Jovens tendem a querer transar ao ver que colegas são sexualmente ativos

De acordo com pesquisa, a famosa ‘pressão’ é o que menos influencia os adolescentes

O DIA | BEATRIZ SALOMÃO

Rio – É a ‘rodinha de amigos’ que define roupa, corte de cabelo e artista preferido do adolescente. Agora, estudo americano mostra que o comportamento sexual também é influenciado pelos colegas. E a regra é a mesma para meninos e meninas.

Adolescentes tendem a querer iniciar vida sexual ao saber que colegas são sexualmente ativos

Foto:  Agência O Dia

Para chegar a esta conclusão, pesquisadores da Universidade de Utrecht e do Instituto de Psiquiatria de Nova York analisaram 58 estudos envolvendo 69.638 adolescentes, de 15 países, entre 11 e 18 anos. Segundo a publicação, divulgada no início do mês, os jovens terão mais inclinação a fazer sexo se veem os colegas como sexualmente ativos e como favoráveis à prática sexual. A famosa ‘pressão’ dos amigos é um outro fator.

“Os resultados mostram que as três questões influenciam. Mas, para os adolescentes, aquilo que eles pensam que os colegas fazem é o que mais conta. Os que acham que os amigos fazem sexo são mais propensos a fazer”, disse a pesquisadora responsável, Daphne van de Bongardt, acrescentando que a aprovação e a pressão dos colegas também influenciam, porém menos.

Foram analisadas as ações de amigos próximos, colegas de escola e conhecidos de outros locais. O primeiro grupo foi o mais influente, segundo a pesquisa. Para Daphne, os resultados ajudam responsáveis, professores e profissionais de saúde a entenderem as diferentes formas com que amigos interferem na vida sexual.

Segundo a pesquisadora, apesar de muitos adultos pensarem que a pressão dos colegas é o maior risco, a pesquisa mostrou que é o menor. “Para os adolescentes, se outros colegas fazem, vale a pena fazer também”, cita.

As aulas de Biologia mostram que é praticamente impossível separar sexualidade e adolescência. “Mudanças biológicas e efeitos hormonais determinam o comportamento sexual nessa fase de forma violenta e constante”, lembra Alexandre Saadeh, especialista em transtornos de sexualidade do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo.

Para ele, se o grupo em que o jovem está inserido apresenta comportamento opositor, impulsivo e não avalia adequadamente os riscos, a influência pode ser negativa e o comportamento sexual, de risco. “Quanto mais jovem o adolescente, mais suscetível de ser influenciado; quanto mais velho, menos”, aponta.

Importância de um modelo

Fábio Barbirato, psiquiatra e chefe da Psiquiatria Infantil da Santa Casa de Misericórdia do Rio, lembra que é normal a formação de grupos na adolescência e o esforço para ‘fazer parte da turma’. Porém, diz ele, a influência dos responsáveis não pode ficar em segundo plano.

“É ruim não ter modelos na família. Nesse caso, o adolescente repete comportamentos de outros adolescentes que não têm experiência de vida”, diz.

Sobre gravidez na adolescência, ele afirma que as consequências são para mãe e para criança. Barbirato lembra que a menina ainda não tem estrutura física para uma gestação e pode sofrer um parto prematuro. Além disso, muitas vezes, são os avós que cuidam do pequeno, o que pode gerar ‘confusão’ na cabeça da criança. “A mãe abrirá mão de muitas coisas na vida, o que não é bom”.

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