Produtores de Roraima relatam prejuízos com estiagem e incêndios

O Portal Amazônia visitou os municípios de Mucajaí e Cantá e agricultores relataram os problemas. Quatro municípios estão em estado de emergência

Produtores rurais sofrem com a seca. Foto: Jaqueline Pontes/ Portal Amazônia

BOA VISTA – Após Roraima decretar estado de emergência em quatro municípios em função da estiagem, os produtores rurais enfrentam prejuízos com a criação de animais. Em algumas comunidades a falta de água é mais crítica, pois até o consumo humano é prejudicado. A solução encontrada são os carros-pipa que saem de Boa Vista com destino às regiões afetadas pela seca.

No ano de 1982, José Ferreira fugiu da seca do Nordeste do País e mudou-se para Roraima em busca de uma vida melhor para a família. Durante os 33 anos que vive no Estado, o piscicultor, de 86 anos, afirma que nunca viu uma estiagem tão forte atingir a região. “Nunca imaginei ficar assim. Nunca vi deste jeito. Eu moro aqui e nunca vi esse lugar tão seco como está”, contou.

Açude de produtores secaram. Foto: Jaqueline Pontes/ Portal Amazônia

Ferreira afirma que há três meses percebeu que a falta de água estava se agravando, pois os tambaquis que criava começaram a morrer devido o açude secar mais que o previsto. “Antes de secar tudo os peixes morreram. Já estava com a água baixa, aí morreram. Não pude fazer nada. O que resta é ter paciência”, contou o morador da Vila Tamandaré, localizada em Mucajaí.

Para evitar um prejuízo maior, o piscicultor se sentiu obrigado a retirar os peixes vivos do açude. A produção de tambaqui foi distribuída entre os moradores da Vila Tamandaré, pois não tinham condições de serem vendidos devido ao pequeno tamanho. “O dinheiro dos peixes era para manter a casa”, contou. Ferreira afirma que enfrenta um prejuízo de aproximadamente R$ 4 mil com a perda dos peixes.

Além da população, animais sofrem com seca. Foto: Jaqueline Pontes/ Portal Amazônia

De acordo com o roraimense e agricultor Francisco da Silva, a situação é crítica e se a chuva não chegar tudo vai se agravar. “Não vejo chuva há mais de três meses aqui em Tamandaré”, afirmou. Ainda segundo o agricultor, o sustento de toda a família depende de água, pois a piscicultura é a única renda que possui. Francisco criava 1,4 mil peixes e perdeu tudo devido à seca.

Ainda no município de Mucajaí, na Vila Serra Dourada, onde mora pouco mais de 20 famílias, os moradores enfrentam maiores consequências causados pela forte estiagem, pois faltou água para o consumo humano.  Os poços da pequena população secaram e os moradores tiveram que dividir o pouco de água que ficou com os animais que criam, mas mesmo com a divisão os prejuízos são grandes.

Um carro-pipa chega à comunidade Serra Dourada a cada dois dias para abastecer os moradores com água. Sem irrigação, Maria de Fátima de Souza perdeu toda a plantação de laranja, a roça de arroz e os peixes do açude. Mas luta para continuar a manter as sete cabeças de gado que possui no pasto. Moradora da Vila há 18 anos, Fátima conta que nunca enfrentou situação parecida como a que vive.

População divide água com os animais. Foto: Jaqueline Pontes/ Portal Amazônia

Para tentar amenizar a realidade causada pela estiagem, a Defesa Civil de Roraima passou a realizar escavações próximas as nascentes nas propriedades dos pecuaristas em busca de água. O objetivo é manter a criação de gado. Maria de Fátima afirma que o açude começou a secar no mês de agosto de 2014, mas somente no final do ano para o início de 2015 que o problema se agravou.

A produtora rural afirma que a água que chega à propriedade é utilizada com muito cuidado, pois é tudo muito regrado. “Tenho hora para tudo. Lavo roupa apenas duas vezes por semana. Aqui está parecido com São Paulo”, lembra. Mesmo diante da forte seca, os moradores não perdem a esperança de que comece a chover em Roraima.

Incêndios no Estado

Incêndios ameaçam animais de produtores. Foto: Jaqueline Pontes/ Portal Amazônia

Além da forte estiagem, os roraimenses enfrentam os frequentes incêndios causados pela seca. De acordo com a Defesa Civil de Roraima, cerca de 40 focos de incêndios foram apagados no interior do Estado somente no mês de fevereiro. As queimadas ilegais de produtores rurais complicam ainda mais a situação, conforme a Defesa Civil.

O município de Cantá ainda não entrou na lista das cidades em estado de emergência decretado pelo Governo de Roraima há mais de uma semana. No entanto, a situação é critica no município. Os moradores enfrentam frequentes focos de incêndios devido ao tempo seco em toda a região.

A reportagem do Portal Amazônia presenciou um incêndio em uma serra do Cantá que avança e ameaça a plantação e criação de animais de alguns produtores que moram próximo ao local do incêndio. Conforme os moradores, a serra tem fogo há 15 dias e até o momento continua a aumentar a proporção.

Incêndio pode atingir animais. Foto: Jaqueline Pontes/ Portal Amazônia

O pecuarista, Felipe Francisco, conta que o gado está bem próximo ao fogo e se torna preocupante. “Tenho medo. Se o fogo chegar no capim perde todo o gado e toda a plantação”, disse. Francisco afirma que não pode fazer nada para evitar que o fogo chegue ao pasto, mas que está de olho na esperança de que o incêndio pare de avançar.

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