Regime sírio nunca esteve tão próximo de um colapso

Combatentes do Estado Islâmico hasteiam bandeira nas ruas desertas de Ramadi, capital da província iraquiana de Al-Anbar, no dia 18 de maio de 2015.

Combatentes do Estado Islâmico hasteiam bandeira nas ruas desertas de Ramadi, capital da província iraquiana de Al-Anbar, no dia 18 de maio de 2015.

AFP PHOTO / HO / AAMAQ NEWS AGENCY

Em cerca de 10 meses e mais de 4 mil ataques contra o grupo Estado Islâmico, a coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos não conseguiu barrar o avanço dos jihadistas na Síria e no Iraque. Muito pelo contrário, as perdas de Ramadi, no Iraque, e Palmira, na Síria, foram emblemáticas da impotência da coalizão em conter os extremistas. Bem ou mal, o Iraque segue com suas fraturas internas. A Síria já inspira uma preocupação imediata, já que o regime de Bashar al-Assad nunca esteve tão próximo de um colapso.

Tariq Saleh, correspondente da RFI em Beirute

Diante desse impasse, ministros de 24 países se reúnem nesta terça-feira (2) em Paris para discutir uma estratégia a ser adotada contra militantes do Estado Islâmico. Representantes de ONGs internacionais também estarão presentes. O encontro na França acontece em meio a fortes pressões internas contra os governos sírio e iraquiano pelas derrotas recentes frente aos jihadistas. Políticos e cidadãos árabes se mostram cautelosos e céticos em relação ao encontro. Há dúvidas se diferentes interesses poderão ser contemplados em uma estratégia única contra o Estado Islâmico.

Além da guerra contra o Estado Islâmico, outra preocupação é o aumento de milícias xiitas na luta contra o grupo terrorista em regiões de populações sunitas no Iraque. Alguns governos árabes e ocidentais temem que a presença de forças xiitas aumente a tensão sectária no país.

Interesses difíceis de conciliar

Os países europeus têm um plano próprio para conter o recrutamento de seus cidadãos por grupos islamitas. Já os Estados Unidos lideram uma coalizão com bombardeios aéreos que trouxeram poucos resultados concretos. Países como Árabia Saudita e Turquia vêm financiando grupos rebeldes que lutam contra o governo na Síria, ao mesmo tempo em que apoiam a luta contra o Estado Islâmico. O Iraque usa milícias treinadas e apoiadas pelo Irã em sua própria guerra territorial contra os militantes islamitas, uma estratégia que desagrada aos países ocidentais e aos governos saudita e turco.

Pela primeira vez, esses diferentes atores podem chegar a um consenso e a uma estratégia mais unificada e consistente para enfraquecer o Estado Islâmico.

A perda de Ramadi, no Iraque, foi um duro golpe para o primeiro-ministro iraquiano, Hader al-Abadi. O governo e as Forças Armadas iraquianas enfrentam muitas críticas pela falta de uma estratégia clara de combate, incluindo a falta de motivação e treinamento adequado do exército. O governo iraquiano também enfrenta suspeita de corrupção nos recursos destinados ao treinamento das tropas e compra de equipamentos militares, que teriam sido desviados.

A população sunita, por sua vez, acusa o governo, amplamente dominado por xiitas, de marginalizar a comunidade sunita no país, levando parte dessas populações a simpatizarem com o Estado Islâmico. O uso de milícias xiitas em várias regiões sunitas para combater o grupo islamita desagrada essas comunidades. As milícias são acusadas de cometer crimes de vingança contra populações sunitas.

Regime de Assad perto de um colapso

Na Síria, destruída por quatro anos de guerra civil, o contexto é ainda mais caótico. Palmira representava não apenas uma posição estratégica, mas também de interesse econômico, já que há grandes reservas de gás natural na região, vitais para a economia de cidades sob controle do governo. A perda de Palmira coloca o regime sírio na obrigação de comprar gás natural do Estado Islâmico.

