O Brasil tem de saber que a agroecologia é possível, afirma Dilma

Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

A presidenta participou da 12°Festa da Colheita do Arroz Agroecológico, no Rio Grande do Sul

21/03/2015

Brasil de Fato

A presidenta Dilma Rousseff disse, nessa sexta-feira (20), que a sociedade brasileira precisa saber que a agroecologia é possível como modelo de produção no país. Ela participou da 12°Festa da Colheita do Arroz Agroecológico, nos Assentamentos Integração Gaucha e Lanceiros Negros, em Eldorado do Sul, região metropolitana de Porto Alegre (RS).

“O Brasil tem de saber que isso é possível. Falo da abertura oficial da colheita desse arroz agroecológico e mostro, ao falar disso, uma estrutura que está baseada nos assentados da reforma agrária que mostra a qualidade e as possibilidades que um assentamento de reforma agrária tem para o Brasil”, declarou às mais de 5 mil famílias assentadas do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) gaúcho.

Ela acrescentou que a “agricultura familiar baseada em assentamentos da reforma agrária é um alto negócio para as famílias e para o país”. A presidenta elogiou ainda a nova estrutura da unidade de secagem e armazenagem de arroz da Cooperativa dos Trabalhadores em Assentamos da Região de Porto Alegre (Cooptap), com capacidade para 80 mil sacas.

A nova unidade teve financiamento de R$ 3,4 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por meio do programa Terra Forte do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

De acordo com o MST, atualmente, a maior produção de arroz orgânico do país é oriunda dos assentamentos gaúchos, que possuem uma área cultiva de 4 mil hectares, envolve mais de 450 famílias, em 14 assentamentos. A meta da na safra de 2015 é atingir a produção de 443 mil sacas.

“Estou aqui saudando três pilares, que estruturam a reforma agrária. Primeiro, a existência de trabalhadores, agricultores e agricultoras, de famílias que se organizaram em cooperativas; segundo, que não ficaram só na produção e que estão apostando em algo muito importante que é a produção agroecológica, perto de uma grande metrópole como é Porto Alegre. E portanto, criaram não só a produção, mas o beneficiamento, armazenagem, o ensacamento e como estava dizendo para mim o presidente da cooperativa, aqui onde nós estamos vai ser a indústria, o que é muito simbólico, nós estamos justamente em cima do lugar onde vai ser construída essa indústria”, disse a presidenta.

Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Reforma Agrária

Para o coordenador nacional do MST no Rio Grande do Sul, Cedenir de Oliveira, a festa da colheita do arroz agroecológico não é somente uma conquista das famílias assentadas, mas a reafirmação da necessidade da Reforma Agrária Popular, pois demonstra que somente a partir desse modelo é possível produzir alimentos orgânicos e de qualidade, também em grande escala.

“Essa forma de produção de arroz agroecológico representa uma das maiores experiências de cooperação agrícola do país, em que as famílias assentadas coordenam toda a cadeia produtiva”, explicou o coordenador estadual do setor de produção do MST, Pardal Martins.

O modelo de produção adotado pelas famílias assentadas engloba um conglomerado econômico com vários níveis de cooperação: produção agrícola, agroindustrialização e comercialização. Segundo Martins, possui um processo inovador de gestão, coordenado por um Grupo Gestor que organiza as famílias produtoras em grupos de bases, como grupos de produtores e cooperativas coletivas.

Histórico

O arroz agroecológico começou a ser cultivado em 1999 nos assentamentos de Reforma Agrária da região metropolitana de Porto Alegre.

A comercialização do produto é coordenada pela Cooperativa dos Trabalhadores Assentados da Região de Porto Alegre (Cootap), responsável pela inserção desse produto no mercado, e que detém a marca comercial “Terra Livre”.

A maior parte da produção de arroz é comercializada no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o restante no mercado convencional, em supermercados e redes, como a rede Pão de Açúcar.

Desde 2004, o arroz recebe o certificado de produto orgânico com base em normas nacionais e internacionais, em todas as etapas da cadeia produtiva.

O MST informou que, atualmente, 13.400 mil famílias estão assentadas no Rio Grande do Sul, vivendo em mais de 300 assentamentos de reforma agrária.

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