Cheia do rio Negro em 2014 é a que mais demorou para iniciar vazante

Boletim do CPRM prevê que a cota do rio Negro em Manaus deve permanecer acima dos 29 metros em agosto

Portal Amazônia

Cota do rio Negro pode permanecer acima dos 29 metros em agosto. Foto: Raylton Alves/ANA

MANAUS – Com cota acima dos 29 metros há 50 dias, o rio Negro iniciou a vazante em ritmo lento. De acordo com o 24º Boletim de acompanhamento de Monitoramento Hidrológico do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), divulgado nesta sexta-feira (11), a enchente de 2014 na capital do Amazonas “é a que mais atrasou seu pico e uma das mais impactantes cheias da história no que se refere a tempo de permanência acima dos 29 metros”.

O boletim informa ainda que cotas acima de 29 metros no mês de agosto nunca haviam acontecido. Entretanto, “há um prognóstico” para que a cota permaneça acima de desta medida nas primeiras semanas do próximo mês. A cheia com maior duração acima da cota 29 metros foi a de 2009, com 79 dias entre 13 de maio e 31 de julho. A cota do rio Negro em Manaus nesta sexta-feira (11) se manteve em 29,49m, a mesma desde a quarta-feira (9). A cidade está sob decreto de emergência desde o dia 26 de maio.

Em 2012 e 2013, no dia 11 de julho, a cota marcava a mesma medida: 28,84 metros. Das cotas registradas em Manaus, 74,77% tiveram o valor máximo anual no mês de junho, 18,92% em julho e 6,31% em maio. Em Barcelos, o nível do Rio Negro está a três centímetros de atingir cota de emergência (9,57 metros).

Chuvas em julho

De acordo com o meteoreologista Lucas Mendes, do  Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), até esta sexta-feira (11) foi registrado em torno de 30 milímetros de chuva para este mês. “O estimado para julho é que esteja entre a faixa normal, considerada entre 32 a 92 milímetros de chuva”, informou.

Segundo a assessoria de imprensa da Defesa Civil de Manaus, os bairros e comunidades atingidos pela enchente tem recebido kits de ajuda humanitária – colchões, cestas básicas, garrafões de água, lençóis e redes – e aluguel social. Ainda de acordo com o órgão as “chuvas de verão”, comuns no mês de julho, não trouxeram grandes ocorrências. A entrega de benefícios é realizada desde o último dia 5. Já foram atendidas 560 famílias no bairro São Jorge, mais de 300 famílias no bairro da Raiz e aproximadamente 800 famílias no bairro do Educandos.

Enchente no Amazonas

As bacias dos rios Javari, Purus e Madeira estão em período de vazante com níveis dentro da média para a época. O rio Solimões, monitorado nas estações de Manacapuru e Itapeuá (próximo a Coari) começou a baixar lentamente e também entrou no período de vazante. Já a bacia do rio Amazonas, apesar da vazante, ainda apresenta níveis acima da cota de emergência.

No boletim de alerta da Defesa Civil do Amazonasdivulgado no dia 1° de julho, registrou-se que, no interior do Estado, 39 municípios foram afetados pela subida das águas: 37 em situação de emergência e dois em estado de calamidade. O número de pessoas atingidas no Estado subiu para 317.154, um total de 63.212 famílias.

*Com reportagem de Clarissa Bacellar

 

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