Dívida pública da França ultrapassa pela primeira vez € 2 trilhões

O primerio ministro, Manuel Valls, e o ministro da Economia, Emmanuel Macron.

O primerio ministro, Manuel Valls, e o ministro da Economia, Emmanuel Macron.

REUTERS/REUTERS/Axel

A dívida pública da França passou pela primeira vez do nível simbólico de € 2 trilhões no final do segundo trimestre do ano. A informação é mais um novo duro golpe para a imagem do governo socialista que deverá apresentar nesta quarta-feira (1) o orçamento do país para 2015.

A soma das dívidas do Estado, da Seguridade Social e das coletividades locais, atingiram no final de junho o montante recorde de €2,023 trilhões, afirmaram nesta terça-feira (30) o Instituto Nacional de Estatísticas (Insee) e outros estudos econômicos feitos no país.

Esse valor significa que o déficit público francês praticamente dobrou em uma década: no final de junho de 2004, a dívida bruta do país era de € 1,01 trilhão. Depois da publicação dos dados do Insee, o governo reagiu dizendo ter herdado essa dívida galopante.

O ministério das Finanças lembrou que a dívida pública já havia dobrado entre 2002 e 2012, passando de € 930 milhões a €1,860 trilhão, sendo € 600 milhões entre 2007 e 2012, ou seja, durante o governo do conservador Nicolas Sarkozy.

Curva acelerada

A curva da dívida francesa mostra uma grande aceleração a partir do final de 2007 por causa das crises financeira e econômica. A relação entre a a dívida pública e o PIB atingiu 95,1%no final do segundo trimestre, ou seja, 1,1 ponto a mais do que no trimestre anterior. Em suas recentes previsões, o governo francês havia projetado chegar a este montante da dívida apenas no final do ano.

Em um contexto de crescimento fraco e inflação baixa, o ministério francês da Economia prevê um déficit público de 4,4% do PIB este ano, após ter registrado 4,2% no ano passado. O orçamento da França para 2015 prevê um déficit de 4,3% do PIB em 2015.

Portugal revê para cima sua dívida

O governo português reviu para cima sua previsão de déficit público para 2014 que vai atingir 4,8% do PIB ao invés de 4%, como projetado anteriormente. A revisão do déficit, anunciada nesta terca-feira (30) pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE), se deve principalmente à passagem ao novo sistema europeu de contas (SEC 2010) que levou o país a projetar em seu orçamento as dívidas de determinadas empresas públicas.

O déficit vai atingir € 8,33 bilhões, sendo €1,3 bilhão relacionado ao financiamento de várias empresas de transportes, o que corresponde a 0,74% do PIB.

Portugal, que no mês de maio deixou de receber recursos do programa de ajuda internacional, se comprometeu a fixar seu déficit público em 4% do PIB este ano e 2,5% no ano que vem, segundo os antigos objetivos fixados pelas regras europeias.

A entrada em vigor de novas normas permitiu ao país corrigir para baixo sua previsão para a dívida pública que deverá, a partir do novo cálculo, atingir 127,8% do PIB em 2014 contra 130,9% previsto inicialmente.

Brasil é o 3° país com maior número de jornalistas mortos na América Latina

O jornalista cinegrafista da TV Bandeirantes Santiago Ilídio Andrade foi morto durante as manifestações populares de 2013 no Rio de Janeiro..

O jornalista cinegrafista da TV Bandeirantes Santiago Ilídio Andrade foi morto durante as manifestações populares de 2013 no Rio de Janeiro..

REUTERS/Andre Mourao/Agencia O Dia

Em um estudo divulgado nesta terça-feira (30), a ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF) afirma que o Brasil foi o terceiro país que mais registrou mortes de jornalistas na América Latina, com 38 assassinatos entre 2000 e 2014. O país só perdeu para o México, primeiro colocado com 81 profissionais da imprensa mortos, e a Colômbia, que registrou 56 casos de vítimas fatais.

A ONG francesa contabilizou um total de 202 jornalistas mortos nos últimos 14 anos, somando os casos do México, Colômbia, Brasil e Honduras que ficou em quarto na classificação com 27 assassinatos, cometidos principalmente depois do golpe de Estado de 2009.

