Japão lidera investimentos no Polo Industrial de Manaus

Relação do Japão com o Amazonas, oficialmente, acontece há mais de 80 anos, com a chegada dos imigrantes japoneses

Jornal do Commércio | Manaus

Entre as empresas que mais demitiram no período, a “campeã” de demissões está a Moto Honda. Foto: Walter Mendes/Jornal do CommercioMANAUS – Desde 2008 o Japão se mantém como maior País investidor estrangeiro da ZFM. Somente no ano passado, segundo dados da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), o capital nipônico no PIM superou US$ 2,65 bilhões, de um total de US$ 6,52 bi em investimentos estrangeiros. De 2008 para cá, o montante total de investimentos realizados por 38 empresas japonesas na indústria local corresponde em média a 40,47% dos investimentos de outros países.

A relação do Japão com o Amazonas, oficialmente, acontece há mais de 80 anos, quando os primeiros imigrantes japoneses chegaram à região. Se na década de 1930, a colaboração do país asiático em terras amazonenses se dava principalmente na agricultura, a partir da implantação da Zona Franca de Manaus (ZFM), no início dos anos 70, os japoneses vêm desempenhando um papel fundamental na consolidação do Polo Industrial, sob a condição de principais investidores estrangeiros do modelo.

O capital japonês está presente hoje em praticamente todos os segmentos do PIM, com destaque para o setor de duas rodas, eletroeletrônico, mecânico, químico, relojoeiro, metalúrgico, termoplástico e de borracha, com gigantes mundiais como Sanyo, Sony, Panasonic, Pioneer, Honda e Yamaha. Mais recentemente, em 2013, foi aprovado o projeto de implantação da maior fabricante de aparelhos de ar-condicionado do mundo no PIM, a Daikin do Amazonas, com investimentos superiores a R$ 250 milhões Para se ter uma ideia do montante, os Estados Unidos são a segunda nação que mais investiu no setor fabril amazonense no mesmo período, no entanto, os investimentos americanos representam pouco mais que a metade dos investimentos japoneses: 21,19% -também com 38 empresas. Em seguida aparecem os Países Baixos, França e Coreia do Sul todos com participação inferior a 7%.

Ainda segundo os dados da Suframa, os investimentos japoneses no PIM, que foram de US$ 1,9 bilhão em 2008, vêm crescendo ano após ano. De lá para cá, o ápice da relação comercial entre o Amazonas e o País Do Sol Nascente aconteceu em 2010, quando foram investidos mais de US$ 3,28 bi. A exceção, no entanto, aconteceu em 2011, após anos de curva ascendente, quando houve uma queda em relação ao ano anterior por conta dos impactos após a quebra do Lehman Brothers e a crise do Subprime.

Devem aumentar

Citando o pioneirismo das empresas do Japão na ZFM, o ex-presidente da Câmara de Comércio e Indústria Nipo-brasileira do Amazonas Teruaki Yamagishi explicou que o nível de investimentos do país asiático sofreu uma redução a partir de 2008, devido à crise econômica mundial, que teve início nos Estados Unidos. Apesar disso, ele se mostra otimista em relação à retomada dos projetos de implantação das empresas japonesas no Amazonas. O otimismo de Teruaki se baseia principalmente nos índices de faturamento das empresas japonesas no Estado e pelo nível de mão de obra que elas empregam. Segundo ele, nos últimos 15 ou 20 anos as empresas japonesas faturaram 25% do total do faturamento do PIM.

Já em relação ao nível de empregos, as empresas nipônicas são responsáveis pela contratação de 18% a 20% do total da mão de obra do polo. “Para Manaus acredito que esses investimentos ainda de verão crescer. Isso não é uma coisa temporária; esses investimentos vão continuar ao longo dos próximos 50 anos. Várias empresas já estão procurando a Zona Franca. Isso significa que novas empresas japonesas irão chegar a Manaus nos próximos anos”, garantiu o consultor em referência à prorrogação do modelo Zona Franca.

Para o gerente de Relações Institucionais da Moto Honda da Amazônia, Mário Okubo, não são só as empresas asiáticas que saem beneficiadas com a presença no parque industrial manauara. Na opinião dele, Estado também é beneficiado com a contrapartida à renúncia fiscal promovida pela indústria. “Além do desenvolvimento regional, geramos emprego e renda, através dos Incentivos Fiscais tanto Federal como Estadual concedidos”, avalia Okubo.

Crise em duas rodas

Questionado se a atual crise no setor de duas rodas poderia afetar o interesse estrangeiro pelo parque fabril de Manaus, Teruaki enfatizou que não se trata de um problema localizado, mas sim consequência da política econômica nacional e descartou possíveis quedas. “Os investidores do mundo inteiro estão assustados com a situação atual do Brasil. Mas já passamos por muitas crises e cada vez superamos e passamos para o desenvolvimento. De modo geral, as empresas japonesas têm confiança na Zona Franca de Manaus, por isso acredito que essa crise não irá diminuir o nível dos investimentos”, opinou.

Da mesma maneira, Mário Okubo também reiterou a confiança do empresariado no futuro da proveitosa parceria entre o Japão e o Amazonas, atribuindo às dificuldades de crédito o momento delicado que o setor vive atualmente. “A Crise não tem nada a ver com o modelo. O modelo é um sucesso, mas passamos por uma recessão econômica, onde o nosso polo de duas rodas foi atingido pelo fato de ter aumentado a inadimplência dos financiamentos, fazendo com que as Financeiras passassem a ter uma análise mais criteriosa na liberação do financiamento”, explicou.

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