A queda de Palmira é mais um capítulo na série de derrotas militares que o governo sírio sofreu nos últimos dois meses, com perdas territoriais também para grupos rebeldes – no norte, em Idlib e Jisr al-Shogour.

As recentes derrotas do regime sírio eram impensáveis até um ano atrás. O governo de Bashar al-Assad estava até ganhando a guerra, beneficiado pela divisão entre os vários grupos rebeldes. Mas o aumento do poder do Estado Islâmico, a unificação de outros grupos rebeldes, e o apoio financeiro e de armas ao Exército Livre da Síria revertou a situação.

Hoje, o presidente Assad está mais acuado do que nunca. Analistas da região acreditam que falta pouco para o regime sírio entrar em colapso, o que poderia acontecer a qualquer momento, devido a dissidências internas provocadas pelas derrotas militares.

Estados Unidos mantêm hegemonia dividindo inimigos e aliados

Os Estados Unidos não querem mais intervir em todos os conflitos.

Os Estados Unidos não querem mais intervir em todos os conflitos.

Reuters/Gene Blevins
Alfredo Valladão

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Ashton Carter, não brincou em serviço. Durante a conferência anual do Diálogo de Shangri-La, ele foi curto e grosso. Primeiro, intimando a China a cessar as provocações no Mar da China meridional com a construção de bases militares em pequenos arrecifes reivindicados por vários outros países da região. Segundo, reafirmando o papel “crucial” da marinha americana na região e a determinação de continuar navegando e sobrevoando livremente qualquer pedaço de território considerado águas internacionais, queira ou não Pequim. Um aviso explícito e duro imediatamente aplaudido pelo Reino Unido, a União Europeia, Singapura, Austrália e a própria associação dos países do sudeste asiático – a Asean. Eles pedem em coro que a China aceite um código de conduta para aliviar as tensões nas águas em disputa.

O tempo está cada dia fechando mais na Ásia oriental e mais uma vez a administração Obama aproveitou para explicar a sua doutrina em matéria de política internacional. Essa pode ser resumida de maneira simples: os Estados Unidos não vão se retirar do mundo ou voltar para o seu tradicional isolacionismo, mas também não vão mais intervir diretamente a torto e a direito. Tropas americanas terrestres só entrarão em conflitos diretos no caso em que os interesses americanos “vitais” estiverem ameaçados. Quando se tratar só de interesses “estratégicos” locais, a responsabilidade é das potências regionais. E não contem com a velha cavalaria americana que vem salvar todo mundo no fim do filme. No máximo poderão ter alguma ajuda da aviação e da marinha do Tio Sam, e, mesmo assim, quando convier aos interesses da Casa Branca. Chegou a vez dos principais interessados e aliados em cada região de arriscar guerras e morrer combatendo. Que se virem!

Os últimos acontecimentos no Oriente Médio ilustram perfeitamente essa “doutrina Obama”. Ashton Carter declarou que é perfeitamente possível derrotar os terroristas do dito “Estado Islâmico” ou Daesh em árabe. Mas que “mantê-lo derrotado” é trabalho para o pessoal que vive na região. Foi mais uma resposta ao coro dos desanimados após os últimos avanços do Daesh em Palmira e Ramadi, que reclamam aos brados uma intervenção terrestre das tropas americanas. São os mesmos que não são capazes de se entender e montar uma força combatente eficaz e ao, mesmo tempo, denunciam o “imperialismo americano”. E não é só o governo iraquiano, as monarquias do Golfo e os europeus que choramingam. Até os iranianos começaram a reclamar da ausência do Grande Satã na batalha campal contra os terroristas islâmicos. Mas pelo visto Washington não está nem aí.

Prioridade de Obama é o Irã

A prioridade de Obama é chegar a um acordo com Teerã para congelar o programa nuclear dos aiatolás e, ao mesmo tempo, reduzir drasticamente o poder político-militar do Irã na região. Por enquanto, um Daesh ameaçador mas não vencedor pode ser um instrumento muito interessante para enfraquecer os dois pilares do poderio iraniano no Oriente Médio: as autoridades xiitas de Bagdá e o regime de Bashar al-Assad na Síria, sustentado pela milícia xiita libanesa armada e “aconselhada” pela Guarda Revolucionária iraniana. Travar a aventura nuclear de Teerã e obrigar os aiatolás a abandonarem Assad é o sonho de consumo da Casa Branca.