A lista inclui jornalistas, blogueiros, comunicadores sociais e colaboradores de veículos de mídia. Segundo a RSF, a morte deles tem uma “relação evidente ou possível com suas atividades profissionais” e, na maioria dos casos, a motivação exata do crime continua desconhecida.

“As investigações, quando são abertas, patinam e, geralmente, são travadas por autoridades corrompidas”, afirma a ONG no seu comunicado.

“Normalmente, os jornalistas são vítimas de sua vontade de denunciar a ingerência, as violações de direitos humanos, o crime organizado e a corrupção”, escreveu a Repórteres Sem Fronteiras.

Crimes impunes

A ONG também denuncia em seu relatório que quase todos os crimes de jornalistas ficam impunes devido à falta de vontade política e da falta de eficiência do sistema judiciário.

“Esse crimes tornam-se ainda mais preocupantes porque nenhum desses países está oficialmente em guerra, apesar da presença contínua de paramilitares na Colômbia ou diante da ofensiva federal contra os cartéis da droga durante a presidência de Felipe Calderón (no México)”, escreveu a ONG.

Fatos marcantes no Brasil

Em seu documento, a ONG diz que “os traficantes e os coronéis impõem um regime de terror aos jornalistas no Brasil”. Um infográfico apresentado pela Organização mostrou os fatos marcantes do período pesquisado, entre 2000 e 2014.

Em 2002, quando Lula assumiu a presidência da República, a Repórteres Sem Fronteiras constatou que o crescimento demográfico e industrial no interior do país foi acompanhado por uma alta do índice de violência e da corrupção.

Em 2013, a ONG afirma que os jornalistas brasileiros foram alvo durante as manifestações populares que sacudiram o país. No ano seguinte, a RSF constatou que durante a Copa do Mundo e com a proximidade das eleições gerais, a mídia se polarizou, refletindo o que aconteceu com a própria sociedade brasileira.

Crime por homofobia, no Brasil, é 80 vezes maior do que no Chile

A chance de um LGBT ser assassinado aqui é 80 vezes maior que no Chile, explicou o antropólogo Luiz Mott, um dos pioneiros do movimento no país

Agência Brasil

30/09/2014

Enquanto no Chile, onde a população total é de quase 18 milhões de pessoas, ocorreram quatro assassinatos de transexuais, travestis, lésbicas, bissexuais ou gays no ano passado, no Brasil, com mais de 200 milhões de habitantes, o número foi de 313 homicídios, segundo levantamento feito pelo Grupo Gay da Bahia (GGB). “Comparei esses índices e vi que a chance de um LGBT ser assassinado aqui é 80 vezes maior”, explicou o antropólogo Luiz Mott, um dos pioneiros do movimento no país.

Mott é o responsável pela pesquisa feita há mais de dez anos e baseada em notícias divulgadas pela imprensa e denúncias coletadas principalmente em cidades do interior do país, onde as estruturas de garantia de direitos humanos é mais precária. Segundo ele, 44% dos casos de homofobia letal identificados em todo o mundo ocorrem em território brasileiro.

Só no último mês foram registradas 16 ocorrências. De janeiro até hoje, foram 218 mortes de LGBT no país, dos quais 71 por tiros, 70 a facadas, 21 espancados, 20 por asfixia, 11 a pauladas e seis apedrejados, entre outros.

Apesar dos números apontarem que a maior parte dos casos envolvem gays (124), Mott explicou que os transexuais são, proporcionalmente, os mais afetados pelos crimes. “Enquanto os gays representam 10% da população, cerca de 20 milhões, as travestis não chegam a 1 milhão e têm número de assassinatos quase igual ao de gays”. Este ano, 84 travestis foram assassinadas, número bem superior ao de lésbicas (5) e bissexuais (2).

“Nunca se matou tantos gays e, sobretudo, lésbicas, que teve um número muito maior de assassinatos do que em anos anteriores”, lamentou Mott. Ele acredita que a única forma de redução de ocorrências fatais seria a criminalização da homofobia. Luiz Mott ressaltou que há um Brasil cor-de-rosa das paradas gays e um Brasil vermelho “que pode ser representado pelos crimes e por amostras dadas por pessoas públicas como [o candidato à Presidência da República] Levy Fidelix (PRTB). Se ele tivesse falado metade do que disse sobre negros já estaria preso”, destacou.

