Dieta mediterrânea reduz doenças renais em 50%

Agência ANSA

A dieta mediterrânea protege a saúde dos rins, quem segue fielmente este tipo de alimentação pode evitar doenças renais crônicas, revela um estudo médico norte-americano. Este tipo de dieta reduz o risco de ter doenças renais crônicas em 50% e evita danificar a funcionalidade dos rins em 42%, revela a pesquisa realizada por especialistas da Columbia University Medical Centers.

O estudo, realizado com 900 pessoas que foram acompanhadas por sete anos, busca encontrar soluções para a epidemia de doenças renais que atinge 20 milhões de norte-americanos. “Adotar a dieta mediterrânea significa consumir regularmente mais fruta, verdura, peixe, legumes e gorduras poliinsaturadas e reduzir as carnes, alimentos em lata, alimentos industrializados e doces”, explicam os pesquisadores.

Não existem “alimentos mágicos, mas é necessário ter uma maior disciplina na escolha do que se coloca na mesa e o que se come fora de casa, destinando o consumo de doces apenas em ocasiões especiais”, destacam os especialistas.

A pesquisa foi publicada na revista científica “Clinic Journal of the Americn Society of Nephrology”.    A dieta mediterrânea consiste basicamente em um maior consumo de verduras, legumes, frutas frescas, nozes e cereais, queijos magros, azeite extra-virgem, peixes e uma taça de vinho tinto por dia.

Um estudo espanhol já revelou que este tipo de dieta também reduz o risco de desenvolver doenças cardiovasculares em 30%.

Delação premiada: degradação do Direito

Jornal do Brasil | Dalmo de Abreu Dallari *

A partir da década de noventa ganhou enorme prestígio e foi transformado em personagem, atuando e sendo reconhecido como auxiliar da Polícia, do Ministério Público e da Magistratura, o delinquente confesso que, espertamente, com o objetivo de escapar à punição de seus crimes ou de, pelo menos, atenuar muito a punição merecida e legalmente prevista, assume a condição de delator premiado. Criminoso confesso, denunciado, indiciado em inquérito ou réu em processo criminal, ele se oferece e é acolhido como colaborador dos órgãos incumbidos de promover sua punição e passa a atuar como um agente auxiliar das autoridades, na identificação e prisão de seus companheiros de delinqüência, se estes também não se converterem em delatores premiados.

Essa promoção do delinquente a agente público informal ocorreu a partir da Lei 8072, de 1990, rotulada de “lei dos crimes hediondos”. Por essa lei ficou estabelecido que, no caso de crime cometido por bando ou quadrilha, o membro do grupo criminoso que denunciar os companheiros e colaborar com as autoridades para a libertação de um sequestrado ou para o desmantelamento da associação criminosa terá reduzida sua pena, de um a dois terços. Nessa linha vieram outras leis, estimulando os criminosos a traírem os companheiros de delinqüência em troca de um benefício, que, dependendo do crime e das circunstâncias, poderá ser a diminuição da pena, o cumprimento da pena em regime mais favorável, a extinção da pena e até o perdão judicial.

A partir do momento em que adota a posição de delator, o criminoso passa a receber um tratamento privilegiado. Muito provavelmente, há casos em que um indivíduo se junta a outros para a prática de um crime, sem qualquer respeito pelos valores e normas da ética ou do Direito. Se tudo correr conforme as conveniências do bando criminoso ele será um dos beneficiários da ação criminosa. Se, pelo contrário, a ação criminosa for mal sucedida e ocorrer a ameaça de prisão ou a prisão efetiva dos membros da quadrilha esse personagem, que já participou da ação criminosa, muda o seu comportamento e assume a postura de auxiliar das autoridades públicas, dando contribuição para o desmantelamento da quadrilha e a punição dos seus companheiros de crime. E assim obtém uma situação mais vantajosa quanto à punição do crime que praticou.

