Questionado sobre Lava Jato, Janot diz que é preciso esperar fevereiro

Estadão Conteúdo

Questionado pelo Broadcast Político sobre se haverá alguma “grande surpresa” na Operação Lava Jato quando retornar de férias, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou que é preciso aguardar o próximo mês. “Vamos esperar fevereiro”, respondeu laconicamente o chefe do Ministério Público Federal, na saída da cerimônia de posse dos novos ministros do governo Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto.

Rodrigo Janot não quis dizer também se o Congresso tem o que temer sobre as revelações de envolvimento de parlamentares com as denúncias de corrupção que envolvem a Petrobras. “Vamos aguardar”, afirmou, bem-humorado. A expectativa é de que Janot ofereça as primeiras denúncias contra parlamentares no início do próximo mês.

O procurador-geral disse ainda que hoje ocorreu a “festa da democracia” com a posse para um segundo mandato de Dilma Rousseff.

Comissão de mortos e desaparecidos reclama de sucateamento no governo

Estadão Conteúdo

O relatório final da Comissão Nacional da Verdade, apresentado no mês passado à presidente Dilma Rousseff, está expondo fissuras no interior do próprio governo. Ao comentar a recomendação feita naquele relatório para que sejam intensificadas as buscas aos mortos e desaparecidos nos anos da ditadura, a presidente da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, a procuradora regional da República Eugenia Gonzaga, disse que é impossível atender à recomendação com os recursos que o governo destina à realização dessas ações.
Uma das principais missões da comissão presidida por Eugenia é a busca dos restos mortais dos desaparecidos. Desde sua criação, há vinte anos, ainda durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, essa é a primeira vez que um de seus integrantes se levanta para criticar a falta de prestígio e de recursos para o órgão. Segundo a procuradora, o descaso com a comissão é tão grande que ela não consegue sequer recompor seus quadros. Embora tenha sete integrantes, funciona há meses com apenas seis.
Diante desse quadro, a procuradora tem dito que é quase impossível atender à recomendação da Comissão da Verdade. “Pela falta total de recursos e sem pessoal, a comissão já deixou de lado aquilo que seria uma de suas principais funções, segundo a lei que a criou, que é a localização dos corpos dos desaparecidos”, disse ao Estado.
A comissão foi criada pela Lei 9.140, em 1995, com duas tarefas: reconhecer oficialmente os casos dos desaparecidos, permitindo às famílias obter atestados de óbitos e reivindicar indenizações junto ao Estado brasileiro; e desenvolver todos os esforços possíveis na tarefa de localizar os restos mortais.
Mas isso não aconteceu, segundo a atual presidente. “A comissão cuidou bem da questão dos atestados e certidões para as famílias mas nunca me pareceu empenhada na busca dos restos mortais”, afirmou.
A situação teria piorado nos últimos anos. “Quando assumi, a comissão estava desfalcada e quase não fazia reuniões. Ela está fragilizada.”
Eugenia está preparando um relatório para ser enviado nos próximos dias à Presidência da República. Deve reivindicar um orçamento específico para o órgão. “A comissão já foi criada sem orçamento. Não tem sequer cargos. Os seus sete integrantes são membros honorários, que não recebem nenhum pagamento pelo trabalho. Mas é preciso mudar isso, para atender às recomendações da Comissão da Verdade”, afirma. “Também precisamos de uma equipe própria de antropologia e de arqueologia forense, a exemplo do que aconteceu na Argentina e no Peru.”
Briga
O mais antigo integrante da comissão, o advogado Belisário dos Santos Júnior, que chefiou a Secretaria de Justiça de São Paulo no governo Mario Covas (PSDB), concorda com as reivindicações da procuradora. “Fomos extremamente bem na primeira parte dos trabalhos, enquanto cuidávamos de identificar as pessoas que deveriam receber as indenizações e dependíamos exclusivamente das ações da comissão”, lembra. “À medida, porém, em que precisamos ir a campo, no início do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, houve um direcionamento dessas atividades para o Ministério da Defesa. No caso das buscas dos mortos e desaparecidos na Guerrilha do Araguaia, foi só após uma longa briga que os familiares e a comissão foram incluídos no grupo de trabalho composto para realizar as buscas.”
Lula e a Dilma deram pouca atenção à comissão, segundo Belisário. “Hoje ela funciona com dois funcionários provisórios, emprestados pela Secretaria de Direitos Humanos.”
O advogado observa que, numa comparação com a Comissão Nacional da Verdade e a Comissão da Anistia, que define o pagamento das indenizações a familiares, a Comissão de Mortos e Desaparecidos seria “o primo pobres”. Diz ele: “Para funcionar, ela deveria ter a mesma estrutura, funcionários, assessores e recursos que teve a Comissão da Verdade.”
Para Eugenia, o governo deve satisfações às famílias: “A reparação é um processo. Não se trata só de encontrar o corpo. As famílias precisam ter certeza de que os restos mortais estão sendo procurados, com todas as técnicas disponíveis.”

