O rei sodomizado? Sim! “É liberdade de expressão”

Diário de Notícias

O rei sodomizado? Sim! "É liberdade de expressão"

A exposição foi cancelada. Mas depois da polémica reabriu. E está a ser um sucesso. Tudo por causa da escultura que representa Juan Carlos sodomizado pela ex-líder ativista boliviana Domitila Barrios de Chúngara.

Quarta-feira, 18 de março. O Museu de Arte contemporânea de Barcelona [Macba] decide cancelar a exposição internacional coletiva “A besta e o Soberano“. A escultura da austríaca Ines Doujak era demasiado “sensível”.

“Este conteúdo não deve estar no museu”, explicava o diretor do Macba, Bartomeu Marí, que não tinha conseguido chegar a acordo com os comissários da exposição (dois deles da equipa do próprio museu) para que a peça de arte fosse excluída da exposição. Sem acordo, a decisão é anunciada. Não haverá exposição. “Em 25 anos de carreira nunca vi uma coisa assim. Não conhecia, como deveria conhecer, os detalhes da exposição”, lamenta Mari citado pelo El Mundo.

Está lançada a polémica. Horas depois a ‘censura’ da “obra de Ines Doujak corre como pólvora pelos meios de comunicação social e pelas redes sociais” e surgem apelos para que o diretor do museu seja demitido. Em carta aberta, Bartomeu Marí coloca o lugar à disposição.

Sexta-feira, 20 de março. O diretor do Macba volta atrás na decisão. “Se inicialmente pensei que a exclusão da obra de Ines Doujak ou o cancelamento da exposição protegeria o Macba como instituição cultural dedicada ao serviço público, também verifiquei que as consequências dessa decisão eram contrárias ao desejado.” A pressão pública tinha ganho a batalha. “Decidi que “A Besta e o Soberano” estará acessível ao público a partir de sábado, 21 de março”, anuncia o diretor do museu.

E as acusações de censura? Bartomeu Marí recusa a ideia. Apenas um “desacordo sobre a presença de uma obra concreta” e a análise dos efeitos que “possíveis leituras” poderiam ter.

Sábado, 21 de março. A exposição é um sucesso. Recebeu quase mais 50% de visitantes do que o habitual. “Na Europa não podemos mobilizarmo-nos contra os atentados ao Charlie Hebdo, reivindicar liberdade de expressão e criticar o terrorismo do Estado islâmico, e depois cancelar esta exposição porque há uma caricatura do Rei”, lamenta um dos comissários de “A Besta e o Soberano” que compara a escultura de Juan Carlos a outra que está numa sala ao lado.

“Não vejo diferença entre a virgem dos maricas – “Sagrado corazón de marica” de Ocaña, de 1982 – que subverte a cultura católica, e esta peça de Doujak [Indumentaria inapropiada para conquistar /Haute Couture 04 Transport]“, afirma o comissário espanhol, citado pelo El mundo, que na quarta-feira tinha entrado em conflito com o diretor do Museu.

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