Basta isso para que se perceba como é, pelo menos, altamente duvidoso o benefício da sociedade pela concessão de favores ao delator premiado. Do ponto de vista ético é, pelo menos, muito estranho que as autoridades encarregadas de proteger a sociedade das ações antiéticas e antijurídicas, que prejudiquem determinadas pessoas ou toda a ordem social, estimulem um comportamento antiético do criminoso para assim terem facilitada sua tarefa de impedir ações criminosas e punir delinqüentes. A par disso, embora nas leis que concedem o benefício da delação premiada haja referência à ação “voluntária” do delator, haverá muitas situações em que a vontade de delatar será decorrente de uma situação de coação ou do temor de um tratamento mais severo ou uma punição mais pesada. Além disso, como já tem sido observado por juristas e profissionais da área jurídica, a avaliação dos benefícios da delação, para justificar um prêmio ao delator, fica dependente, entre outros fatores, das circunstâncias pessoais do policial, membro do Ministério Público ou Magistrado que faz a avaliação da contribuição dada pelo delator.

Nos últimos tempos, por motivação político-eleitoral mais do que óbvia, vários setores da imprensa deram grande destaque a criminosos confessos que acusaram personalidades públicas, explorando os termos de uma delação, embora esta, por exigência legal, deva ser sigilosa, até mesmo para evitar que falsas delações acarretem graves prejuízos, de várias espécies, às vítimas de uma delação que não corresponda à verdade e que tenha sido inventada por alguma conveniência do delator. Na realidade, várias vezes foi divulgada pela imprensa uma acusação a determinada pessoa, com a observação de que o delator “afirmou, em delação premiada”, o que deixa evidente que está havendo uma grave distorção dessa prática de duvidosa conveniência, pois alguma autoridade pública, por motivos que podem ser os mais diversos,  não conseguiu resistir à tentação de dar publicidade à delação .

Uma simples reflexão sobre a delação feita por um criminoso e suas conseqüências já permite concluir que o uso desse artifício para o combate ao crime e o desmantelamento de bandos criminosos pode facilitar e ajudar as autoridades encarregadas de impedir o crime e punir criminosos de algumas espécies, mas, além de agredir preceitos básicos da ética e do Direito, essa prática  gera insegurança jurídica, pois pessoas inocentes poderão ter seu nome envolvido numa delação mal formulada ou poderão ser vítimas de uma apresentação distorcida de suas atividades, com repercussão pública negativa e altamente prejudicial. É necessário e urgente fazer-se uma reavaliação da delação premiada, para excluí-la das práticas legais ou, pelo menos, para disciplinar com mais rigor sua utilização, em benefício da sociedade.

* jurista

Acusação de Accioly contra mulher é recriminada pela classe política

Empresário acusou cidadã de distribuir material apócrifo contra Aécio e acabou recebendo multa

Jornal do Brasil

“Um ato truculento, digno da vítima tomar providências”. Assim o deputado federal Paulo Teixeira (PT/SP) classificou a atitude do empresário Alexandre Accioly, que acusou uma mulher de distribuir material apócrifo contra o candidato tucano à Presidência, Aécio Neves, e ainda chamou a Polícia Militar para encaminhar a cidadã para a delegacia mais próxima. O episódio aconteceu no dia 23 de outubro, vésperas da eleição presidencial, e o “barraco” foi parar na 14a. Delegacia Policial (Leblon), que não pode fazer o registro, pelas acusações do empresário se tratar de suposto crime eleitoral, investigado na esfera da Justiça Eleitoral.

Deputado federal Paulo Teixeira (PT/SP)
Deputado federal Paulo Teixeira (PT/SP)

O deputado considerou que a forma com que Accioly tratou a mulher que estava distribuindo os jornais foi “constrangedora”. Teixeira salientou que o partido da oposição, o PSDB, fez uso de muitos recursos na tentativa de prejudicar a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT). “Esse foi apenas mais um fato dos muitos graves praticados por ele [oposição]”, destacou o deputado.

