Virgindade depois dos 20

Ter a primeira relação mais tarde pode ser positivo para a vida sexual no futuro, afirma estudo

DIÁRIO DA MANHÃ | MARIA PLANALTO DA EDITORIA DE CIDADES

Nem mito, nem tabu. A virgindade tardia pode ser desencadeada por uma série de fatores. Dentre eles, a convicção. A estudante Marília da Costa Machado, de 20 anos, se sente bastante à vontade para falar do tema. Morena, olhos de jabuticaba, boca com batom e um sorriso tímido no canto da boca, ela afirma que optou por preservar sua virgindade por questão de escolha. “Sigo os princípios ensinados de que o sexo foi feito para o casamento. Creio que chegar virgem até o matrimônio é uma demonstração de amor pelo conjugue e será surreal viver a alegria do sexo com quem passarei o resto da minha vida”, afirma a estudante.

Marília Machado diz não se sentir julgada, embora algumas pessoas opinem que ela deveria aproveitar mais a vida. A jovem conta que sua família, seus amigos e seu namorado compreendem a sua escolha. Para ela, a pressão vem indiretamente em filmes, novelas e seriados, na qual personagens que são virgens são mais excluídos.

A psicóloga Dalva de Jesus Cutrim Machado, especializada em sexualidade humana, explica que a cultura ocidental, com o passar do tempo, deixou de valorizar a virgindade da mulher. A influência da mídia e a cultura de divulgar o ato sexual, juntamente com a facilidade de acesso aos mais diversos conteúdos da internet, promoveram que a prática seja iniciada cada vez mais cedo. “Desta forma, atualmente, o normal é iniciar a vida sexual ainda na adolescência, por isso, quando a pessoa chega à idade adulta ainda virgem, há certo espanto”, pontua.

Foto: Ilustração/Arte:Elson

Foto: Ilustração/Arte:Elson

A primeira relação sexual tardia é mais comum do que se imagina. Uma pesquisa de 2012 do Datafolha, realizada na capital de São Paulo com 951 mulheres, aponta que 22% delas entre 16 e 25 dizem ainda serem virgens. Os fatores variam desde aspectos religiosos até situações de desejo, por exemplo, encontrar alguém com o qual a pessoa considere realmente valer a pena concluir o ato.

Esse é o caso da estudante K.L, de 18 anos, que prefere não se identificar por se sentir constrangida sobre o assunto. “É clichê, mas acho que ainda não encontrei a pessoa certa, que me deixasse à vontade e com quem eu me sentisse preparada para isso. Não quero fazer sexo só por fazer ou só pelo prazer. Eu quero que seja uma coisa diferente e com alguém que eu realmente goste”, declara.

A maturidade emocional consubstanciada na responsabilidade em relação ao seu próprio corpo, valores, princípios e crenças é o que se deve levar em consideração no momento da primeira vez, conforme a especialista. Ela destaca que existe diferença entre a maturidade biológica, atualmente alcançada mais cedo, e a maturidade psicológica e social que cada vez mais tarde se torna completa.

“É necessário salutar que a perda da virgindade é um marco importante que pode ser vivenciado com orgulho ou com culpa excessiva, de acordo com sua educação e suas crenças. Essa decisão deve ser pessoal, madura, consciente e livre de influências ou pressões”, avalia Dalva.

Magra, cabelos escuros e compridos a jovem C.M, de 19 anos, também optou por preservar sua virgindade. Ela acredita que não encontrou a pessoa certa e não pretende se entregar para qualquer homem. Seu primeiro beijo foi aos 12 anos e ela assume que foi por influência de amigos, dois anos depois foi o tempo para que ela voltasse a beijar um rapaz de seu interesse.

Depois de conhecer alguns garotos e até mesmo manter um namoro, C.M explica que geralmente sua decisão sempre foi respeitada. O seu maior medo é não saber lidar com a situação e assim ficar com receio que o parceiro não a queira mais, provocando-lhe mágoa. “Eu sempre dizia que queria minha primeira vez depois dos 18 anos, mas a idade certa vai de cada um, pode ser com 15 ou 25. Não penso esperar até o casamento, quero conhecer outras pessoas antes do meu futuro marido”, relata.

Bom relacionamento

Uma pesquisa da Universidade do Texas, em Austin, nos Estados Unidos, sugere que indivíduos que tiveram a primeira experiência sexual quando eram mais velhos podem ter relacionamentos amorosos mais satisfatórios quando adultos. Os cientistas estudaram 1.659 pares de irmãos do mesmo sexo, cujos dados constavam em um cadastro nacional de saúde na juventude nos EUA. Foram avaliados indivíduos que tivessem de 16 a 29 anos aproximadamente.

Cada pessoa foi classificada conforme a idade em que perdeu a virgindade, sendo divididos entre os precoces (tiveram sua primeira relação sexual antes dos 15 anos), convencionais (entre 15 e 19 anos) e tardios (mais de 19 anos).

Entre os participantes que são casados ou vivem com o parceiro, os que tiveram iniciação sexual mais tarde, após os 19 anos, tiveram mais propensão a dizer que estão felizes com seus relacionamentos. Eles elogiaram mais seus parceiros, dizendo que recebem amor e carinho, e afirmaram mais que gostam da rotina com seus parceiros.

O resultado foi obtido mesmo levando em conta fatores genéticos e ambientais, afirmaram os cientistas ao site da Universidade do Texas. Eles ressaltaram que diferenças educacionais, religiosas, de renda não alteraram a conclusão. Embora o estudo tenha focado algumas questões da prática sexual precoce, não houve grande diferença entre os resultados obtidos pelos participantes que perderam a virgindade cedo e no período convencional.

Conforme a pesquisa, a iniciação sexual precoce não é um fator de risco para as relações, mas que perder a virgindade tarde é um fator de proteção para o comportamento dos casais.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s