Fidelix declarou em um debate na TV Record, no domingo (28), que homossexuais precisam de atendimento psicológico e comparou a homossexualidade à pedofilia. Desde que a declaração foi feita, quase 3 mil denúncias de violação dos direitos da populac a o de transexuais, travestis, le sbicas, bissexuais e gays foram registradas pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) por meio de números como o Disque 100 e o Ligue 180, segundo assessoria de imprensa do órgão. A reportagem da Agência Brasil tentou contato com os responsáveis pela estatística, mas até o fechamento da matéria não foram indicados nomes que pudessem comentar os números e por que foi feita a relação entre a declaração do candidato e o volume de denúncias.

No Congresso Nacional, tramita, desde 2006 um projeto que altera a Lei 7.716, de janeiro de 1989, que trata dos crimes de preconceito de raça ou de cor, criminalizando a homofobia e incluindo a prática na lei. O texto está na Comissão de Constituição e Justiça do Senado desde o final do ano passado aguardando votação.

No cenário internacional, o Brasil liderou, ao lado de Uruguai, Chile e Colômbia, uma resolução que foi aprovada na semana passada pela Organização das Nações Unidas (ONU), estabelecendo que a entidade apresente um estudo sobre as violações contra homossexuais ocorridas no mundo. Essa resolução é um segmento de uma outra apresentada em 2011 sobre o mesmo tema”, explicou Camila Asano, coordenadora de Política Externa da organização não governamental Conectas Direitos Humanos, que desde janeiro de 2006, tem papel consultivo na organização.

Segundo ela, depois da apresentação do primeiro estudo sobre casos de violência, elaborado pela ONU, o tema perdeu espaço nas discussões da organização. Para Camila Asano, a nova resolução é uma maneira de assegurar as conquistas de três anos atrás. “Os grandes feitos dessa resolução, que o Brasil foi líder junto com a África do Sul, foram reconhecer como direito humano a orientação sexual e a identidade de gênero e de condenar a violência e a discriminação”, explicou.

A coordenadora da Conectas, que acompanhou as negociações na reunião deste ano, em Genebra, lembrou que a diplomacia brasileira precisou redobrar esforços para aprovar o texto que foi aprovado num placar de 25 votos favoráveis, 14 contrários e sete abstenções. “A resolução acabou gerando uma ira muito forte de países conservadores, como alguns africanos que criminalizam os homossexuais, como os islâmicos. O Brasil teve que usar de toda sua capacidade e vantagem diplomática para fazer a negociação e fazer com que o texto fosse aprovado. É uma vitória histórica”, disse.

Colonos israelenses se apoderam de 25 apartamentos em Jerusalém Oriental

A polícia afirmou que ocorreram confrontos quando um palestino quis entrar em um dos edifícios que, segundo ela, foi comprado pelo Elad, uma organização nacionalista israelense cujo objetivo declarado é reforçar a presença judaica nos bairros árabes de Jerusalém Oriental

France Presse

30/09/2014

Jerusalém – Colonos israelenses se apoderaram à força nesta terça-feira (30/9) de 25 apartamentos em Jerusalém Oriental, a parte da cidade ocupada e anexada por Israel, indicaram habitantes e líderes palestinos, mas os novos ocupantes disseram tê-los comprado legalmente. Posteriormente foram registrados confrontos entre palestinos e colonos no bairro de Silwan, onde os apartamentos se localizam. Os confrontos são frequentes neste setor, próximo à Esplanada das Mesquitas.

Mohamed al Khayat disse à AFP que os colonos entraram no amanhecer em três apartamentos da família deste palestino que não estavam ocupados. “Quebraram as fechaduras e colocaram outras novas”, declarou Khayat. A polícia afirmou que ocorreram confrontos quando um palestino quis entrar em um dos edifícios que, segundo ela, foi comprado pelo Elad, uma organização nacionalista israelense cujo objetivo declarado é reforçar a presença judaica nos bairros árabes de Jerusalém Oriental.

