Cavernas em Rondônia: conheça a Caverna Dourada, em Porto Velho

Portal Amazônia

Caverna é formada de laterito e tem cerca de 35 metros de extensão. Chegar até a cavidade não é uma tarefa fácil, confira a aventura:

PORTO VELHO – Na última matéria da série sobre as Cavernas em Rondônia, o Portal Amazôniarevela uma das cavidades encontradas em Porto Velho. O geólogo, Amílcar Adamy, da Companhia de Pesquisas de Recursos Minerais (CRPM) acompanhou a nossa equipe até a Caverna Dourada. Saindo do Centro até o local são cerca de 15 km pela BR-364, sentido Cuiabá, e mais cerca de 10 km em estrada sem asfalto.

Caverna Dourada, em Porto Velho. Foto: Reprodução/Geodiversidade de Rondônia

A caminhada segue por dentro da mata por aproximadamente 150 metros, em uma trilha no ramal do Boto. É preciso ter cuidado para descer um barranco íngreme. ‘‘É uma caverna com a extensão aproximada de 35 metros, instalada em uma encosta de um pequeno igarapé. A trilha até a caverna foi aberta recentemente. Quando nós conhecemos essa caverna, há alguns anos, as referências eram outras. A região era pouco habitada, agora houve a expansão da ocupação e tivemos que encontrar outra referência para chegar no local’’, afirma o geólogo.

Trilha de cerca de 150 metros até a Caverna Dourada.Foto: Vanessa Moura/Portal Amazônia

A caverna é uma resistente das mudanças pelas quais a região passou. ‘‘Ela fica em vegetação que não é nativa, de capoeira rejuvenescida. Isso porque a floresta de vegetação tropical nativa já foi erradicada. É uma mata que está sendo objeto de uma recuperação natural. Aqui acredito que tenham animais de pequeno porte como roedores. Talvez os maiores que possam ser encontrados são pacas, cutias. Animais de grande porte já não tem mais por aqui’’, afirma.

Esculpida pela natureza

Enfrentar o percurso até a caverna requer cuidados. ‘‘Você tem que estar com vestimenta adequada: camisa longa, um calçado adequado tipo bota e uma calça tipo jeans. E para as pessoas que tenham alergia a insetos é preciso usar repelente. Ingressar na mata, ter contato direto é uma experiência nova que as pessoas devem ter’’, avalia. Todo o esforço e obstáculos até a caverna é compensado com a escultura esculpida por milhares de anos pela própria natureza.

Entrada da caverna Dourada, próximo ao igarapé. Foto: Vanessa Moura/Portal Amazônia

A caverna é úmida devido ao local onde está inserida e também pelo tipo de material geológico. “Próximo à entrada da caverna temos o igarapé que deságua no rio Candeias, localizado a 500 metros daqui. Ele sempre tem um pequeno fluxo de água porque a rocha que estamos, o laterito, é uma rocha porosa que conserva a água mesmo durante a estação seca’’, explica.

Ao contrário de outras cavernas, a Dourada foi conhecida há poucos anos. ‘‘Essa aqui é uma cavidade conhecida há pouco tempo e o próprio contexto geológico não levava a existência de cavernas. São fatos novos que estão acontecendo na área rural de Porto Velho que podem agregar valor para fins turísticos’’, considera.

Geólogo explica que a caverna Dourada é formada por lateritos. Foto: Vanessa Moura/Portal Amazônia

O geólogo não soube precisar quanto tempo tem a caverna Dourada, mas ela já passou por ações da natureza. ‘‘É um processo na rocha que já tem muitos anos do ponto de vista geológico. A ação fluvial durante muito tempo percorrendo as fraturas que existem na rocha foram formando essas cavidades dentro do laterito. Como estamos em estação de chuva podemos ver a infiltração de água cair dentro da caverna por isso o piso fica mais escorregadio em função da água que fica drenando pelos poros da rocha’’, destaca.

Erosão fluvial

A caverna não possui ramificações. Há apenas um caminho, ora é possível fica de pé, em outras o percurso só é possível se a pessoa ficar agachada. Quanto mais a caverna é adentrada o espaço vai afunilando. ‘‘A origem desta caverna está associada ao processo de erosão fluvial. A água que cai dentro desta caverna vai provocando a erosão. A incidência do processo fluvial vai diminuindo a medida que penetra. Então a medida que você vai adentrando na caverna a extensão dela lateral também vai diminuindo’’, explica o geólogo.

Dentro da caverna, em alguns trechos é possível ficar de pé e em outros sé precisa agachar para seguir o percurso.Foto: Vanessa Moura/Portal Amazônia

A parede da Caverna Dourada é áspera. ‘‘Nós temos o laterito. A rocha laterítica ela tem um perfil que é horizonte mosqueado colunar onde a rocha já conseguiu uma consistência maior. Se torna mais resistente a intemperismo e é uma rocha bastante utilizada na indústria civil como revestimento de estradas e encascalhamento de ruas. São paredes irregulares, rugosas denotando que não existe nenhuma ação do homem na formação da caverna, ou seja, puramente natural’’, afirma.

 Pegada de roedores dentro da caverna Dourada. Foto: Vanessa Moura/Portal Amazônia

A irregularidade da caverna também é percebida no chão da cavidade. ‘‘O piso totalmente irregular mostra a ação da água. Não tem ação antrópica alguma na formação desta caverna’’, aponta. No chão da caverna também a buracos feitos por animais. ‘‘São cavidades devido a ação de animais que buscam abrigo dentro da caverna, roedores como a paca ou outros animais em processo de fuga, explica.

 Final da caverna Dourada.Foto: Vanessa Moura/Portal Amazônia

Turismo

Roedores que acabam compartilhando o espaço com morcegos e insetos que vivem na Caverna Dourada. Para o geólogo, a caverna poderia ser um atrativo turístico de Porto Velho. ‘‘Como nós não temos próximo a Porto Velho cavernas mais longas, então essa com 35 metros, ela pode servir como atrativo para as pessoas visitarem e que não despediria um recurso muito grande para se deslocar. Mas é evidente que deveria ter uma infraestrutura melhor, uma iluminação artificial no interior da caverna e procurar regularizar alguns pontos que estão difíceis de percorrer, mas é possível a utilização de cavernas como atrativos de lazer como acontece em outros lugares’’, avalia.

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