Um sonho, aliás, que merece bem uma pequena concessão a Moscou, o outro grande aliado de Bashar. Recentemente, representantes americanos resolveram afrouxar um pouquinho a pressão sobre Putin. O objetivo é obter o apoio de Moscou às negociações com o Irã e convencer o Kremlin a abandonar Assad. Em contrapartida, deixar a invasão russa da Ucrânia na surdina, se os russos cumprirem a promessa de cessar-fogo. Pelo visto, a ideia não é tão improvável, já que a Rússia parece já estar se retirando da Síria.

Tudo isso não é nada mais nada menos do que a velha geopolítica de manter a hegemonia equilibrando e dividindo inimigos e aliados. Obrigando uns e outros a compartilhar o peso da manutenção da ordem nos seus espaços regionais. Tanto na Ásia-Pacífico, quanto no Oriente Médio, na Europa ou na África. Acabou o “almoço de graça”. Só que o preço para o resto do mundo pode rapidamente tornar-se exorbitante.

Alfredo Valladão, do Instituto de Estudos Políticos de Paris, escreve às terças-feiras para a Rádio França Internacional. 

Polícia desmantela acampamento de 350 imigrantes em Paris

Acampamento improvisado pelos imigrantes na linha dois do metrô parisiense.

Acampamento improvisado pelos imigrantes na linha dois do metrô parisiense.

REUTERS/Benoit Tessier
RFI

A polícia francesa iniciou nesta terça-feira (2) o desmantelamento do acampamento de cerca de 350 imigrantes que tinham se instalado sob os trilhos suspensos da linha 2 do metrô parisiense, perto das estações de La Chapelle e Gare du Nord. As autoridades justificam a desocupação forçada dos estrangeiros alegando falta de saneamento e de condições mínimas de higiene no local. Instalados há vários meses em situação precária, os imigrantes viviam sem banheiros e chuveiros.

A operação policial foi minuciosamente preparada. Durante o fim de semana, agentes públicos pregaram cartazes nas redondezas da linha 2 do metrô alertando sobre o desmantelamento iminente do acampamento. A maioria dos imigrantes ainda estava dormindo nas barracas quando a polícia cercou o bairro, esta manhã, e deu prazo de 48 horas para eles deixarem o local. Alguns serão encaminhados para centros de acolhimento públicos; para outros, a única alternativa será ficar circulando pela cidade.

Os imigrantes de La Chapelle vêm na maioria de países da África em situação de forte instabilidade política, como Líbia, Eritreia, Somália, Sudão e Egito. A maioria são homens jovens, mas algumas famílias com crianças tinham encontrado refúgio sob os trilhos do metrô. Cerca de 20 moradores do bairro acompanharam a ação policial, segurando cartazes em que pediam “solidariedade com os refugiados”, “documentos para todos” ou “um teto para todos”.

Recenseamento

Na semana passada, autoridades e associações de defesa dos imigrantes recensearam os ocupantes do acampamento. Cerca de 160 pessoas preenchem os critérios para pedir asilo político na França; outros 200 imigrantes estão em trânsito. Eles querem ir para o Reino Unido ou para outros países do norte da Europa.

O acampamento de La Chapelle começou a se formar no verão passado, mas cresceu subitamente em abril deste ano, quando milhares de imigrantes começaram a chegar em países do sul do continente, principalmente Grécia e Itália, atraídos pelas ofertas de atravessadores e pelas condições favoráveis de travessia do Mar Mediterrâneo.

Le campement de migrants du métro La Chapelle, à Paris,

REUTERS/Benoit Tessier

Na quarta-feira, o secretário de Segurança Pública de Paris, Bernard Boucault, disse que determinaria a retirada dos imigrantes porque havia risco de epidemias de sarna e diarreia. Ele também justificou a medida pelas “brigas frequentes” entre grupos de nacionalidade diferente e “tráficos variados”. Sem documentos para trabalhar, os imigrantes sobreviviam com a ajuda de pessoas do bairro, associações caritativas ou pedindo esmola.

