As possibilidades de um segundo governo Dilma

GGN | LUIS NASSIF

Dilma Rousseff montou um Ministério para a guerra política. E nem poderia ser diferente.

Com o mandato ameaçado pela oposição desde o dia das eleições, com o risco de “golpe paraguaio”, com os impactos da parceria midia-Operação Lava Jato, com o maior negocista da história política recente – Eduardo Cunha – podendo assumir a presidência da Câmara, seria supina ingenuidade pensar em um Ministério eminentemente técnico.

O último Ministério de “notáveis” foi o de Fernando Collor – que foi para o buraco do impeachment com “notáveis” e tudo.

Nem por isso, imagine-se que o segundo governo poderá ser medíocre. Há possibilidade de um Ministério político conduzindo programas criativos de governo. Basta a presidente ter clareza sobre quais programas a serem implementados, fechar compromissos com cada Ministro e garantir Secretários eficientes para operacionaliza-las.

Com Aldo Rabello e tudo no Ministério dos Esportes, a Copa do Mundo foi um sucesso.

No primeiro governo Dilma, os Ministros mais eficientes foram os políticos, justamente por terem luz própria e não se inibirem com o estilo pouco sutil da Presidente.

O CGEE como usina de ideias

Idéias, há. O próprio Ministro-Chefe da Casa Civil Aloizio Mercadante deu condições para o CGEE (Centro de Gestão de Estudos Estratégicos) montar diagnósticos precisos sobre a próximas etapa do país.

Há propostas sobre regionalização, políticas industriais, diplomacia, infraestrutura, educação, inovação, um roteiro completo à disposição de uma presidente com o perfil de Dilma.

O desafio será montar um modelo de gestão que permita, ao mesmo tempo, dar sentido lógico à atuação de cada Ministério e autonomia de vôo para cada Ministro “vender” politicamente seus projetos.

Sair com uma marca forte é o sonho de consumo de todo político alçado a cargo executivo.

Há mais razões para se manter um otimismo moderado na segunda gestão de Dilma.

Na primeira, tinha-se uma presidente inexperiente – posto que ocupando seu primeiro cargo eletivo – e montada em um voluntarismo bem sucedido – as experiências heterodoxas vitoriosas de 2008.

O resultado foi um voluntarismo mais exacerbado, uma centralização excessiva e uma ânsia por resultados imediatos. Essa combinação perigosa levou a presidente a recorrer ao poder da caneta, mais do que ao planejamento. E a caneta produziu estragos.

Agora tem-se uma presidente experiente, consciente de parte dos erros cometidos no primeiro governo e com um aprendizado que se completou com a campanha eleitoral.

A escolha da equipe econômica foi a primeira – necessária – autocrítica. A nomeação de um Ministério político, um choque de realidade.,

Se tirar janeiro para uma ampla discussão com seu Ministério, definindo claramente os objetivos de cada pasta, pode ser que se tenha surpresa.

Um segundo governo Dilma bom não é uma certeza: mas é uma possibilidade.

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