintada com a cor da deliciosa guloseima. O nome vem da sua cidade natal, localizada nas proximidades de Lucerna, no centro da Suíça. Depois de trabalhar por muito tempo como sócio de uma confeitaria e depois produzindo de forma independente chocolates e confeitos, ele pensou em aposentar, mas foi impedido pelas filhas, Prisca, 36, e Denise, 38. A primeira, arquiteta formada, projetou a loja e a outra a administra hoje. A ideia deu certo.
 
Poucos dias antes da Páscoa, a família inteira se juntou às vendedoras para conseguir dar conta de atender a grande quantidade de clientes que chega a cada minuto. Os chocolates da Stans já são famosos. Segundo o jornal Correio Braziliense, uma pesquisa eletrônica mostrou que os leitores os escolheram como um dos melhores da capital. Frente ao caixa, um comprador segura três ovos nas mãos e conta que seus filhos farão a festa. “É o nosso ovo especial com seis camadas, inclusive com creme de castanha de caju, macadâmia e chocolate amargo”, revela Odermatt provocando a gula das pessoas próximas.

SUÍÇOS DO ESTRANGEIRO

Um chocolateiro no Planalto

O suíço produz até 400 quilos de chocolate por mês.

Das montanhas ao cerrado: as aventuras do confeiteiro Xavier Odermatt pelo mundo até se transformar em fabricante de chocolate em Brasília.  […]

 

Uma vida brasileira

O chocolateiro continua produzindo em casa. Hoje é fornecedor exclusivo da loja das filhas, casadas hoje com brasileiros e completamente integradas na vida local. Questionado sobre a vida no país, Odermatt para alguns segundos para refletir. “Para mim não mudou muita coisa, mas o Brasil mudou muito”. Em que direção? “Eu estou achando que o país piorou muito. Está cada vez mais apertado com os impostos. O governo está precisando de dinheiro”, lamenta.
 
Porém com o Brasil, ele parece estar em paz. Uma vez por semana reúne-se com outros compatriotas em um bar local para falar da vida. Nas horas livres fotografa flores. “Gosto muito das plantas do Cerrado”, afirma Odermatt, que possui também um pequeno “casebre” em uma região rural, onde costuma caminhar por horas. Vez ou outra faz viagens através do Brasil para conhecer novos lugares. “No carnaval estive em Palmas, um lugar que parece até uma Brasília melhorada, toda retangular.”
 
A Stans vende hoje 40 tipos de bombons, com recheios variados. Apaixonado pelos sabores das frutas nativas, Odermatt pesquisou e conseguiu desenvolver receitas com jabuticaba, açaí, guaraná, cupuaçu, umbu e até maracujá da caatinga. A fama de “mago do chocolate” chegou até os ouvidos do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), que o convidou para escrever um livro, publicado em 2012, com outra cozinheira brasileira sobre diferentes combinações de chocolate com frutas brasileiras. “Do sul ao extremo norte podemos contar com produções de frutas dos seis biomas, em épocas distintas e com sabores únicos”, declara no editorial.
 
Exportá-los para a Suíça, o país dos chocólatras, sempre ávidos por novidades? Odermatt balança a cabeça, como se quisesse ressaltar a sua experiência de vida. “Os que experimentam nossos bombons adoram, mas os trâmites burocráticos e o transporte são coisas muito complicadas”, retruca. Em si, ele já está bem orgulhoso de ter conquistado a clientela em Brasília. Uma das suas maiores honras foi ter atendido presidentes. “Fiz duzentas e cinquenta tortas para o banquete na posse do presidente Geisel. Depois disso as coisas deslancharam para mim.”

A fachada da loja dos chocolates Stans, em Brasília.

A fachada da loja dos chocolates Stans, em Brasília.
(swissinfo)

 

Taça em chocolate

Perguntado se ficou feliz quando o Brasil foi escolhido para sediar a Copa do Mundo, se mostra contrariado. “De forma nenhuma. Quando vi todos aqueles políticos brasileiros sorrindo na sede da FIFA em Zurique, pensei comigo mesmo: o choro vem depois”, afirma, considerado que, em sua opinião, o aspecto mais crítico são os gastos excessivos com a construção de estádios em um país, “onde falta tanta coisa”.
 
Política a parte, o que mais lhe interessa é juntar o futebol com o chocolate. Torcedor do Palmeiras desde que viveu em São Paulo nos anos 1960, Odermatt criou o “Chocoleco”, uma versão comestível da mascote da Copa do Mundo de 2014, o Fuleco. Além disso, também criou apitos de chocolate e uma bola de chocolate recheada com outras pequenas bolinhas. E mesmo na Páscoa, o coração de torcedor não deixou de bater: ele vai a uma prateleira e pega nas mãos o “ovo da Copa”, embalado em uma caixa de plástico com uma fita em verde-amarelo. Nas laterais do ovo, bolinhas em chocolate nas cores nacionais. Difícil para ele é esperar até que a seleção suíça venha jogar no Mané Garrincha em 15 de junho. “Já comprei até os ingressos”, brinca.

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Aumenta sinistralidade de crianças nas estradas moçambicanas

Dia Mundial da Criança é todos os dias.

Dia Mundial da Criança é todos os dias|DR|RFI

O ano de 2013, ficou marcado pelo aumento da sinistralidade rodoviária, contra crianças em Moçambique, com mais de 855 casos registados, pelas autoridades moçambicanas.