Atentado suicida em cerimônia xiita deixa 49 mortos no Iêmen

Ao menos 49 pessoas morreram na quarta-feira na cidade iemenita de Ibb (centro) em um atentado contra uma cerimônia na qual participavam partidários de uma milícia xiita, indicaram nesta quinta-feira testemunhas e fontes médicas.

“O balanço do atentado de Ibb chega a 49 mortos e 70 feridos”, declarou por telefone uma fonte médica à AFP.

Outra fonte médica confirma este balanço e afirma que “12 das 49 vítimas não puderam ser identificadas”.

Um primeiro balanço contabilizava na quarta-feira ao menos 33 mortos e dezenas de feridos.

Um terrorista vestido de mulher acionou seu cinturão de explosivos na entrada de um centro cultural em Ibb, a capital da província de mesmo nome, de maioria sunita, mas que está há meses nas mãos de milicianos xiitas do movimento Ansaruallah.

O atentado ocorreu quando os partidários da Ansaruallah estavam reunidos por ocasião do Muled, o aniversário do profeta Maomé, que os muçulmanos comemoram no próximo fim de semana, indicaram testemunhas.

Os Estados Unidos, aliados do Iêmen na luta antiterrorista, condenaram com firmeza o atentado, enquanto o departamento de Estado prometeu em um comunicado que Washington “continuará apoiando o governo e o povo do Iêmen contra a ameaça comum dos extremistas violentos”.

Os corpos dos falecidos no atentado foram levados a dois hospitais da cidade, indicaram fontes médicas.

Legião de Honra na França para brasileiro ganhador do ‘Nobel’ da matemática

O brasileiro naturalizado francês Artur Ávila, a enfermeira francesa do Médicos Sem Fronteiras que sobreviveu ao Ebola, o escritor Patrick Modiano e o economista Thomas Piketty figuram na promoção da Legião de Honra de 1º de janeiro, publicada no Diário Oficial francês.

Esta promoção civil conta com 691 condecorados, entre eles 571 cavaleiros, 95 oficiais, 19 comendadores, cinco grandes oficiais e um único grã-cruz, o resistente e historiador da II Guerra Mundial Jean-Louis Crémieux.

O brasileiro Artur Ávila, de apenas 35 anos e ganhador da medalha Fields 2014, a recompensa mais prestigiada no campo da matemática, foi nomeado cavaleiro a título excepcional, já que sua idade não lhe permite cumprir os critérios de vinte anos de atividade mínimos exigidos para receber esta condecoração.

Também foi o caso da voluntária da MSF, de 29 anos e que recebeu a a condecoração a título excepcional, explicou a Grande Chancelaria da Legião de Honra.

Infectada pelo vírus do Ebola durante sua missão na Libéria e repatriada em 19 de setembro à França, a jovem recebeu alta médica no início de outubro.

Vários franceses que receberam o reconhecimento internacional neste ano figuram na promoção de Ano Novo, como o prêmio Nobel de Literatura Patrick Modiano, que foi promovido oficial, assim como Jean Tirole, prêmio Nobel de Economia em 2014.

Já o economista Thomas Piketty, cujo livro “O capital no século XXI” vendeu 1,5 milhão de exemplares, foi nomeado cavaleiro.

Piketty, no entanto, reagiu nesta quinta-feira afirmando que “rejeita sua designação” para receber a Legião de Honra.

“Acabo de saber que haviam proposto meu nome para a Legião de Honra. Rejeito esta designação, já que não acredito que seja o papel do governo decidir quem é honorável”, declarou Piketty, antes de acrescentar que “valeria mais que se consagrasse a recuperação do crescimento na França e na Europa”.