“Mas o povo não caiu nessas histórias e deu a vitória para Dilma Rousseff. Uma vitória consolidada antes mesmo da eleição”, disse Teixeira, lamentando todos os fatos hostis contra o PT. O presidente da Comissão de Direitos Eleitorais da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro (OAB/RJ), Paulo Cesar Salomão, avalia que o fato aconteceu dias antes da eleição e não pode ser considerado boca de urna. “Nesse período que aconteceu as acusações do empresário, a propaganda ainda podia ser realizada”, esclareceu o jurista.

Alexandre Accioly, que é amigo pessoal e padrinho dos filhos do candidato derrotado Aécio Neves, viu algumas pessoas distribuindo um jornal com o título “Aécio é inimigo do Rio”, e acusou o grupo de pertencer à CUT. O empresário chegou a filmar usando o seu celular a mulher que entregava o folhetim aos pedestres que passavam por uma praça na Zona Sul do Rio de Janeiro. No áudio da gravação, que o empresário divulgou nas redes sociais, ele pergunta para a mulher quem havia pago para ela fazer aquele serviço. Não satisfeito com as acusações, o empresário chamou a Polícia Militar para conduzir a mulher a uma delegacia, alegando que o conteúdo dos jornais era apócrifo.

Delegada titular da 14a. DP, Monique Vidal
Delegada titular da 14a. DP, Monique Vidal

Na 14a.DP, o delegado que estava de plantão, Bruno Oliveira Reis, explicou para o empresário e aos advogados que o acompanhavam, identificados como sendo da defesa do PSDB, que o registro não poderia ser concretizado, já que se tratava de suposto crime eleitoral e devia ser tratado apenas na esfera dos órgãos federais.

Nesta quarta-feira (29), a delegada titular da 14a.DP, Monique Vidal, reforçou que a ocorrência não foi realizada por se tratar de uma denúncia de crime eleitoral, ou seja, fora da atribuição da Polícia Civil. “O empresário foi devidamente informado pela nossa equipe que a sua denúncia compete à esfera federal e não pode ser recebida por uma delegacia, por questões administrativas. Depois disso ele saiu daqui dizendo, inclusive, que foi bem recebido e agradeceu as orientações”, afirmou a delegada.

Empresário pode ser penalizado

Além de não conseguir fazer o registro de ocorrência, Accioly ainda foi multado pelo Policial Militar que ele mesmo chamou para conduzir a mulher para a delegacia. Segundo o delegado Reis, o PM resolveu multar o empresário porque ele parou a sua moto em cima de uma calçada e também estava sem a carteira de habilitação.

Apesar das ameaças do partido tucano e do empresário de prosseguir com as denúncias nas vias jurídicas, o Tribunal Regional Federal e os Ministérios Públicos Estadual e Federal, negaram ter recebido qualquer demanda da equipe do PSDB com relação a esse caso.

“Maníaco” ameaça alunas

Um estudante da própria instituição vem espalhando medo no campus Cuiabá ameaçando universitárias de morte e com práticas imorais

DIÁRIO DE CUIABÁ | GUSTAVO NASCIMENTO

Alunas da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), campus Cuiabá, vêm sofrendo ameaças de morte e assédios, moral e sexual, de um estudante da própria instituição há mais de um ano. O rapaz teria assediado universitária mostrando-lhes o órgão sexual.
De acordo com uma das vítimas, que não quis se identificar, as ocorrências estariam acontecendo dentro do Instituto de Ciências Humanas e Sociais (ICHS) desde de março do ano passado, contudo a situação tem piorado nos últimos meses. Conforme as vítimas, o aluno xinga alunas constantemente. Ele também ameaça jogar um líquido, que supostamente seria ácido, nas estudantes.

Uma das jovens relatou que ele também já mostrou o órgão sexual para ela no meio da universidade. Em outubro, por medo, diversos alunos chegaram a faltar à aula porque o jovem teria afirmado que jogaria uma bomba na sala, contudo nada aconteceu.

Conforme uma das vítimas, que prefere não se identificar, colegas tentaram registrar um boletim de ocorrência (B.O.) na Delegacia Especializada de Defesa da Mulher, mas desistiram quando descobriram que teriam que encarar uma audiência com o suspeito sem nenhuma garantia que ele seria preso, o que aumentava o risco.