O Elad afirmou à AFP que estes apartamentos não eram seus e reconheceu que vários de seus membros formavam parte dos voluntários que os ocuparam nesta terça-feira (30/9). O Elad informou que a sociedade Kendall Finance comprou estes apartamentos dos palestinos.

O advogado dos moradores palestinos, Mohamed Dahla, disse que estes últimos nunca venderam seus apartamentos. Segundo este advogado, Kendall Finance é um “testa de ferro” do Elad. O porta-voz da presidência palestina, Nabil Abu Rudeina, condenou “a ocupação por parte de colonos das casas de Silwan, perto da mesquita Al-Aqsa, com o apoio do exército israelense”, indicou a agência oficial Wafa.

Além dos 360 mil colonos israelenses que vivem na Cisjordânia, há cerca de 200.000 nas zonas de colonização de Jerusalém Oriental, onde também vivem 290 mil palestinos. A comunidade internacional considera ilegais todas as colônias nestes territórios palestinos ocupados em 1967.

Assad: Aqueles que ‘propagaram terrorismo’ não podem vencer jihadistas

Presidente declarações durante uma coletiva de imprensa em Damasco ao lado de Ali Shamkhani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã

France Presse

30/09/2014

Damasco – Os países que “propagaram o terrorismo” não podem derrotar os extremistas, declarou nesta terça-feira (30/9) o presidente sírio, Bashar al-Assad, que denunciou o que considera “uma agenda oculta” dos Estados Unidos no Oriente Médio. “Combater o terrorismo não pode ser feito por esses países que ajudaram a criar grupos terroristas dando apoio logístico e financeiro, e espalhando o terrorismo em todo o mundo”, disse o presidente sírio, citado pela agência de notícias oficial Sana.

Assad fez essas declarações durante uma coletiva de imprensa em Damasco ao lado de Ali Shamkhani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, que chegou nesta terça-feira na Síria. Os dois líderes consideraram que os Estados Unidos abordam a questão da luta contra os extremistas “com agendas ocultas que não servem aos povos da região”, segundo a Sana.

Damasco chama de “terroristas” todos os movimentos que tentam derrubar o regime, incluindo os rebeldes moderados apoiados pelos Estados Unidos e outros membros da coalizão anti-jihadista, entre eles os países do Golfo. O regime de Assad acredita que os ataques aéreos em seu território realizados pela coalizão liderada pelos Estados Unidos não podem ser bem sucedidos se a missão não incluir a Síria e o Irã.

Califórnia é o primeiro estado a proibir sacolas plásticas nos EUA

A medida, aprovada no começo de setembro pelo Parlamento da Califórnia, permitirá às lojas cobrar 10 centavos pelo uso de sacolas de papel ou reutilizáveis

France Presse

30/09/2014

Los Angeles – A Califórnia se tornou, nesta terça-feira (30/9), o primeiro estado americano a proibir o uso de sacolas plásticas descartáveis, depois que o governador democrata Jerry Brown promulgou a lei. A medida vai entrar em vigor em 1º de julho de 2015 em supermercados e farmácias e no prazo de um ano em lojas e estabelecimentos de venda de bebidas alcoólicas.

“Esta lei é um passo rumo à boa direção: reduzirá a enorme quantidade de plástico que contamina nossas praias, nossos parques e uma grande parte dos oceanos”, disse Brown, citado em um comunicado. “Somos os primeiros a proibir estas bolsas, mas não seremos os últimos”, afirmou o político democrata.

A medida, aprovada no começo de setembro pelo Parlamento da Califórnia, permitirá às lojas cobrar 10 centavos pelo uso de sacolas de papel ou reutilizáveis. Cerca de 120 cidades californianas, entre elas Los Angeles e San Francisco, já tinham aprovado iniciativas similares para reduzir os dejetos plásticos e proteger o meio ambiente.

O partido republicano se opôs ao projeto, ao alegar que vai afetar as pequenas e médias empresas, enquanto os fabricantes asseguraram que provocará a perda de postos de trabalho. A lei contempla a liberação de até 2 milhões de dólares em empréstimos gerenciados pela empresa estatal CalRecycle para estabelecimentos que ofereçam bolsas reutilizáveis.