O Dia Internacional da Criança, assinalado todos os anos, a 1 de Junho, foi marcado, emMoçambique, com várias actividades, chamando a atenção dos moçambicanos, para a alta taxa de sinistralidade, contra crianças moçambicanas, que são mortas, nas estradas do país.

Segundo a Ministra moçambicana da Mulher e Acção Social, Iolanda Cintura, o ano de 2013, ficou marcado por 855 acidentes, envolvendo crianças, em muitos casos, com“mortes de crianças, situações com ferimentos graves, crianças com ferimentos ligeiros, crianças que ficaram com deficiências, como resultado de acidentes de viação.”

Perante este drama, são as próprias crianças, que apelam o governo moçambicano, os pais e a sociedade civil, a buscar soluções para o problema, evocando mesmo a Carta dos Direitos e Protecção das Crianças:

“A criança deve ter uma educação, deve ter uma família, deve ter um nome, deve estudar e deve ter tudo o que precisa”, sublinha, uma vozinha de criança, na reportagem, do nosso correspondente, em Maputo, Orfeu Lisboa.

 

Orfeu Lisboa, correspondente em Maputo
 
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01/06/2014

De notar, que cada vez mais, o Dia Mundial da Criança, é comemorado, a 1 de Junho, em quase todo o mundo, mas, na verdade, a ONU, escolheu o dia 20 de Novembro, data da aprovação da Declaração dos Direitos da Criança, em 1959, para se assinalar, o evento, assim como acontece, em relação à Convenção dos Direitos da Criança, de 1989.

Mas, há vários países, que assinalam o Dia da Criança, em Setembro, em Maio, em Outubro, ou em Novembro, e não necessariamente, no dia 1 desses meses.

Cinco anos depois, acidente do AF447 ainda gera disputa jurídica

Flores são colocadas em memorial das vítimas do AF447 no cemitério Père Lachaise

Flores são colocadas em memorial das vítimas do AF447 no cemitério Père Lachaise|Reuters|Taíssa Stivanin

Na noite de 31 de maio de 2009, o voo AF447, com 228 passageiros a bordo, deixava o Rio em direção a Paris. Eles jamais chegariam a seu destino. Cerca de três horas depois da decolagem, uma série de incidentes técnicos resultou na queda do Airbus330 da Air France no meio do oceano Atlântico.

Neste fim de semana, no Brasil e na França, duas cerimônias aconteceram em memória às vítimas do acidente. Em Paris, uma homenagem aconteceu às 15h do sábado no cemitério Père Lachaise; e no Rio, flores serão colocadas sobre o monumento construído no Alto Leblon.

As Associações dos Familiares das Vítimas, entretanto, não escondem sua decepção em relação ao último documento divulgado pela Justiça francesa, no processo penal contra a Airbus e a Air France.

O relatório, encomendado pela Airbus e aceito pela juíza francesa Sylvia Zimmerman, foi divulgado há cerca de duas semanas. Ele atesta que o acidente ocorreu por falha humana e que a responsabilidade é dos pilotos, que não tiveram as reações “apropriadas” que possibilitariam salvar a aeronave.

A culpa é dos mortos

Uma conclusão que revolta os familiares e até mesmo a companhia aérea, que considerou o documento unilateral. O próprio BEA, a agência civil francesa, responsável pela investigação do acidente, concluiu em seu relatório final divulgado em 2012 que o acidente não teria ocorrido se os sensores Pitot, que medem a velocidade do avião, tivessem funcionado corretamente.

No voo 447, o congelamento desses sensores provocou uma sucessão de panes que levaram à desestabilização do avião, que acabou caindo. Os pilotos também não ouviram o alarme de perda de sustentação, o que levou a agência a incluir uma recomendação no relatório final propondo a instalação de um sinal visual, além do sonoro, no cockpit.

“É preciso indiciar pessoas físicas, para que elas respondam pessoalmente pelos seus erros neste caso. Como você sabe, todo mundo se esconde atrás dos cadáveres dos pilotos. É a melhor opção para todos!”, diz o ex-piloto da Air France Gérard Arnoux, representante das famílias brasileiras na França.

Anulação do relatório

A Associação francesa das Vítimas, Entraide et Solidarité AF447, pretende entrar com um recurso na Justiça em julho. Uma audiência está prevista no Palácio de Justiça de Paris, explica um de seus membros, Laurent Lamy: “Como parente de uma das vítimas, eu não posso aceitar esse relatório. Vamos pedir aos advogados que ele seja anulado”, garante.

O presidente da Associação Brasileira das Vítimas do AF447, Nelson Marinho, concorda. “Este relatório mostra, parodiando De Gaulle, que a França não é um país sério”. Ele também pretende lançar uma ação paralela no país para contestar a responsabilidade da Airbus, acusada de negligência. Elas alegam que o excesso de automatização do avião foi responsável por vários incidentes envolvendo as aeronaves da fabricante.

Livro de memórias

Para lembrar os cinco anos do acidente, as famílias das vítimas pretendem lançar no fim de julho um livro reunindo depoimentos e fotos dos passageiros mortos no acidente. “O livro não terá fins comerciais”, explica Deborah Barochel Pereira Leite.

Ela mora em Munique e ajuda a organizar a publicação, ao lado da Associação Alemã das Vítimas. De acordo com ela, “trata-se de uma homenagem póstuma aos nossos entes queridos, com uma tiragem limitada”.