Um estudante da UFMT, que não quis ter o nome divulgado, informou que o rapaz sofreria de problemas psiquiátricos, e que por conta disso a direção e a reitoria vinha tratando a situação com descaso.

Os possíveis problemas psiquiátricos desencadearam uma nova discussão entre os alunos do ICHS. Para algumas vítimas, o jovem precisa, acima de tudo, de tratamento urgente.

A direção do ICHS informou que tem tomado medidas preventivas para tentar coibir os atos do estudante.

Entre as medidas, a direção abriu um procedimento administrativo disciplinar para investigar o caso. Uma comissão já teria sido formada para apurar as denúncias e colher os depoimentos das jovens e de outras testemunhas. Caso os incidentes sejam confirmados o estudante poderá ser expulso da universidade.

Conforme investigações prévias da Comissão, o aluno já responderia a outros processos administrativos de outros institutos por condutas semelhantes.

Para evitar novos casos, O ICHS solicitou um reforço na segurança do bloco. Enquanto isso, as alunas também têm sido orientadas a ficar atentas com relação ao estudante.

A Polícia Civil informou que três boletins de ocorrência já foram registrados contra o rapaz este ano. Todos com a mesma característica. Porém, o caso não segue adiante por conta das vítimas desistirem de realizar uma representação formal. Conforme a assessoria, sem a representação, a polícia não tem como abrir inquérito.

A assessoria da UFMT informou que a reitoria ainda não se manifestou oficialmente sobre o caso.

Pilotos são liberados após 40 dias

Os pilotos Evandro Rodrigues e Rodrigo Frais estavam desaparecidos desde o dia 20 de setembro, quando foram sequestrados com o avião de Riva

DIÁRIO DE CUIABÁ| KAMILA ARRUDA

Após 40 dias de cativeiro na Bolívia, o piloto Evandro Rodrigues de Abreu e o copiloto Rodrigo Frais, que atuavam na campanha da candidata derrotada ao governo Janete Riva (PSD), chegaram ontem (30) a Cuiabá. Libertados na última terça-feira (28), eles foram recebidos em clima de muita comoção por familiares e amigos.
Em entrevista ainda no aeroporto, os pilotos narraram como foi o período em que passaram no país vizinho. Eles garantem que em nenhum momento foram maltratados pelos sequestradores.

“Eram dois brasileiros. Somente no rendimento, eles apontaram a arma. Após nós decolarmos, voamos aproximadamente uma hora e já pousamos na Bolívia. A partir daí, tiraram todas as bagagens dos passageiros que estavam na aeronave e devolveram as nossas bagagens. Apenas os nossos celulares e carteira ficaram com eles, que foram devolvidos a nós no próximo dia também. Em nenhum momento fomos maltratados, nem mesmo verbalmente. Ficamos em vários lugares, em mato, casa, rancho, fazenda”, contou Evandro.

Além disso, afirmam que também não chegaram a realizar nenhum tipo de “serviço” para os sequestradores durante o tempo em que permaneceram “presos”. No entanto, reconhecem que a aeronave teria sido roubada para ser usada no transporte de drogas.

“Só fomos com a aeronave em três pistas até chegar aonde eles queriam”, enfatizou o piloto.

Eles foram liberados após um suposto desentendimento entre os sequestradores e o eventual comprador do avião. De acordo com o copiloto, neste momento eles sentiram que poderiam não sair vivos da situação.

“Na verdade, eles liberaram para a gente para sair, mas nós também fomos por conta própria, porque tava começando a ficar um pouco perigoso e nós resolvemos sair por conta própria”, narrou Rodrigo.

Eles foram soltos na região de Santa Rosa, no município boliviano de Guayaramerín. A partir de então, eles seguiram a pé até a sede do município. De lá eles pegaram uma carona até Guajará-Mirim (RO), que faz divisa com a Bolívia.