Outros premiados em algumas de suas categorias são Pierre Bergé, presidente do conselho de vigilância do jornal Le Monde, a diretora de cinema Nina Campaneez, o jornalista Robert Namias e a escritora Julia Kristeva, assim como o ex-ministro da Cultura francês Jack Lang, a atriz Mimie Mathy e o guitarrista Chico Bouchikhi, fundador dos Gipsy Kings, ou ainda o grafiteiro americano JonOne.

Em 2014, 1.926 pessoas receberam a título civil e 965 a título militar a Legião de Honra nas promoções de Semana Santa, 14 de julho, festa nacional francesa, e nesta de 1º de janeiro.

Fundada por Napoleão Bonaparte em 1802, a Legião de Honra é a máxima distinção nacional francesa, que atualmente conta com 92.000 membros recompensados por seus méritos a serviço da França, a título civil ou militar.

Avião da AirAsia pode ter pousado antes de afundar

O piloto do avião da AirAsia que se encontra no fundo do mar de Java na Indonésia pode ter conseguido pousar a aeronave na água antes que ela afundasse, apontaram especialistas nesta quinta-feira.

O Airbus A320-200 (voo QZ8501) que decolou no domingo na cidade indonésia de Surabaya com 162 pessoas a bordo desapareceu dos radares quando sobrevoava o mar de Java durante uma tempestade, sem pedir socorro ou emitir sinais comuns quando um avião desaparece ou jaz no fundo do mar.

De acordo com alguns especialistas, estas informações sugerem que o comandante Iriyanto, um experiente ex-piloto da Força Aérea, efetuou uma tentativa de pouso de emergência com um impacto não destrutivo.

“O transmissor de localização de emergência (ELT) teria que funcionar depois do impacto, seja em terra, no mar ou no alto de uma montanha, e minha análise é que não funcionou porque não houve um grande impacto durante o pouso”, declarou à AFP Dudi Sudibyo, redator-chefe da revista de aviação Angkasa. “O piloto conseguiu pousar na água”, afirmou.

O avião da AirAsia voava a uma altura de 32.000 pés (9.800 metros) quando o piloto pediu à torre de controle permissão para subir a fim de evitar a tempestade. A torre de controle demorou um tempo para dar permissão devido à densidade do tráfego aéreo no momento, mas o Airbus desapareceu das telas dos radares logo depois.

Alguns analistas sugerem que o avião caiu porque voava muito lentamente ou porque subiu de altura de forma brusca. A ausência de sinal de socorro da cabine continua sem explicação.

As equipes de busca trabalharam mais de 48 horas no mar de Java antes de encontrar os primeiros destroços perto da ilha de Bornéu, com a informação de um pescador que havia visto um avião voando baixo e que teria ouvido um forte estrondo.

Explosão em voo é pouco provável

“As conclusões que se chegaram até agora é que o avião não explodiu no voo e não foi vítima do impacto com a superfície já que, nesse caso, os corpos não estariam intactos”, explicou à AFP o ex-comandante de voo Chappy Hakim.

A fuselagem da aeronave parece estar praticamente intacta, já que os integrantes das operações de busca viram uma “sombra” com formato de avião no fundo do mar.

Objetos que parecem uma porta de emergência e um tobogã inflável para as saídas de emergência estão entre os restos avistados na área de busca, o que indica que os primeiros passageiros podem ter começado a sair da aeronave depois do pouso.

O ex-ministro dos Transportes, Jusman Syafii Djamal, está convencido de que a porta de emergência encontrada significa que “alguém pode tê-la aberto”.

Segundo ele, os passageiros podem ter esperado que um membro da tripulação inflasse um bote salva-vidas antes de serem atingidos por uma forte onda, que teria afundado o avião.

De acordo com os procedimentos padrão, todos os passageiros do avião devem ser evacuados em 90 segundos.

Até que as caixas pretas apareçam, será difícil saber o que aconteceu. Entre outras coisas, elas devem ajudar a responder por que o sinal de localização submarina não funcionou.

Se os restos do avião forem encontrados, o gravador de voz da cabine deverá detalhar as conversas dos pilotos durante o curto voo e revelar os últimos momentos.

Supostas italianas sequestradas na Síria aparecem em vídeo

Duas mulheres que se identificam como voluntárias italianas sequestradas na Síria apareceram na quarta-feira em um vídeo, pedindo a seu governo que tente conseguir suas libertações.

