7 passos para entender os custos da Arena da Amazônia

Por quê os clubes amazonenses não querem jogar na Arena da Amazônia? O Portal Amazônia ajuda a explicar

MANAUS – A inauguração da Arena da Amazônia completa um ano no próximo dia 9 de março. O que prometia ser a ‘ressurreição’ do futebol amazonense ainda é motivo de incógnita. O alto custo do local é uma barreira para os times locais mandarem jogos no maior estádio da Amazôniaconstruído para a Copa do Mundo. É aí que surge a questão: quanto custa fazer um jogo na Arena da Amazônia? A questão é complexa e depende de muitos fatores, mas o Portal Amazônia dá 7 dicas para te ajudar a entender os custos.


Arena da Amazônia custou R$ 757,5 milhões. Foto: Gabriel Seixas/Portal Amazônia

1 – Tudo depende da estimativa de público

O quadro móvel da Arena da Amazônia varia de acordo com a estimativa de público. Para um jogo de cinco mil pessoas (com variação para mais ou para menos), só o quadro móvel custa R$ 11.946 – mais que o dobro dos R$ 5 mil da Colina, por exemplo. Em um jogo para dez mil pessoas, o valor sobe para R$ 15.201. Com estimativa de 15 mil pessoas, o preço é R$ 19.345. Por fim, para um jogo com capacidade máxima do anel inferior (23 mil pessoas), o valor é de R$ 23.617. Mas lembre-se: tudo isso é apenas o quadro móvel.

2 – Despesas operacionais

Outros custos também englobam as despesas operacionais, como policiamento, ambulância, aluguel de gradil, lanches, arbitragem e muitos outros. No jogo do Nacional contra o Vilhena no último domingo (22), o custo de despesas operacionais foi de R$ 19 mil, sem contar com o quadro móvel. Em um evento com estimativa de público superior a cinco mil pessoas, naturalmente o gasto com funcionários privados aumenta.

3 – ¼ da renda vai embora

Os clubes mandantes em jogos na Arena já sabem, de antemão, que 25% da renda do jogo não vai para os cofres do clube. A porcentagem corresponde a despesas com alugueis, taxas e impostos. Uma lei governamental determina que 10% da renda é destinada ao aluguel do campo, usada para a manutenção do mesmo. A Federação Amazonense de Futebol (FAF) tem direito a 5% da renda de qualquer jogo na Arena. Por fim, 5% da renda custeia o INSS e outros 5% são destinados ao ISS.

4 – R$ 40 mil de renda é prejuízo

Em um jogo com operação mínima (até cinco mil pessoas), não tem erro: R$ 40 mil ou menos de renda é sinônimo de prejuízo. Ou seja, com ingressos a R$ 20, por exemplo, seriam necessários mais de 2 mil ingressos vendidos para evitar o ‘vermelho’ no cofre. O Nacional lucrou R$ 61 mil em bilhetes contra o Vilhena, porém mais da metade deles foram vendidos a R$ 40.


Nacional fez o primeiro jogo oficial da Arena da Amazônia em 2015. Foto: Ennas Barreto/Nacional

5 – O torcedor faz a diferença

Vamos com calma: a Arena também não é nenhum bicho de sete cabeças. Se o torcedor comparecer ao estádio, o lucro é garantido. Usemos Nacional x Vilhena como exemplo: supondo que os 5 mil ingressos disponíveis realmente fossem vendidos para o jogo, sendo metade deles a R$ 40 e outra metade a R$ 20, o lucro do time amazonense seria de R$ 150 mil. As despesas aumentariam para R$ 69 mil, porém uma boa quantia de R$ 81 mil entraria nos cofres do Naça.

6 – Não é qualquer pessoa que opera a Arena

Pode parecer óbvio, mas os gastos com funcionários privados são exorbitantes justamente pelo fato de a Arena exigir mão de obra altamente qualificada em sua operação. Segundo o diretor-técnico da Fundação Vila Olímpica (FVO), Ariovaldo Malizia, cerca de 40 pessoas que trabalham na Arena possuem curso superior.

7 – Os custos já foram maiores

A operação com base na estimativa de público foi criada justamente para facilitar a vida dos clubes locais. Na Copa do Mundo, por exemplo, as despesas operacionais eram bem maiores. Um exemplo prático: na Copa, eram necessários 12 eletricistas para trabalhar na operação no estádio. Atualmente, a exigência é de cinco.


Arena da Amazônia, em Manaus. Foto: Gabriel Seixas/Portal Amazônia

Onde está o problema?

Desta forma, a reflexão cabe a dois pontos. Primeiro: o futebol amazonense conta com três estádios ‘padrão Fifa’. Naturalmente, mandar um jogo na Colina ou no Carlos Zamith é muito mais barato do que fazer um jogo na Arena da Amazônia. Mas será que um jogo nos dois primeiros estádios consegue ser tão atrativo quanto um duelo no estádio da Copa? O público de um jogo na Arena seria o mesmo em estádios como Colina e Zamith? No fim das contas, o prejuízo ou o lucro pequeno pode acontecer em qualquer lugar.

Não menos importante, o segundo ponto: o problema em mandar jogos na Arena da Amazônia está realmente no ‘alto custo’ ou na ineficiência dos clubes amazonenses em atrair torcedores aos estádios? “Se o nosso futebol não está acompanhando, paciência. Mas eu acredito que a Arena ainda vai ser a nossa redenção”, disse Ariovaldo Malizia à reportagem do Portal Amazônia. Uma esperança que, no dia 9 de março, vai completar um ano. Enquanto isso, a sombra do ‘elefante branco’ seguirá perseguindo a ‘menina dos olhos’ da Amazônia.

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