As autoridades garantem que a maioria imigrantes retirados do acampamento vão receber propostas de alojamento. A prefeitura de Paris informou que vai abrigar em seus estabelecimentos 74 pessoas. As famílias com mulheres e crianças serão encaminhadas a uma estrutura específica do Serviço Social do Estado (Cada). Os demais provavelmente formarão um novo acampamento em outro ponto da cidade.

Operação policial em Calais

A situação em Paris ainda é menos crítica do que em Calais (norte), porto de passagem entre a França e a Grã-Bretanha. Um número flutuante de imigrantes, estimado em 2 mil a 3 mil pessoas, acampa em terrenos baldios e bosques nos arredores da cidade à espera de uma oportunidade de atravessar clandestinamente o Eurotunel, sob o canal da Mancha.

Esta manhã, a polícia desmantelou dois acampamentos de imigrantes na cidade, depois que uma briga violenta, ontem, envolvendo 200 clandestinos, deixou 24 feridos em Calais.

60% dos integrantes do grupo Estado Islâmico são estrangeiros

O jihadista francês Maxime Hauchard, de 22 anos, identificado no ano passado em um dos vídeos do grupo Estado Islâmico.

O jihadista francês Maxime Hauchard, de 22 anos, identificado no ano passado em um dos vídeos do grupo Estado Islâmico.

DR.
RFI

O primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, declarou na manhã desta terça-feira (2) que o grupo Estado Islâmico conta cada vez mais com combatentes estrangeiros, número superior até mesmo ao de iraquianos. O alerta foi feito durante a reunião da coalizão internacional em Paris, que tem o objetivo de revisar a estratégia diante dos últimos avanços dos jihadistas no Iraque e na Síria.

Na coletiva de imprensa que concedeu nesta manhã, Al-Abadi declarou: “o grupo Estado Islâmico está criando uma nova geração de soldados fiéis e endoutrinados”. Ele classificou a questão como “um problema internacional”. Cerca de 60% dos integrantes da facção seriam estrangeiros, lembrou o primeiro-ministro iraquiano.

Al-Abadi também denunciou o fracasso da comunidade internacional na luta contra os jihadistas. Para ele, os ataques aéreos contra as posições da organização terrorista não são suficientes. Ele reclamou da falta de informações e da presença de soldados da coalizão no terreno para frear o avanço dos jihadistas.

Representantes de vinte e quatro países e de organizações internacionais estão participando do encontro em Paris. A reunião é presidida pelo ministro francês das Relações Exteriores, Laurent Fabius, e pelo premiê iraquiano. O secretário de Estado americano, John Kerry, que também dirigiria as conversas, teve que cancelar sua participação após fraturar o fêmur em um acidente de bicicleta, no final de semana, na França.

Irã apoiará Al-Assad até o fim

O presidente iraniano, Hassan Rohani, criticou duramente nesta terça-feira os erros de cálculo dos países que apoiam a rebelião síria. Ele afirmou que Teerã apoiará o regime de Bashar al-Assad até o fim do conflito.

“Após quatro anos de resistência e perseverança, os planos dos inimigos da Síria, que pensavam em dominar este país em alguns meses, ruíram”, afirmou Rohani.

“Infelizmente, alguns países da região fizeram erros de cálculo e pensam que os grupos terroristas sempre estarão em condições de alcançar seus objetivos: no entanto, cedo ou tarde eles também sofrerão a praga do terrorismo”, acrescentou, segundo um site do governo iraniano.

O Irã é o maior aliado regional do regime sírio, a quem fornece um importante apoio militar e financeiro em um conflito que já deixou mais de 220 mil mortos desde seu início, em março de 2011.