Presidente da OAB-DF nega registro da carteira de advogado de Barbosa

Motivo teria sido o entendimento da Ordem de que o ex-presidente do STF “feriu a ética profissional”

Correio Brailiense | Eduardo Militão

30/09/2014

Polêmica ocorre após críticas do então ministro à categoria profissional dos advogados (Breno Fortes/CB/D.A Press)
Polêmica ocorre após críticas do então ministro à categoria profissional dos advogados

Por supostamente não possuir “idoneidade moral”, o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa teve seu pedido de registro de advogado negado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Distrito Federal. A entidade informou ao Correio, na tarde desta terça-feira (30/9), que os motivos incluem críticas críticas do então ministro à categoria profissional dos advogados.

A negativa foi dada pelo presidente da OAB-DF, Ibaneis Rocha Barros Junior, na sexta-feira passada (26/9). Joaquim Barbosa ainda pode tornar-se advogado. Ele pode recorrer à Comissão de Seleção da OAB local.

A relação de Barbosa com os advogados é tensa há muito tempo. Foram vários episódios em que a OAB se indispôs com o ex-ministro. A decisão de Ibaneis começca com uma declaração feita uma sessão de desagravo contra ele em 10 de junho passado.  “O desapreço do Excelentíssimo Sr. Ministro Presidente do Supremo Tribunal Federal pela advocacia já foi externado diversas vezes e é de conhecimento público e notório”, afirmou o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, no texto reproduzido na decisão.

Ao final, Ibaneis cita a lei que criou o Estatuto da Advocacia como motivo para negar registro a Joaquim Barbosa. Segundo ele, é necessário rejeitar o pedido de inscrição do ex-presidente do STF porque ele “não atende aos ditames do art. 8º da Lei nº 8.906/94 (Estatuto da Advocacia e OAB), notadamente a seu inciso VI”. O texto citado diz que, “para inscrição como advogado, é necessário (…) idoneidade moral”, entre outros requisitos.

Procurado pela reportagem, Joaquim Barbosa preferiu não comentar o assunto, pelo menos até o meio da tarde de hoje.

Estado Islâmico vende antiguidades iraquianas no mercado negro para se financiar

Por John Irish

PARIS (Reuters) – Artefatos iraquianos antigos estão surgindo no mercado negro à medida que militantes do Estado Islâmico usam intermediários na venda de tesouros inestimáveis para financiar suas atividades depois de dominar o norte do país, afirmaram autoridades iraquianas e ocidentais.

Os militantes adquiriram alguma experiência com antiguidades depois de assumirem o controle de grandes partes da Síria, mas quando capturaram a cidade de Mossul, no norte do Iraque, e a província de Nínive, em junho, tiveram acesso a quase dois mil dos 12 mil sítios arqueológicos registrados do país.

A Mesopotâmia, parte do Iraque atual, foi uma das primeiras civilizações. Seu nome significa “entre os rios” em grego, uma referência aos rios Tigre e Eufrates, que tornaram a região um epicentro de agricultura e comércio e uma encruzilhada de civilizações.

Lugar onde ficavam as antigas Nínive e a Babilônia, cujos jardins suspensos eram uma das sete maravilhas do mundo antigo, a área foi o lar dos sumérios, que deram ao mundo a escrita cuneiforme – a mais antiga forma de escrita ocidental – aproximadamente em 3.100 a.C.

Discursando em uma conferência da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco, na sigla em inglês) em Paris, para alertar sobre o risco para a herança cultural iraquiana, Qais Hussein Rasheed, responsável pelo Museu de Bagdá, disse que grupos organizados estão atuando em coordenação com o Estado Islâmico.

“É uma máfia internacional de artefatos”, declarou aos repórteres. “Eles identificam os itens e dizem o que podem vender”. Como algumas das peças têm mais de dois mil anos, é difícil saber seu valor exato.

Citando autoridades locais ainda em áreas dominadas pelo Estado Islâmico, Rasheed afirmou que o maior exemplo de pilhagem até agora ocorreu no grande palácio de Kalhu do rei assírio Assurbanípal II, do século nove a.C.

“Tábuas assírias foram roubadas e encontradas em cidades europeias”, disse ele. “Alguns destes itens são cortados e vendidos em partes”.