As imagens, filmadas em meados de dezembro, foram difundidas na noite de quarta-feira na internet e mostram supostamente Vanessa Marzullo e Greta Ramelli, sequestradas por homens armados no norte da província de Alepo em agosto.

As mulheres, que têm cerca de trinta anos, aparecem sentadas em frente a uma parede branca com vestidos pretos e com os cabelos cobertos por um véu.

Uma delas segura um pedaço de papel com a data de 17 de dezembro, embora o vídeo tenha sido divulgado no dia 31.

A segunda mulher, que parece ler um roteiro fora do plano, pede que o governo italiano as leve para casa antes do Natal.

O vídeo de 23 segundos não inclui detalhes sobre o grupo que está com as duas mulheres e ninguém mais aparece na gravação.

No Youtube, o vídeo se intitula “O Frente al Nusra detém duas trabalhadoras italianas pela participação de seu governo na coalizão contra ele”.

O vídeo, no entanto, não circulou em nenhuma das contas oficiais do Al Nusra, braço sírio da Al-Qaeda. Nos demais vídeos do grupo, os sequestrados aparecem diante de uma bandeira do Al Nusra.

Em agosto, o ministro das Relações Exteriores italiano negou as informações de que as duas mulheres estavam em mãos do grupo Estado Islâmico, mas não disse a qual organização atribuía o sequestro.

As duas mulheres trabalhavam para a ONG Horryaty quando foram sequestradas.

Dezenas de voluntários estrangeiros e jornalistas, assim como um jesuíta italiano, foram sequestrados no conflito sírio. Também desapareceram dezenas de sírios na guerra, que começou em março de 2011 e causou a morte de mais de 200.000 pessoas.

Pediatra gato do SUS faz sucesso nas redes sociais

DIÁRIO DA MANHÃ

O Médico pediatra, conhecido como “Goiano”, chama atenção por sua aparência e encanta internautas. Luiz Eduardo Oliveira, que não é goiano, nasceu em Lavras, no estado de Minas Gerais e trabalha no serviço público de saúde do Rio de Janeiro.

Em seu perfil do Facebook publica diversas selfies, que atraem milhares de admiradores. Suas fotos no Instagram, chegam a ter mais de 16 mil curtidas e contabiliza mais de 190 mil seguidores.

Além de fotos do tipo selfie, Luiz publica imagens de carros e atendendo pacientes em seu consultório. Ele também é músico, e posta vídeos tocando baladas sertanejas no violão. Confira algumas fotos do “Goiano” gato do SUS:

foto:reproduçãofoto:reprodução facebook

Futuro: A Decadência das Religiões

GGN ANTONIO ATEU

Relatório da CNV e os caminhos certos

GGN | Miriam Leitão

Jornal GGN – No dia 11 de dezembro, durante as suas férias, a jornalista Míriam Leitão publicou um artigo sobre o relatório final da Comissão Nacional da Verdade (CNV). A associação entre seu nome e a ditadura tornou-se mais constante com os relatos da jornalista, depois de mais de 40, sobre os momentos de tortura vividos por ela. No depoimento, Miriam Leitão dizia ainda esperar um pedido de desculpas das Forças Armadas.
Em sua coluna recente, elogiou o trabalho da CNV, escolhendo “o caminho mais difícil, mas mais verdadeiro”, ao listar os autores das graves violações dos direitos humanos.
Acompanhe, abaixo. Para acessar a lista completa de nomes de responsáveis e autores elencados pela Comissão, acesse a segunda parte do volume I do relatório, disponível aqui. Mais especificamente da página 845 a 931.
A escolha certa
Por Miriam Leitão
Do seu blog
A Comissão Nacional da Verdade (CNV) escolheu o caminho mais difícil, mas mais verdadeiro. A lista dos “autores de graves violações dos direitos humanos” começa por Humberto de Alencar Castello Branco, inclui ex-presidentes, oficiais generais e atravessa toda a cadeia de comando. Escolheu também a tese do crime contra a humanidade, uma rejeição implícita à Lei de Anistia.
A alternativa seria fingir que, no governo militar, os presidentes, os comandantes, os chefes nada sabiam. Que apenas os “bolsões radicais” prenderam ilegalmente, torturaram, mataram e ocultaram cadáveres. E que em instituições regidas pela hierarquia, como são as Forças Armadas, pudessem alguns sádicos fazer o que fizeram dentro de instalações públicas, sem que os superiores disso tomassem conhecimento.
Era mais cômodo fazer uma lista só de “ulstras” e “malhães”, mas essa escória não agiu sem o poder a ela delegado. Em um país acostumado a contornar conflitos, a CNV preferiu enfrentar a verdade como ela é. Este era o seu papel institucional, fazer um relato para a História, principalmente para os 80 milhões de brasileiros que nasceram após o fim da ditadura. O que o país fará com o relatório já é outra etapa desta tarefa inacabada de reencontrar o passado. Mas escamotear a verdade e se curvar à versão dos militares não era uma opção.
Atravessar as mil páginas do relatório não é agradável. É importante. Há relatos terríveis, descrições de torturas e testemunhos que levantam pistas sobre mortos e desaparecidos. Há o silêncio eloquente de pessoas como o hoje coronel Wilson Machado. Ele era capitão quando tentou explodir estudantes no Riocentro, em 1981. Fracassou, felizmente. Mas ele foi perdoado com base na Lei da Anistia de 1979. Está aí a maior aberração: nenhuma anistia pode alcançar um crime futuro. O Superior Tribunal Militar encerrou o caso, decretando que deveria recair sobre o crime “o manto do perpétuo silêncio”. Machado foi condecorado em 2001 pelo Exército, o que prova que os comandantes ainda concordavam com ele ao fim do governo Fernando Henrique.
A Lei da Anistia é controversa. Alguns a defendem, outros dizem que ela foi a opção possível, em pleno ditadura. A CNV, com um único voto contrário, considerou que a violência e o terrorismo de Estado de 1964 a 1985 foram “crimes contra a humanidade”. Desta forma, ela se alinhou ao entendimento de organismos internacionais de direitos humanos, que cobram do Brasil esclarecimentos e punições.
A presidente Dilma Rousseff falou em respeito aos “pactos” num apoio implícito à manutenção da Lei da Anistia, mas quem decidirá isso não será o Executivo. A Justiça até agora manteve a vigência da Lei. A CNV foi pelo caminho mais atualizado, o da justiça de transição, que considera esses crimes imprescritíveis, e não reconhece anistias autoconcedidas por poderes autoritários.
O relatório diz que as violações aos direitos humanos foram “determinadas, permitidas e controladas” pelas cadeias de comando e que os crimes se deram de forma sistemática. O coordenador da Comissão Pedro Dallari me disse que se sente pessoalmente frustrado por ter apenas três corpos e uma pista a entregar às famílias dos mortos e desaparecidos. Uma das razões foi a falta de cooperação de quem tem as informações.
A primeira recomendação da comissão é que haja o “reconhecimento pelas Forças Armadas de sua responsabilidade pela ocorrência de graves violações de direitos humanos”. Passaram-se 30 anos desde o fim do regime. Ainda que tarde, é o que deveria acontecer.
***
Todos os volumes do Relatório da CNV podem ser baixados na reportagem: “O Brasil merecia a verdade”, disse Dilma com o relatório da CNV

STF suspende divulgação de nomes de exploradores de trabalho escravo

QUI, 01/01/2015

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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, determinou, em caráter liminar, que o Ministério do Trabalho e Emprego se abstenha de divulgar ao público a relação de empregadores flagrados ao submeter trabalhadores a formas degradantes de trabalho ou a condições análogas ao trabalho escravo.

A suspensão da publicação da chamada Lista Suja do Trabalho Escravo foi pedida no último dia 22, pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), em ação direta de inconstitucionalidade (Adin). De acordo com informações disponíveis no site do STF, Lewandowski apreciou o pedido durante o recesso do Judiciário por estar de plantão e apresentou a decisão no dia seguinte.

Juridicamente, a decisão de Lewandowski suspende os efeitos da Portaria Interministerial 2, de 12 de maio de 2011, que estabelece as regras sobre o cadastro. A portaria é assinada pelo Ministério do Trabalho e a Secretaria de Direitos Humanos. A decisão também suspende o efeito da Portaria 540, do Ministério do Trabalho, de 15 de outubro de 2004, já revogada pela publicação da Portaria Interministerial 2.