Assim como Damasco, a república islâmica considera os rebeldes sírios como terroristas e acusa os países ocidentais, a Turquia e alguns países árabes do Golfo de financiar grupos radicais como o Estado Islâmico (EI) ou a Frente al-Nosra, o braço local da Al-Qaeda.

Fifa nega implicação de Valcke em transferência de US$ 10 milhões

RFI

O secretário-geral da Fifa, Jerôme Valcke.
O secretário-geral da Fifa, Jerôme Valcke. REUTERS/Cathal McNaughton/

Na manhã desta terça-feira (2), a Fifa reconheceu, por meio de um comunicado, ter efetuado uma transferência de US$ 10 milhões “para um projeto de desenvolvimento do futebol no Caribe”, conforme revelou o jornal New York Times. A federação garante, no entanto, que nem o secretário-geral da entidade, Jerôme Valcke, nem outro membro da cúpula estão envolvidos no escândalo.

Devido às denúncias do envolvimento de Valcke no escândalo, a Fifa anunciou que o francês não participará da abertura da Copa do Mundo de Futebol Feminino no Canadá, que começa no próximo sábado.

De acordo com o jornal norte-americano New York Times, entre janeiro e março de 2008, Valcke teria autorizado transferências de US$ 10 milhões, feitas em três parcelas, como propina ao ex-vice-presidente da organização e ex-presidente da Concacaf Jack Warner. Ele é um dos 14 indiciados pela Justiça norte-americana na semana passada. Sete deles estão presos na Suíça, entre eles o ex-presidente da CBF José Maria Marin. Warner não está na prisão porque pagou uma fiança milionária em seu país, Trinidad e Tobago.

Os US$ 10 milhões teriam sido solicitados pelo próprio Warner para que ele votasse na África do Sul na eleição para a sede da Copa do Mundo de 2010. Segundo o New York Times, essas transações seriam o elemento central do escândalo de corrupção na Fifa e seus dirigentes.

Ontem, um porta-voz da federação havia declarado que as transações foram autorizadas pelo então presidente do Comitê de Finanças na época, o argentino Julio Grondona, que morreu no ano passado.

Valcke nega acusações

Até o momento, o nome de Valcke não foi citado como réu ou acusado, mas, segundo o jornal americano, ele é o “alto responsável” não identificado, descrito na denúncia feita ao Tribunal Federal do Brooklyn, que teria autorizado a transferência para Warner. Em um e-mail que enviou ao jornal, o secretário-geral da Fifa nega as acusações.

Apesar de negar qualquer envolvimento com o escândalo de corrupção e lavagem de dinheiro na Fifa, o recém-reeleito presidente da federação, Joseph Blatter, vê as denúncias se aproximarem de seu círculo próximo.

Sobrevivente relata noite de horror após naufrágio no rio Yangtsé

Marinheiro regastado do navio que afundou no rio Yangtse é encaminhado a um hospital em Jingzhou, na província de Hubei, China, 2 de junho de 2015.

Marinheiro regastado do navio que afundou no rio Yangtse é encaminhado a um hospital em Jingzhou, na província de Hubei, China, 2 de junho de 2015.

REUTERS/Stringer CHINA OUT
RFI

O guia turístico Zhang Hui, um dos poucos sobreviventes do navio chinês que naufragou na segunda-feira (1) no rio Yangtsé, com 458 pessoas a bordo, relatou a noite de pesadelo que viveu até alcançar a margem do rio.

Zhang, de 43 anos, que supervisionava um grupo de turistas no cruzeiro que zarpou de Nankin (leste da China) com destino a Chongqing (centro), disse que pouco depois de 21h no horário local, o vento e a chuva se intensificaram sobre a embarcação. A escuridão era entrecortada pelos clarões de trovões que agitavam as nuvens do céu carregado e as águas do rio, provocando um incessante movimento de ondas. Segundo relatou à agência oficial Xinhua, “as gotas de chuva martelavam o casco direito do navio e a água começou a entrar em muitos quartos, mesmo com as janelas fechadas”, disse o sobrevivente.

