Biblioteca Nacional e IMS lançam portal com 2,3 mil fotos históricas

Brasiliana Fotográfica reúne acervos das duas instituições referentes a meados do século XIX e início do XX

Secretaria da Cultura do Riod e Janeiro

Vista de Botafogo em 1880. Acervo IMS  (Crédito: Marc Ferrez)
Avenida Paulista em 1902. Acervo da FBN
Panorama de Manaus, com o Teatro Amazonas ao fundo na foto de 1896, do acervo do IMS
Missa celebrada em São Cristóvão em ação de graças pela abolição da escravatura no Brasil. Acervo do Instituto Moreira Salles
O imperador D. Pedro II, em foto de 1883. Acervo da Fundação Biblioteca Nacional
Retrato de um menino índio do Mato Grosso, 1880

Um retrato feito por Marc Ferrez mostra um menino índio do Mato Grosso, em 1880. Em outro, de Joaquim Insley de Pacheco, é possível observar o imperador, D. Pedro II, descansando sob a sombra das árvores em 1883, ao passo que, na imagem de Luiz Antônio Ferreira, a missa no Campo de São Cristóvão em comemoração à abolição do regime escravocrata, em 1888, ganha destaque. Desde a última sexta-feira, 17 de abril, os internautas podem acessar estas e outras 2,3 mil imagens de meados do século XIX e das três primeiras décadas do século XX, todas pertencentes aos acervos da Fundação Biblioteca Nacional (FBN) e do Instituto Moreira Salles (IMS), no portal Brasiliana Fotográfica.

A iniciativa, pioneira no Brasil, foi proposta pelo presidente da FBN, Renato Lessa, e pelo superintendente executivo do IMS, Flávio Pinheiro. Da primeira, destaca-se a Coleção D. Teresa Cristina Maria, com mais de 21 mil imagens do Brasil, Europa, África e América do Norte, reunidas pelo imperador D. Pedro II. Entre os principais fotógrafos desta coleção estão Marc Ferrez (1843 – 1923), um dos maiores nomes da fotografia nacional, e o alemão Revert Henry Klumb (1830 – 1886), professor de fotografia da Princesa Isabel, tendo feito inúmeros estereogramas (fotografia estereoscópica, em 3D) da cidade do Rio de Janeiro.

“O governo da França anunciou que doava a patente da fotografia à Humanidade em agosto de 1839 e, em dezembro, apenas quatro meses depois, já chegava ao Brasil o navio escola francês em que o capelão operava equipamentos de daguerreotipia. Em janeiro de 1840, ele fez uma demonstração para D. Pedro, que ainda não era imperador, e ele ficou fascinado, dando início a sua coleção. Das coleções de governantes do século XIX, nenhuma tem a abrangência da de D. Pedro II. Ele era interessado por todos os temas e todos os assuntos”, diz Joaquim Marçal, pesquisador da Divisão de Iconografia da FBN e curador do portal ao lado do coordenador de fotografia do IMS, Sérgio Burgi.

Do IMS, por sua vez, destacam-se as coleções Gilberto Ferrez, Brascan 100 Anos no Brasil, Pedro Corrêa do Lago, Dom João de Orleans e Bragança e Mestres do Século XIX, com imagens que mostram o processo de revitalização urbana das principais capitais do país, como Rio de Janeiro, São Paulo, Manaus, Recife e Salvador, reunindo nomes como o do suíço Georges Leuzinger (1813-1892), do francês Theophile Auguste Stahl (1828-1877) e do brasileiro Ferrez.

“Em princípio, a nossa preocupação foi buscar imagens que contemplassem o maior número possível de lugares e de regiões do nosso país. Propomos também a diversidade temática, com fotos que mostrassem diferentes situações e que atendessem a diferentes campos do conhecimento. Do Rio, temos de tudo um pouco: as vistas da cidade, bastante da evolução urbana, inclusive com questões que, até hoje, estão em pauta, como a água, que tanto nos preocupa. Temos uma galeria que o Sérgio Burgi fez, para que as pessoas possam ‘passear’ pelas ruas da cidade e observar como tudo mudou e evoluiu. De São Paulo, tem uma série muito bonita, do Guilherme Gaensly, um fotógrafo muito importante, e do Militão Augusto de Azevedo, o primeiro fotógrafo que documentou a cidade paulista de uma maneira sistemática”, afirma Marçal.

Conhecendo o portal

Ao clicar em Acervo, a fim de começar uma viagem pelo tempo, o portal propõe ao internauta diferentes galerias com base em datas, autor das fotos, assunto e local, apresentando como destaques as sessõesRetratos, Reprodução Fotomecânica e Cenas de Rua. Graças ao processo de digitalização das imagens em alta resolução, é possível observar detalhes que passariam despercebidos a olho nu.

“Esse portal possibilita a qualquer pessoa, independente de idade e formação, mergulhar nessas imagens que contam muito da nossa história, dos nossos valores. Qualquer um que entra ali é capaz de se entender e manejar aquelas fotos. A alta resolução e o zoom possibilitam entrar nas imagens como nem a olho nu a gente consegue. É uma coisa bacana da tecnologia digital, cada um vai fazer o seu passeio com o seu olhar, o que é um dos atributos máximos do portal”, afirma Marçal.

A ideia é que, daqui para frente, outras instituições do Brasil e do mundo contribuam com o portal, enriquecendo ainda mais o acervo disponibilizado. “A ideia é essa, que mais e mais instituições, seja do Brasil, seja do exterior, possam se associar ao portal, trazendo amostras de seu próprio acervo. Também queremos convidar curadores que façam galerias, escrevam e comentem as fotos do ponto de vista do seu conteúdo. Pode ser um historiador social, um médico, enfim, qualquer pessoa. A gente quer que diferentes pessoas extraiam dessas fotos o que interessa a elas, independente do campo em que atuem”, diz o curador para, em seguida, comentar a periodicidade e os temas abordados no portal.

“Queremos refletir e contar a história da própria fotografia, mas de uma maneira comedida, porque o que mais queremos é falar do Brasil, da sociedade, das questões urbanísticas, ecológicas, sociais e etnográficas. A gente quer convidar um curador a cada dois meses para fazer pelo menos quatro comentários, um a cada quinze dias. Fora isso, eu, como curador da BN, tenho que fazer um comentário por mês, assim como o Sérgio Burgi. O portal vai ter um animador, que vai começar a atuar a partir da semana que vem, fazendo posts toda semana sobre as efemérides, as datas importantes. Toda semana, esse portal vai ter pelo uma novidade, seja um comentário novo ou uma galeria nova. A tendência é que fique cada vez mais interessante”, conclui.

Colaboração de Danielle Veras

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