Empresário assassinado tinha ligação com operação da Polícia Federal

A Tribuna | Eduardo Velozo Fuccia

Na semana na qual só tinha motivos para comemorar, o comerciante Vitor Matheus Menezes Otoni, de 32 anos, foi sumariamente executado com diversos tiros de pistola, no final da tarde de quinta-feira, em Praia Grande.

Vitor estava com casamento marcado para este sábado. Ironicamente, ele foi assassinado em frente ao salão onde ocorreria a festa, localizado na Rua Mário Ianeli, em Tude Bastos, a cerca de dois quarteirões da marcenaria de sua propriedade.

O casamento não era a única razão para a vítima festejar. Na segunda-feira, ela soube que fora absolvida em processo na 5ª Vara Federal de Santos, referente a uma das seis ações da Operação Oversea, que apura o narcotráfico internacional. Pela Justiça estadual, Vitor possuía condenação por roubo, mas já cumprira a pena.

Faroeste urbano

O homicídio aconteceu em uma área residencial e chamou a atenção pelo elevado número de disparos desferidos contra a vítima. Segundo o delegado assistente de Praia Grande, Fernando Henrique Faria, uma perita coletou no local 26 cartuchos deflagrados de pistola.

Momentos antes de ser eliminado sem qualquer chance de defesa, Vitor estava em sua marcenaria. Testemunha do crime, um homem que se intitulou amigo do comerciante disse que há muito tempo não o via, mas o reencontrou durante o Carnaval.

“Segundo a testemunha, Vitor disse que se casaria no próximo dia 28 (hoje) e pediu para que ela fosse até a marcenaria para receber um convite”, informou o delegado Faria. Conforme o combinado, o amigo se dirigiu ao estabelecimento na quinta-feira, mas o comerciante alegou que todos os convites já haviam sido entregues.

No entanto, de acordo com a testemunha, Vitor fez questão de levá-la até o salão para mostrar a sua localização e possibilitar que ela comparecesse à festa, independentemente de convite. Para isso, a vítima embarcou no Prisma prata do amigo e ambos foram até o lugar do evento social.

A execução ocorreu quando o carro estacionou em frente ao salão. A testemunha contou que, logo em seguida, um Fiat Doblò, cuja placa não foi anotada, parou bruscamente perto do Prisma e um desconhecido armado desembarcou do banco traseiro. Na sequência, este homem atirou em Vitor, afastando-se e depois retornando para efetuar mais disparos e garantir a sua morte.

A testemunha escapou ilesa, alegando que se afastou do Prisma enquanto o atirador abria fogo contra Vitor. Faria observou que em ações desse tipo é comum a “queima de arquivo”, ressalvando que a versão do amigo do comerciante será confrontada com imagens de câmeras de segurança e outras provas a serem levantadas.

Entenda a Oversea

Considerada a maior operação da história da Polícia Federal (PF) relacionada ao narcotráfico internacional, a Oversea foi responsável por apreensões de cocaína no País e no exterior, entre janeiro de 2013 e 31 de março de 2014, que totalizaram 3,7 toneladas.

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou Vitor por organização criminosa, destinada ao tráfico de cocaína boliviana, via Porto de Santos, para Cuba e países da Europa e África. Por insuficiência de provas, o juiz federal Roberto Lemos dos Santos Filho o absolveu. Cabia recurso da decisão.

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