Exploração das jazidas de caulim revitaliza setor oleiro do Amazonas

Extração do mineral, próximo a Manaus, amplia o portfólio com a produção de pisos cerâmicos, pratos e outras louças

Jornal do Commércio

MANAUS – A revitalização do setor oleiro do Amazonas pode enfim ganhar um novo aporte, o projeto da empresa Kalamazon Estudos Geológicos, especializada na extração e processamento de caulim, apresentou à Companhia de Gás do Amazonas (Cigás) propostas para exploração das jazidas de Caulim existentes nos município de Manaus, Rio Preto da Eva e Presidente Figueiredo.

A empresa é formada por sócios brasileiros, australianos, americanos e chineses. Só o sócio chinês, Guangdong Highsun, que possui 35% do capital do grupo, firmou um contrato de compra de 150 mil toneladas/ano, nos primeiros oito anos, mas a empresa planeja produzir entre 250 a 500 mil toneladas por ano.

O caulim é um mineral (argila de cor branca) com diversas aplicações na indústria farmacêutica, de cosméticos, tintas, papel e na construção civil. A extração do caulim, próximo a Manaus, abre a possibilidade do setor oleiro ampliar seu portfólio com a produção de pisos cerâmicos, pratos e outras louças. Atualmente, o setor, instalado basicamente nos municípios de Iranduba e Manacapuru, sustenta suas atividades produzindo tijolos, telhas e blocos. “Em média os produtos que usam o caulim, chegam ao Estado com um acréscimo de 70% no valor, só referente aos impostos e custos de transporte.

Com a produção aqui, poderemos exportar para o Acre, Amapá, Pará e Roraima”, conta a presidente do Sindicato da Indústria de Olaria do Estado do Amazonas (Sindcer/AM), Hyrlene Ferreira. Para extrair o caulim, a Kalamazon deverá gerar aproximadamente 250 empregos diretos e 2.500 indiretos, podendo passar de 5 mil a 10 mil postos de trabalho. Mas, para tocar seu projeto, a empresa prevê o uso de 40 a 50 mil metros cúbicos de gás natural por dia na primeira etapa, combustível que está em negociação com a Cigás.

De acordo com o diretor-presidente da Kalamazon, Marcelo Pinto, o resultado das negociações está previsto para os próximos três meses. “Nossos estudos para a extração da jazida estão concluídos, agora vemos as questões de economicidade e competitividade. Não será fácil, a atual etapa é de capitalizar investimentos”, disse.

A chegada da Kalamazon ao mercado amazonense passou por várias etapas e a Secretaria de Mineração, Geodiversidade e Recursos Hídricos (SEMGRH) foi de extrema importância nas articulações. Para o titular da secretaria, Daniel Nava, o projeto de um novo Polo ganha força. “Amarramos estas conversas entre a Kalamazon e a Cigás esperando por resultados que nos deem alternativas de exploração do nosso solo, além de petróleo e gás”, conta Nava.

Segundo Nava, a reserva na Região Metropolitana de Manaus é de “bilhões de toneladas. É um caulim de excelente qualidade. Só a reserva estimada pela empresa Kalamazon é na ordem de 40 milhões de toneladas. Mas sabemos que esse volume é muito maior”, explica o secretário.

Sem gás

O setor oleiro localizado nos municípios de Iranduba e Manacapuru abriga 38 empresas que juntas empregam quatro mil pessoas diretamente e 13 mil de forma indireta. O setor lamenta a falta de combustível para a queima e secagem dos produtos, conta a presidente do Sindcer/AM, Hyrlene Ferreira. “Precisamos, assim como o caulim, de material para queima constante, para melhorar nossa produção. Em épocas do ano não contamos com lenha e a Cigás passa em nossas portas e não podemos usar o gás, que seria a opção mais viável. Necessitamos de subsídios estaduais que torne o uso do gás natural mais barato”, resume a presidente, lembrando que em cidades como Natal (RN) e Rio de Janeiro, os subsídios atingem 70% e 80% respectivamente.

Na contramão

O Polo Oleiro de Iranduba e Manacapuru, ao contrário do que acontece com o PIM (Polo Industrial de Manaus) tem pouco a comemorar com a prorrogação da ZFM e a possível expansão dos benefícios para a Região Metropolitana de Manaus (RMM). “O Polo Oleiro tem incentivos do Estado, como a isenção do ICMS, que seriam perdidos com o ingresso no modelo ZFM. Os incentivos pouco valeriam para nós, já que não precisamos de grandes e modernos maquinários”, ressalta Hyrlene Ferreira.

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