Mirante da Serra luta pela potencialidade da struthiocultura

Indústrias garantem a compra da banha das aves, mas a criação do animal no Estado ainda é tímida

Portal Amazônia

MIRANTE DA SERRA – Apesar do município de Mirante da Serra ser conhecido pela tradicional Corrida de Avestruzes, a struthiocultura– criação das aves- ainda é tímida na região. ”Temos gargalos para alavancar a atividade. Umas delas é a umidade relativa do ar- maiores daAmazônia, mas em contrapartida temos o crescimento precoce. Aqui, um avestruz de 10 meses chega a pesar 90kg e está pronto para o abate, enquanto que em São Paulo, por exemplo, se gasta um ano e meio para conseguir o mesmo resultado”, informou o criador de avestruzes José Francisco Cardozo ao Portal Amazônia.

Struthiocultura ainda precisa avançar,em Mirante da Serra

Cardozo enfatiza que o principal obstáculo é a falta de investimentos. ”Temos investimentos na produção de café, na criação bovina, na piscicultura e falta investimento na struthiocultura.  Hoje o governo pode criar polos de criação através das indústrias. Esse é um desafio para o governo do Estado e para os órgãos de extensão rural”, avalia.

Para o criador, Mirante da Serra e Rondônia podem concentrar criadores de avestruzes e garantir rentabilidade a pequenos produtores. Um avestruz com 90 kg produz 20 kg de banha, cada quilo é comprado por R$ 30. ”Você tem uma renda do avestruz só com a venda da banha que é maior do que o custo da produção, sem falar que pode aproveitar, o couro e a pluma”, afirma José.

Struthiocultura ainda precisa avançar,em Mirante da Serra

Para Cardozo, o grande aproveitamento do avestruz  é a banha para fabricação de alimentos e cosméticos, mas o criador aponta que o animal oferece outras fontes de renda. ”Se aproveita o osso da canela para fabricação de cabo de facas, o couro que é muito cobiçado inclusive por grifes e até os cílios são usados para pinceis especiais”, conta.

A struthiocultura ainda é trabalhada de forma tímida em Rondônia. ”Eu estou praticamente sozinho nessa criação, mas temos um grupo de cinco produtores que estão se preparando para começar a criar avestruzes”. Francisco explica o que inibe a struthiocultura. ” Nós tivemos um exemplo ruim da criação de avestruzes em 2004 um grande golpe na criação do avestruz master, quase que erradicou a criação de avestruzes no Brasil”, informa.

Struthiocultura ainda precisa avançar,em Mirante da Serra

Para Cardozo, a situação agora é favorável para a criação dos avestruzes. Pelo menos em Mirante da Serra, os criadores são beneficiados com um comprador certo para a banha produzida pelas aves. A matéria-prima vai para as indústrias Amazônia Struthio e ômegas da Amazônia de Mirante da Serra.

Características da produção

Criador de avestruz há mais de dez anos, Cardozo conta que uma das particularidades do avestruz no período de acasalamento é a mudança da cor de algumas partes do corpo. ”Quando ele fica com o bico e canelas vermelhos e na posição de sentinela é sinal que está na época da reprodução”, aponta.

Outro curiosidade revelada pelo criador é o tempo de vida da ave. Um avestruz vive em média 80 anos. Para Cardozo, a longevidade de um animal está relacionada a qualidade da carne fornecida. A ave oferece quatro tipos de ômega e é o animal com maior resistência imunológica do planeta.

Struthiocultura ainda precisa avançar,em Mirante da Serra

Outro ponto positivo da criação de avestruzes é o pequeno espaço que necessita se comparado a criação de bovinos. ”Um chácara de 3 alqueires, por exemplo, pode abrigar até 200 aves”, conta. Porém a aquisição é cara. ”O preço para de um casal de avestruzes equivale a de quatro bois,  mas um avestruz dá a luz de cinco a dez filhotes por ano, enquanto que neste período a vaca só gera um bezerro”, conta. Cardozo cria cerca de 60 aves.

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A reprodução em campo na chácara do criador foi substituída por incubadora devido o clima úmido atrapalhar o processo natural. Na incubadora é possível garantir entre seis a sete filhotes por fêmea a cada ano. Depois de colhido e já numerado, o ovo de avestruz- que equivale a 24 ovos de galinha-, vai para a máquina fomigador onde o ovo é higienizado a seco e em seguida entra para o setor de incubação. ”Juntamos o ovos e fazemos isso uma vez por semana para que todos nasçam na mesma semana”, conta.

Struthiocultura ainda precisa avançar,em Mirante da Serra

Os ovos ficam seis semanas na incubadora. Ao nascer, os avestruzes são transferidos para os nascedouros onde a temperatura e a umidade é mais nivelada com o meio ambiente. Eles recebem identificação e seguem para o berçário onde ficam até os três meses, idade que eles seguem para o campo.

Struthiocultura ainda precisa avançar,em Mirante da Serra

A motivação para criar avestruzes surgiu apos Cardozo assistir a um reportagem sobre o assunto. ”Era funcionário de uma empresa de associação de produtores rurais que sempre lutou por transformar o rendimento de uma pequena propriedade rural. O que mais me chamou atenção foi o fato de produzirem mais de cinco aves por ano, viverem em pequenos espaços e ter fácil manejo. Aí eu comecei a enxergar potencialidade nos avestruzes” , explica.

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