As portarias não tratam diretamente da divulgação dos nomes dos empregadores, mas da obrigação de manter e atualizar a relação das pessoas físicas e jurídicas flagradas na prática da manutenção do trabalho escravo, atribuição do Ministério do Trabalho, que tem ainda o dever de dar conhecimento de seu conteúdo a ministérios, ao Ministério Público Federal, Ministério Público do Trabalho e a bancos públicos. Nenhuma das portarias prevê a divulgação automática dos nomes ao público.

Na petição, a Abrainc alega que as portarias ministeriais ferem a Constituição Federal e o princípio da separação entre os Poderes, já que, na interpretação da entidade, seria competência do Poder Legislativo editar lei sobre o assunto. A associação também sustenta que os nomes dos empregadores são inscritos na lista sem a existência do devido processo legal, de “forma arbitrária”, ferindo o princípio da presunção da inocência.

“O simples descumprimento de normas de proteção ao trabalho não é conducente a se concluir pela configuração do trabalho escravo”, aponta a Abrainc no pedido de liminar. “Assim como é inconcebível que empregadores submetam trabalhadores a condições análogas às de escravos, também é inaceitável que pessoas sejam submetidas a situações vexatórias e restritivas de direitos sem que exista uma prévia norma legítima e constitucional que permita tal conduta da administração pública”, conclui a entidade.

Ao justificar sua decisão, Lewandowski classificou como “odiosa” a prática subumana a que alguns empregadores submetem seus funcionários, mas destacou que os gestores públicos devem observar os preceitos constitucionais. “Embora se mostre louvável a intenção em criar o cadastro de empregadores, verifico a inexistência de lei formal que respalde a edição da Portaria 2 pelos ministros de Estado”, alegou o presidente do STF.

A decisão ainda precisa ser publicada no Diário Oficial da União para entrar em vigor e pode ser revertida quando for apreciada em Plenário pelos ministros da Corte. Segundo a assessoria do STF, a publicação da decisão só deverá ocorrer em fevereiro, quando o Poder Judiciário retorna do recesso. A primeira sessão dos ministros do STF está marcada para o dia 4 de fevereiro, mas não há previsão de quando o processo será julgado. A relatora será a ministra Carmem Lúcia.

trabalho escravo
Pecuária e produção florestal lideram flagrantes de fiscalizações na exploração de trabalho escravoMarcello Casal Jr/Agência Brasil

O Ministério do Trabalho retirou de seu site a relação com os nomes dos empregadores flagrados explorando mão de obra escrava. A lista deveria ter sido atualizada esta semana. Na última atualização, feita em julho deste ano, a lista trazia 609 nomes de pessoas físicas e jurídicas. A maioria dos flagrantes registrados até então aconteceu no Pará, com 27% do total. Em seguida vinham Minas Gerais (11%); Mato Grosso (9%) e Goiás (8%). Entre as atividades econômicas nas quais os fiscais do trabalho encontraram mais condições análogas à escravidão, estão a pecuária (40%); produção florestal (25%) e indústria da construção (7%).

Procurado, o Ministério do Trabalho informou, por meio de sua assessoria, que não comentaria a decisão judicial e afirmou que irá cumpri-la até a decisão final do STF. A Secretaria de Direitos Humanos (SDH) da Presidência da República destacou que a Comissão Nacional para a Erradiação do Trabalho Escravo (Conatrae) está analisando a decisão e estudando as medidas jurídicas cabíveis. Vinculada à SDH, a Conatrae é o órgão responsável por coordenar e avaliar a implementação das ações previstas no Plano Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo, entre outras atribuições. É composta por representantes de órgãos de Estado e da sociedade civil.

* A matéria foi alterada às 19h38 para ajuste e esclarecimentoO título também foi alterado

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É uma FALSA questão. Um circo

É uma FALSA questão. Um circo armado por procuradores para ganhar midia.

TRABALHO ESCRAVO é quando a vitima ESTÁ PRESA no local de trabalho e não recebe salario.

Quantos casos haverá no Brasil?  Alguns pode ser, não MILHARES.

O que o MPT faz é equiparar falta de bota, falta de luva, falta de uniforme com TRABALHO ANALOGO Á ESCRAVIDÃO.

Isso é INFRAÇÃO Á LEI TRABALHISTA, não tem nada a ver com escravidão.

Em um pais com 260 milhões de celulores haverá gente tão hiposuficiente que se sujeira a ser escravo?

noticias gerais e, especificamente, do bairro do Brás, principalmente do comércio