Cheia de altos e baixos, adolescência pode ser mais fácil se houver diálogo

A Tribuna | Carolina Iglesias

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Diálogo pode aproximar pais e filhos nesta fase

A adolescência é uma fase cheia de altos e baixos. Se não bastassem todas as transformações físicas, que marcam a transição da juventude para a fase adulta, o início da puberdade também provoca modificações interiores. Em muitos casos, essas mudanças também implicam o distanciamento de pais e filhos e é quando a falta de convivência familiar pode incentivar desejos por liberdade e aventura, provocando situações arriscadas.

Na última semana, dois jovens de 14 anos, residentes em Guarulhos, decidiram fugir de casa para viver uma aventura amorosa e planejavam vir para o Litoral Paulista. Antes de partir, o casal, que já mantinha o relacionamento por um ano, decidiu escrever uma carta aos pais afirmando que precisava de liberdade. Cinco dias depois de saírem de casa, e percorrerem quase 100 quilômetros, eles desistiram do plano e voltaram para as suas casas. Os pais chegaram a registrar um boletim de ocorrência sobre o desaparecimento.

Na avaliação da psicóloga Maria Paula Carvalhaes, especializada em atendimento de crianças e adolescentes, o comportamento destes jovens serve de alerta para outros pais. “Tudo na adolescência é muito intensificado. A paixão também. Muitos jovens trocam a família por outros relacionamentos. Por isso, os pais precisam estar presentes na vida destes jovens. Devem fortalecer vínculos para evitar que haja um afastamento dos seus filhos”.

Na opinião da especialista, o diálogo entre os adolescentes e a família é melhor caminho para a solução de qualquer impasse. “Os jovens costumam ter este espírito aventureiro. Na adolescência, há esse processo de fuga. Os jovens se juntam com amigos, com um namorado e querem ser livres. Perdem o afeto pela família e investem neles mesmos. E, se a família contraria esses jovens, eles acabam agindo por impulso. Não se trata de uma crítica aos pais, porque isso costuma acontecer. Por isso, o diálogo é tão importante nesta fase”.

Filhos precisam ser acolhidos 

Para a psicóloga Renata Maransaldi, especialista em Terapia Cognitiva pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas – FMUSP, existem muitos casos em que os pais não aceitam os companheiros de seus filhos. Para estes casos, ela recomenda que evitem a proibição do namoro e acolham mais os jovens.

“É preciso conversar e entender o relacionamento. Os pais têm que tentar conhecer o parceiro, e não proibir o contato. O lovem não deixará de fazer algo porque os pais não querem. É preciso conversar. Se realmente achar que o parceiro não é ideal para o filho, é preciso apontar, aos poucos, que a escolha pode não ser a melhor e deixar claro que os valores são mais importantes. Às vezes, os valores não combinam e isso pode ter consequência mais para frente”, alerta a psicóloga.

Ainda segundo Renata, para manter os filhos mais próximos nesta etapa de transição, os pais devem conhecer os amigos e lugares que os jovens frequentam. “Eles precisam participar da vida dos filhos. Chamar os amigos para dentro de casa. É muito importante monitorar o que eles fazem. Quando perceberem que não estão conseguindo ter acesso aos seus filhos, os pais devem procurar a ajuda de um profissional. Se você tem um filho, precisa participar da vida dele”.  *Colaborou Gabriela Lousada

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