Outra autoridade iraquiana, que não quis se identificar, disse que os artefatos também estão sendo escavados, e que países vizinhos como Jordânia e Turquia precisam fazer mais para evitar que tais peças cruzem as fronteiras.

“As coisas estão passando por nossas fronteiras e indo parar em casas de leilões no exterior”, afirmou. “Infelizmente, muito do lucro destes artefatos será usado para financiar o terrorismo”.

Um diplomata ocidental declarou ser cedo demais para avaliar exatamente quantos tesouros iraquianos atravessaram as fronteiras.

“Vimos centenas de milhões de dólares em peças sírias surgirem depois que seus sítios foram saqueados, então é razoável esperar o mesmo do Iraque”, disse.

O evento da Unesco, que reuniu diplomatas, autoridades iraquianas e especialistas na herança cultural iraquiana, acontece antes da assembleia geral da entidade, na qual a França irá apresentar uma resolução para chamar a atenção dos países-membros e criar uma missão para ajudar o Iraque a avaliar os danos.

Grã Betanha convocará embaixador chinês para explicar situação em Hong Kong

O governo britânico anunciou nesta terça-feira que convocará o embaixador da China para pedir explicações pela situação em Hong Kong, antiga colônia britânica, onde milhares de pessoas exigem maior democracia de Pequim.

“Convocarei o embaixador chinês para expressar minha consternação e choque pela maneira como as autoridades de Pequim parecem decididas a negar ao povo de Hong Kong o que ele tem todo o direito de esperar, que são eleições livres, justas e abertas”, declarou à imprensa o vice-primeiro-ministro britânico, Nick Clegg.

Horas antes, o primeiro-ministro David Cameron disse que estava profundamente preocupado com os protestos em Hong Kong e lembrou que a China se comprometeu a preservar a democracia na antiga colônia britânica quando a transferência de soberania foi acordada.

O Reino Unido cedeu Hong Kong em 1997 sob um acordo que criou o princípio de “um país, dois sistemas”, que faria com que a China, um regime comunista, preservasse o sistema capitalista e o modo de vida da antiga colônia ao menos até 2047.

Quando em uma entrevista à rede de televisão Sky News foi perguntado se estava particularmente preocupado com os protestos de milhares de pessoas que exigem de Pequim uma democracia verdadeira, Cameron respondeu: “É claro, sinto uma grande obrigação”.

“Quando alcançamos um acordo com a China havia detalhes no acordo sobre a importância de dar ao povo de Hong Kong um futuro democrático sob a égide dos dois sistemas”, sustentou.

“Então efetivamente estou profundamente preocupado pelo que está ocorrendo e espero que se resolva”, explicou.

Os manifestantes exigem em particular um sufrágio universal sem restrições e rejeitam que nas eleições de 2017 Pequim mantenha o controle sobre os candidatos a chefe do governo local.

As autoridades chinesas chamaram as manifestações de ilegais.

Diretora do Serviço Secreto diz que invasão da Casa Branca é inaceitável

A diretora do Serviço Secreto americano se responsabilizou nesta terça-feira pelas falhas de segurança na Casa Branca, afirmando que a recente invasão de um homem com uma faca é inaceitável, e que isso não voltará a ocorrer.

“Isto é inaceitável. Assumo toda a responsabilidade e isso não voltará a acontecer”, declarou Julia Pierson aos legisladores preocupados com a série de falhas na segurança da mansão presidencial em Washington.

Pierson, que assumiu o cargo da agência de elite em março de 2013 depois de décadas como funcionária do Serviço Secreto, disse que ordenou uma investigação a fundo como um veterano do exército americano, Omar Gonzalez, de 42 anos, conseguiu chegar até o Salão Cerimonial East Room da Casa Branca antes de ser detido.

Ela destacou que o Serviço Secreto teve uma “cota de desafios” nos últimos anos, aludindo a uma série de escândalos sobre a falta de segurança.

Pierson levou uma reprimenda do presidente do comitê de segurança, Darrell Issa, que atacou o Serviço Secreto por sua “história de má conduta e fracassos na seguranças nos últimos tempos”.

mlm/jm/llu/cd/cn