O NOVO SEMIÁRIDO

*Antônio Ribeiro

Sai, dia 3 de janeiro, do aeroporto de Guarulhos rumo ao aeroporto Dois de Julho, em Salvador. Fiquei naquela cidade durante dois dias. Galego, fui confundido com gringo. Paguei a quinta parte dos preços pedidos pelas lembrancinhas. Afinal, meu avÔ, bisavô, tataravô e todos de linhagem mais antiga eram baianos.

Depois rumei à Jacobina, na Chapada Diamantina. Viajei quilômetros e quilômetros por pequenos sítios – entre uma e três tarefas, ou seja, de 4.400 a 13.200 metros quadrados. Vi o povo organizado, e constatei que eles votaram no PT não pelo Bolsa Família, eis que o programa atinge o mínimo da população. De Jacobina a Xique-Xique é assim.

O que há são milhares de cisternas que captam a água cristalina das chuvas. Água pura e potável conduzida por encanamentos. Duas cisternas permitem ao pequeno proprietário a criação de galinhas, galos, bodes domésticos, cabras, ovelhas e ibexes, dentre outros. Dá para ter vacas, e produzir o leite para a família e, quiçá, fazer manteiga e requeijão.

O camponês aufere renda vendendo hortaliças na feira e, se trabalhar bem, poderá comercializar requeijões, manteigas, etc.

A ordem do dia é aumentar a organização dessas populações, com a criação de cooperativas, de sociedades de amigos de cada vila ou lugarejo, etc. Depois, conforme prevê a Constituição Federal, estes camponeses deverão pressionar as autoridades municipais, através de passeatas, panfletagem, etc.

Conquistado o básico, deve a população partir para maiores conquistas. Saúde, educação de qualidade, etc.

Mais para o fim, depois de devidamente conscientizados, os camponeses do semiárido devem lutar pela reforma agrária.

Há milhões de tarefas subutilizadas ou simplesmente cercadas sem qualquer uso social.

A época é de união á milhões de tarefas subutilizdas

e de preparo para a luta que libertará aquela sofrida gente de todas as agruras. Nessa tarefa deve haver a inclusão de todas as forças progressistas, e o isolamento dos conservadores.

Um dia – quem sabe o veja – aquele povo viverá com toda a dignidade, em sua própria terra.

*Antônio Ribeiro é jornalista e escritor

 

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