“Nós caminhamos no primeiro dia por três horas até pegar no sono. E na quarta-feira, caminhamos das três da manhã até umas seis e pouco, que foi quando conseguimos carona. Na hora da nossa saída lá, foi muito arriscado, pois se o pessoal da região soubesse que os pilotos brasileiros estavam sendo liberados eles provavelmente nos pegariam”, pontua.

Após a liberação, os pilotos procuraram a polícia local e, em seguida, entraram em contato com a família e com o deputado estadual José Riva (PSD).

Conforme o delegado Nilton Santana da Silva, eles chegaram à delegacia durante a madrugada muito abatidos e abalados. Ele afirma que não colheu depoimento nem realizou exame de corpo e delito, uma vez que a investigação está sendo realizada em Mato Grosso.

Evandro e Rodrigo pilotavam um avião, de propriedade do deputado, que desapareceu no dia 20 de setembro, em Pontes e Lacerda (440 km a Oeste de Cuiabá), quando participavam de evento de campanha eleitoral da então candidata ao governo do Estado, Janete Riva (PSD).

Justiça espanhola investigará possíveis erros na gestão do Ebola

AFP – Agence France-Presse

31/10/2014

Um juiz de instrução de Madri abriu uma investigação para determinar se as supostamente ineficientes medidas de prevenção teriam posto em perigo a vida das equipes de saúde que tiveram contato com o vírus Ebola, informou nesta sexta-feira uma fonte judicial.

Menos de um mês depois do anúncio do contágio da técnica de enfermagem espanhola Teresa Romero, de 44 anos – a primeira infectada pelo vírus Ebola fora da África -, o juizado de instrução 21, de Madri, aceitou abrir uma investigação sobre o caso.

A decisão surgiu de uma denúncia, apresentada por 15 médicos da emergência do hospital universitário de La Paz, do qual faz parte o Carlos III – onde a mulher foi infectada. Ela contraiu o vírus do Ebola quando cuidava de um missionário repatriado que morreu pouco depois vítima do vírus, anunciou em um comunicado o Tribunal Superior de Justiça de Madri.

A denúncia se concentra nas “medidas adotadas para garantir a segurança das equipes e a formação dos funcionários de saúde na luta contra o Ebola”, destacou o comunicado.

Por isso, o juiz de instrução pediu ao hospital toda a documentação útil relacionada aos cursos oferecidos, às pessoas presentes nos cursos e aos formadores, assim como a lista de doentes, médicos e técnicos expostos ao vírus.

Também solicitou aos serviços de inspeção laboral todos os documentos vinculados aos fatos denunciados que, segundo os denunciantes, poderiam constituir um crime de saúde pública.

Imediatamente depois da infecção de Romero, os funcionários do hospital criticaram a falta de preparo e de formação para enfrentar o vírus.

Vários enfermeiros do hospital afirmaram ter sido formados às pressas, principalmente em relação às instruções sobre como tirar o traje especial e evitar o contágio.

Teresa Romero, internada em 6 de outubro, não lembra como o contágio aconteceu. Embora já tenha superado a infecção e seu organismo esteja livre do vírus, ela permanece hospitalizada para se recuperar dos efeitos colaterais da doença.

Juiz dos EUA ordena que enfermeira respeite quarentena

AFP – Agence France-Presse

31/10/2014

Uma enfermeira americana, que saiu para andar de bicicleta, desafiando a ordem de permanecer em quarentena após cuidar de pacientes com Ebola na África, foi instada, nesta sexta-feira, por um juiz, a se manter longe de lugares públicos.

Kaci Hickox insiste em que está perfeitamente saudável e tem criticado os esforços das autoridades americanas que querem mantê-la em quarentena por 21 dias, o período máximo de incubação do vírus, desde que ela voltou à sua casa, no Maine (nordeste).

Mas em uma ordem temporária, o juiz distrital, Charles LaVerdiere, proibiu que saísse para locais públicos, como centros comerciais ou salas de cinema, exigindo que mantenha uma distância de um metro de outras pessoas ao sair para caminhar ou correr.

Esperava-se que o magistrado emitisse a ordem final nesta sexta-feira.

