Pai de jovem francês que abandonou a Al Qaeda conta o drama da família

Abderazak e seu filho na Turquia, logo depois de ter passado a fronteira com a Síria, 24 de junho de 2014.

Abderazak e seu filho na Turquia, logo depois de ter passado a fronteira com a Síria, 24 de junho de 2014|DR

Um jovem francês de 17 anos, que havia partido para a Síria para se juntar a um grupo ligado à Al Qaeda, voltou à França recentemente e foi preso no aeroporto por associação ao terrorismo e homicídio doloso. Em entrevista exclusiva à Rádio França Internacional, o pai do jovem conta o drama e relança a discussão sobre o recrutamento mundial de jovens por grupos fundamentalistas.

Com a colaboração de Rossane Lemos

No final do ano passado, um jovem francês de Nice decidiu fugir de casa, com o irmão de 23 anos, para se alistar à Frente al-Nosra, ligada à organização fundamentalista islâmica Al Qaeda, na Síria.

O pai dos jovens, Abderazak Cherif, demorou seis meses para convencer o filho mais novo a abandonar a organização e voltar para casa. Eles conversavam pelo Facebook. Na entrevista à RFI, Cherif, que é muçulmano, contou que explicava ao filho que a luta da Al Qaeda não era nem religiosa, nem pacífica. “Eu conheço a religião muçulmana e eu nunca parei de dizer ao meu filho que isso que eles (Al Qaeda) fazem não tem nada a ver com religião. O islã é a paz. E nesse caso há uma batalha de demônios”, critica Cherif.

Baleado no ombro, o jovem decidiu voltar para a França. O pai do rapaz reuniu os poucos recursos financeiros que tinha e embarcou para a Turquia. Lá, ele reencontrou o filho, que conseguiu fugir correndo durante a noite pela fronteira do país com a Síria.

Tiranos ou vítimas?

Ao desembarcar no aeroporto de Nice, o jovem foi detido pela justiça antiterrorista francesa. Pesa sobre ele a acusação de homicídio doloso e associação com grupos terroristas. Segundo uma testemunha, ele teria executado um homem na Síria.

O pai do rapaz se diz chocado com a prisão. “Um menor precisa de ajuda. Acho normal que o interroguem para ter informações sobre as razões do engajamento do meu filho, quem o ajudou a partir, mas eu não compreendo o terem prendido. Precisamos realmente nos questionar: esses jovens são tiranos ou vítimas?”

A história do garoto e o drama da família do sul da França incitam a discussão sobre muitos jovens que são recrutados em todo mundo pela Al Qaeda. Eles passam por treinamentos paramilitares e são convocados para combates e atentados.

Para o governo francês, eles participam de grupos terroristas e por isso são criminosos. Para a família do rapaz, eles são jovens inexperientes que acreditaram numa utopia religiosa e precisam de ajuda. “O coitado estava tão iludido que ele realmente achou que poderia ajudar essas pobres pessoas na Síria”, completa o pai do jovem.

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