Às 21h20, muitos passageiros idosos precisaram deixar suas cabines inundadas, carregando cobertores encharcados para o salão de recepção. Poucos minutos depois, enquanto Zhang Hui retornava para sua cabine no segundo andar, o navio “inclinou subitamente em 45°”. Em seguida, começou a afundar.

Não houve alerta aos passageiros

De acordo com a agência estatal Xinhua, o testemunho de Zhang não mencionou nenhum aviso oficial ou ordem de evacuação por parte da tripulação aos passageiros. O capitão do Dongfangzhixing, que também está entre os sobreviventes, contou às autoridades que o navio afundou em menos de um minuto. “Foi impressionante”, lembra Zhang. Ele e um colega tiveram tempo apenas para vestir coletes salva-vidas e pular da janela mais próxima, mergulhando nas águas turbulentas do Yangtsé.

Zhang Hui diz ter distinguido “uma dúzia de pessoas na superfície, algumas pedindo ajuda e gritando”. Depois de cinco minutos, apenas três ou quatro vozes continuavam a ser ouvidas.

Como a maioria dos chineses, o guia não sabe nadar. Envolto em um colete salva-vidas, ele flutuou à deriva a maior parte da noite. “Engoli litros de água.” Navios passavam sem reparar nos sobreviventes, enquanto as rajadas de vento e chuva o aterrorizavam.

“Disse a mim mesmo: preciso aguentar”, revelou Zhang, que assegura ter alcançado a costa apenas nas primeiras horas de terça-feira, por volta das 6h. Ele faz parte do pequeno número de 18 sobreviventes da catástrofe.

Na noite dessa terça-feira (2), quase 440 pessoas continuavam desaparecidas. Esta pode ser a pior catástrofe fluvial na China em décadas.

Explosão de bomba mata 50 pessoas em mercado na Nigéria

MAIDUGURI, Nigéria (Reuters) – A explosão de uma bomba atingiu um mercado de carnes lotado na cidade nigeriana de Maiduguri nesta terça-feira, matando até 50 pessoas, disseram uma testemunha e uma fonte hospitalar à Reuters.

A bomba, que estava escondida debaixo de um balcão do açougueiro do mercado, foi detonada por volta das 13h (horário local), matando clientes e turistas, de acordo com uma fonte militar.

Ninguém reivindicou a responsabilidade pela explosão mais recente, que aconteceu após dois ataques a bomba durante o fim de semana, que mataram pelo menos 30 pessoas e continham as marcas do grupo militante islâmico Boko Haram.

O grupo, que o novo presidente da Nigéria, Muhammadu Buhari, prometeu combater, matou milhares de pessoas e deslocou cerca de 1,5 milhão em sua tentativa de estabelecer um califado islâmico no país africano.

Lawal Kawu, paramédico, disse que 31 corpos carbonizados foram levados para um hospital em Maiduguri, e outras pessoas sofreram ferimentos graves.

O grupo está mostrando a retomada de suas táticas de guerrilha desde que perdeu o território conquistado em 2014, após ofensivas de tropas do Chade, Nigéria e Níger nos últimos meses. O grupo mantém um último reduto na reserva florestal de Sambisa.

(Reportagem de Lanre Ola em Maiduguri, Isaac Abrak em Abuja)

Familiares se queixam de falta de informações sobre naufrágio na China

Por Sue-Lin Wong e Engen Tham

XANGAI/NANJING (Reuters) – Familiares de algumas das centenas de passageiros de um barco de cruzeiro chinês que naufragou discutiram com autoridades de Xangai nesta terça-feira, revoltados por não serem informados sobre o que aconteceu com a embarcação e com seus entes queridos.

Na cidade próxima de Nanjing, parentes das vítimas gritaram com funcionários que tentavam acalmá-los.

Cerca de 60 pessoas, muitas delas familiares de turistas a bordo do barco Eastern Star, que virou no Rio Yangtze durante uma tempestade no final da segunda-feira, se reuniram inicialmente no escritório de uma agência de viagens de Xangai que fez as reservas para o passeio.