A decisão aconteceu depois que Hickox e o namorado deixaram a casa onde vivem, em Fort Kent, na quinta-feira, para passear de bicicleta, diante de várias câmeras de televisão.

A Casa Branca e funcionários da Saúde Pública têm criticado as medidas que alguns estados do país tomaram, ao colocar em quarentena todo o pessoal médico que volta dos países castigados pelo Ebola no oeste da África, onde morreram quase 5.000 pessoas este ano.

O governador de Nova Jersey (nordeste), Chris Christie, manteve Hickox isolada em uma barraca de campanha por três dias após retornar de Serra Leoa, antes de deixá-la sair na segunda-feira, depois de ter dado negativo seu exame de Ebola.

Ela foi mandada para o Maine, que impõe sua própria quarentena.

“Não estou disposta a ficar aqui e deixar que os meus direitos civis sejam violados quando não há base científica” para tal, disse a enfermeira a jornalistas na quarta-feira, em frente à sua casa.

Haddad inclui gays, travestis e índios no ‘Minha Casa’

31/10/2014

São Paulo, 31 – Uma resolução do Conselho Municipal de Habitação (CMH) definiu que gays em situação de violência, travestis moradores em albergues e índios também podem ser beneficiados com unidades do Programa Minha Casa Minha Vida construídas no município de São Paulo.

A norma complementar ao projeto do governo federal, publicada nesta sexta-feira, 31, no Diário Oficial da Cidade, também permite o atendimento de moradores em áreas limites de municípios vizinhos com a capital paulista.

O objetivo das regras é tentar dar moradia popular para centenas de gays e também mulheres que sofreram ameaças e violência doméstica e que são atendidos em albergues e moradias da Prefeitura. Dezenas de travestis que moram nos abrigos municipais vão ter direito a tentar entrar no programa, desde que comprovem que está “oriunda de situação de rua”.

São mais de 8 mil pessoas atendidas todos os dias nos 62 albergues, abrigos e casas de acolhimento. Ao todo, a gestão do prefeito Fernando Haddad (PT) está construindo na capital paulista 22 mil unidades do Minha Casa Minha Vida – a meta do governo é construir 55 mil até o final de 2016, para famílias que ganham menos de R$ 1.600 mensais.

O programa do governo federal previa que o município parceiro nas obras poderia editar normas complementares para definir quem está em situação de vulnerabilidade na cidade.

Prioritariamente, o programa continua tendo de atender moradores em áreas de risco, mulheres que cuidam sozinhas da família e casais de baixa renda com filhos, conforme definiu em 2009 o governo federal. Não havia categorias específicas para priorizar o atendimento de gays e travestis sozinhos, por exemplo.

Segundo movimentos de moradia que também são parceiros na construção de unidades do Minha Casa Minha Vida na capital paulista, a pessoa que mora sozinha de aluguel (seja gay, solteiro adulto ou idoso) dificilmente consegue ser beneficiada.

Na resolução publicada hoje, o governo Haddad também incluiu nesse rol de possível beneficiários do programa idosos sozinhos com mais de 60 anos, moradores na capital.

Apoio

Fernando Quaresma, de 46 anos, presidente da Associação da Parada Gay de São Paulo, afirma que a iniciativa é inédita. “Era uma demanda antiga. A questão da violência começa inclusive dentro de casa, na família. Muitos gays expulsos da família em idade de faculdade ou de colégio e não têm para onde ir. Essa violência não é só de quem está na rua apanhando”, afirmou.

Quaresma disse, ainda, que os travestis também não conseguem entrar no mercado de trabalho e muitos acabam indo morar nos albergues da Prefeitura. “Muitos gays formam hoje famílias de baixa renda e nunca conseguem entrar no programa”, acrescentou.

