Chile: Justiça acusa 18 pessoas de envolvimento em extermínio de militantes

Reprodução/Contra Injerência

Dos acusados, quatro são altos oficiais do Exército Chileno e serão processados por participação em associação ilícita e por homicídio

31/07/2014

Da Adital

Trinta anos após o crime, o juiz Carlos Aldana Fuentes acusou 18 pessoas por envolvimento no extermínio de sete militantes do Movimento de Esquerda Revolucionária (MIR, na sigla em espanhol), ocorrido em 23 de agosto de 1984, nas cidades de Hualpencillo, Talcahuano, Concepción, Los Ángeles e Valdivia, na região sul do Chile. Dos acusados, quatro são altos oficiais do Exército do país e serão processados por participação em associação ilícita e por homicídio. Eles teriam planejado e liderado o homicídio do grupo na Operação Alfa Carbón 1.

São eles: Marcos Spiros Derpich Miranda, à época coronel do Exército, chefe e supervisor da operação; Álvaro Julio Federico Corbalán Castilla, major do Exército, um dos chefes de operação, hoje preso por vários outros crimes; Jorge Camilo Mandiola Arredondo, major do Exército, chefe regional da Central Nacional de Informações (CNI) em Concepción; e Patricio Lorenzo Castro Muñoz, apelidado de “El Bejota”, então capitão do Exército.

Os outros 14 acusados deverão responder apenas por homicídio: Roberto Antonio Farías Santelices, Luis Hernán Gálvez Navarro, Manuel Morales Acevedo, José Abel Aravena Ruiz, Luis Enrique Andaur Leiva, Sergio Mateluna Pino, José Zapata Zapata, Bruno Soto Aravena, Luis Alberto Moraga Tresckow, Óscar Boehmwald Soto, Gerardo Meza Acuña, Patricio Alfredo Berton Campos, Luis René Torres Méndez e a única mulher, Ema Verónica Ceballos Núñez.

A CNI era considerada uma “associação ilícita”, que operava dentro do Exército, planejando, por vários meses, assassinatos em série sob o nome de Operação Alfa Carbón 1. O número leva à suposição de que haveria outras ações previstas para a região sul do país, tal como ocorreu três anos depois, nos dias 15 e 16 de junho de 1987, com a Operação Albania (ou Matança de Corpus Christi), que assassinou 12 membros da Frente Patriótica Manuel Rodríguez (FPMR), do Partido Comunista. Anos depois, Hugo Dolmestch, ministro da Corte Suprema do Chile, chamou a Alfa Carbón de “Operação Albania do Sul”.

Na época em que houve os sete assassinatos, planejados em detalhes e executados a sangue frio, o fato foi apresentado à imprensa como “enfrentamentos”, com a cumplicidade de grandes meios de comunicação. Vivendo um Regime Militar (de 1973 a 1990), encabeçado pelo general Augusto Pinochet, o Governo do Chile pretendia exportar uma imagem internacional de “luta permanente contra o terrorismo armado marxista”, tentando ocultar o crescente êxito político da resistência e a oposição à ditadura.

O MIR é uma organização ainda existente no Chile, de extrema esquerda, fundada em 1965, com a finalidade de combater o capitalismo e conquistar o poder político para operários e camponeses, de orientação marxista-leninista. No caso de 1984, foram mortos Luciano Humberto Aedo Arias (30 anos), Nelson Adrián Herrera Riveros (31), Mario Octavio Lagos Rodríguez (32), Mario Ernesto Mujica Barros (32), Rogelio Humberto Tapia de la Puente (31), Raúl Jaime Barrientos Matamala (24) e Juan José Boncompte Andreu (31).

Além dos assassinatos, diferentes operações simultâneas em Concepción, Los Ángeles, Temuco e Valdivia, da CNI, detiveram 19 pessoas, que vinham sendo vigiadas desde o início de 1984, incluindo uma menina de quatro anos de idade. Os homicídios foram ordenados e monitorados pela Direção Nacional da CNI, cujo chefe era o general Humberto Gordon Rubio (já falecido), sucedido pelo coronel Hugo Salas Wenzel, promovido depois a general. Este último cumpre prisão perpétua como protagonista da Operação Albania.

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