O local estava fechado, e mais tarde os parentes foram encaminhados ao edifício local do governo em Xangai, onde tiveram que esperar em uma sala. A confusão irrompeu quando um grupo deles, furioso com a falta de informações, começou a exigir mais respostas das autoridades.

“Estamos extremamente apreensivos”, disse Zhang Yingli, de 56 anos, cujos irmão e esposa estavam no barco. “São 16h30 agora e não ouvimos nada de ninguém, a não ser pelo noticiário. Ninguém veio nos tranquilizar”.

Um funcionário do escritório de imprensa do governo em Xangai não quis comentar quando foi contactado pela Reuters.

Um total de 458 pessoas, incluindo 47 tripulantes, estava a bordo do Eastern Star, de acordo com a mídia estatal. Todos os 406 passageiros na embarcação fizeram as reservas com a agência Xiehe International Travel, sediada em Xangai. Os outros cinco eram guias turísticos.

(Reportagem adicional de Ben Blanchar, em Pequim)

Desaprovação de presidente chilena Bachelet chega a recorde de 66%, mostra pesquisa

SANTIAGO (Reuters) – A popularidade da presidente do Chile, Michelle Bachelet, caiu para um novo patamar, com 66 por cento dos chilenos desaprovando seu desempenho, de acordo com uma pesquisa divulgada nesta terça-feira, apesar da tentativa lançada no mês passado do gabinete de dar novos ares à administração de 16 meses.

Escândalos de impostos e financiamento de campanhas têm abalado o governo, enquanto também houve acusações de que o filho de Bachelet usou conexões políticas para ajudar sua esposa a ter acesso preferencial a um empréstimo de 10 milhões de dólares.

A pesquisa, realizada pela Gfk Adimark, mostrou que a aprovação de Bachelet caiu para 29 por cento em maio, o índice mais baixo já indicado em seus dois governos. Bachelet, de tendência esquerdista, liderou o Chile, maior produtor de cobre de 2006 a 2010 e assumiu seu segundo mandato em março de 2014.

“A mudança antecipada de gabinete e o discurso anual do Estado da União tiveram efeitos positivos marginais… no entanto o clima tenso de falta de confiança e as acusações sobre como as atividades políticas são financiadas foram ultimamente mais importantes”, de acordo com o instituto que realizou a pesquisa.

Em 11 de maio, Bachelet demitiu o ministro das Finanças, ato sem precedentes para um presidente chileno desde o retorno da democracia em 1990, em uma reforma ministerial na qual quatro de seus ministros mais próximos foram substituídos ou transferidos para outras posições.

A confiança no governo também foi testada por um aumento de protestos estudantis, pressionando por uma revisão no sistema de ensino. Dois manifestantes foram mortos a tiros em 14 de maio.

(Reportagem de Anthony Esposito)

Voos dos EUA sofrem ameaças de bomba; nenhum explosivo encontrado, diz mídia

(Reuters) – Cinco ameaças falsas de bomba afetaram voos domésticos e internacionais nos Estados Unidos nesta terça-feira, informaram funcionários de empresas aéreas e reportagens da mídia norte-americana.

A polícia inspecionou o voo 648 da U.S. Airways, com 88 passageiros e cinco tripulantes a bordo, quando a aeronave pousou no aeroporto internacional da Filadélfia, devido a uma “possível ameaça de segurança”, de acordo com Victoria Lupica, porta-voz da American Airlines, controladora da U.S. Airways.

Uma possível ameaça de bomba levou à ação, segundo a emissora de televisão da Filadélfia 6ABC. Não foram encontrados explosivos.

NBC e CNN disseram que outros voos comerciais dos EUA receberam ameaças de bomba nesta terça-feira: um voo da United Airlines para Chicago; um da Delta Air Lines para Atlanta e um da Volaris de Portland para Guadalajara, no México. Os aviões pousaram em segurança e foram vasculhados, de acordo com a CNN.

(Reportagem de Suzannah Gonzales, em Chicago, e Jeffrey Dastin, em Los Angeles; Reportagem de adicional de Doina Chiacu, em Washington)