Idosas são grupo mais afetado por deficiências físicas e mentais, divulga IBGE

31/10/2014

Percentual de idosas, no país, cresce com o avanço da idade. Pesquisa do IBGE mostra que elas tem maior capacidade de reconhecer as próprias dificuldades do que os homens (Tomaz Silva/Agência Brasil)
Percentual de idosas, no país, cresce com o avanço da idade. Pesquisa do IBGE mostra que elas tem maior capacidade de reconhecer as próprias dificuldades do que os homens

A maior expectativa de vida e até a maior capacidade de reconhecer as próprias dificuldades contribuem para que as mulheres superem os homens na incidência de deficiências físicas e mentais, analisou, nesta sexta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na divulgação das Estatísticas de Gênero. Com base no Censo 2010, a pesquisa contabiliza que, dos 12,8 milhões de brasileiros que declararam ter alguma deficiência severa, mental ou intelectual, 7,1 milhões são mulheres e 5,7 milhões homens.

A proporção dos deficientes chega a 7,3% da população feminina, enquanto fica em 6,1% na masculina. Para chegar a esse número, o IBGE considerou as pessoas que declararam ter grandes dificuldades ou que não conseguem enxergar, ouvir, caminhar ou subir escadas. Também se soma a esse total as pessoas apontadas na resposta ao questionário com deficiência mental ou intelectual.

O percentual de deficientes cresce com o avanço da idade e a maior proporção está entre as pessoas com 65 anos ou mais. Nesse grupo, chega a 29% o percentual de mulheres que declaram ter alguma deficiência severa, enquanto os homens são 24,8%. Entre as idosas, a deficiência motora é a mais comum, com 17,3% de incidência, enquanto entre os idosos, a deficiência visual é a mais frequente, com 12,5%. O IBGE relaciona a maior proporção de mulheres com doenças motoras à maior incidência da osteoporose.

O relatório do instituto aponta: “até fatores culturais colaboram, pois as mulheres, de forma geral, apresentam maior cuidado com a saúde que os homens, o que implica maior reconhecimento de suas limitações e doenças”. O pesquisador da Coordenação de População e Indicadores Sociais, do IBGE acrescenta que as “mulheres também costumam declarar mais as doenças que elas têm, costumam reconhecer mais que tem dificuldades e doenças”.

Na faixa etária de até 14 anos, os homens têm maior proporção de deficiências severas que as mulheres, com 2,2% contra 1,9%. Entre os meninos, a deficiência mais frequente é a mental, com 1%. Já as meninas são mais acometidas pela deficiência visual, com 0,8%.

O Nordeste é a região onde as deficiências severas tem maior incidência. Nos estados nordestinos 7% dos homens e 8,3% das mulheres sofrem de alguma deficiência severa. As menores taxas são ocorrem no Centro-Oeste, com 5,4% para homens e 6,4% para mulheres.

A pesquisa também levantou o acesso à escola, e constatou que 86,3% dos meninos e 88,4% das meninas com alguma deficiência frequentavam a escola, percentuais bem abaixo dos 96,7% e 97,1% das crianças sem nenhuma deficiência. Entre os tipos de deficiência, o que mais impactou a frequência à escola de crianças de 6 a 14 anos foi a motora, com percentuais de 67,6% dos meninos e 69,7% das meninas.

De todas as unidades da federação, a taxa de crianças com alguma deficiência que não frequentam a escola é menor no Distrito Federal, onde abrange 6,6% dos meninos e 4,4% das meninas. O Tocantins é o estado onde há maior disparidade entre os sexos, com 18,8% dos meninos fora da escola e 10% das meninas, e o Amazonas é o que registra as taxas mais altas, com 19,5% e 17,8%.

Se as meninas têm maior acesso à escola, as mulheres com 16 a 64 anos estão menos presentes na população economicamente ativa que os homens. Segundo o IBGE, 56,4% dos homens, com alguma deficiência, trabalhavam ou estavam procurando trabalho em 2010, contra 43,1% das mulheres. Entre as pessoas sem deficiência, a participação dos homens chega a 81,8% e a das mulheres é de 61,1%.

A deficiência que mais afastou os homens e mulheres do mercado de trabalho foi a mental ou intelectual, com a qual 26,4% dos homens e 20,8% das mulheres participavam ativamente da economia. Já a deficiência visual severa é a que menos afetou o acesso ao trabalho, com 70,7% dos homens em idade ativa e 50,3% das mulheres.