Maricá mantém ônibus gratuitos

Mesmo depois da proibição da Justiça, a prefeitura decide manter “vermelhinho”

31/07/2015

Brasil de Fato | Fania Rodrigues, do Rio de Janeiro (RJ)

Foto Crédito: Reprodução

O prefeito de Maricá, Washington Quaquá (PT), garante que os ônibus da Empresa Pública de Transportes (EPT) não vão deixar de circular. A decisão foi tomada depois que a Justiça proibiu o funcionamento dos ônibus, que oferecem transporte gratuito. Também foi estipulada uma multa diária de R$ 20 mil, em caso de descumprimento.

“A população não pode ficar sem transporte, por isso decidimos manter os ônibus. Posso até ser preso, mas não vamos dar nem um passo atrás nos direitos conquistados”, destaca Washington Quaquá.

A decisão judicial é o resultado de uma ação, movida por empresários do transporte, contra a Prefeitura de Maricá. Eles alegam que a tarifa zero causa prejuízos e desequilíbrio financeiro às empresas privadas.

Segundo o integrante do Movimento Passe Livre (MPL-RJ) José AntônioAbraão, o transporte fornecido pela prefeitura não foi criado voluntariamente. “Existe uma enorme demanda por transporte público em Maricá, então a iniciativa da prefeitura veio atender essa necessidade da população”, explica o militante. Ele afirma ainda que “as empresas privadas não querem tarifa zero só porque não fazem parte desse projeto, pois até poderiam participar oferecendo o mesmo transporte gratuito e recebendo do poder público. Mas, isso implicaria perder o controle de sua planilha de custo”, destaca o militante do MPL.

TRANSPORTE PRIVADO PRECÁRIO

Polêmicas à parte, uma coisa é certa. Os usuários do transporte em Maricá não estão contentes com o sistema empresarial. “O único empresário de

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ônibus de Maricá controla o mercado há 30 anos, ele faz o que quer. As tarifas são altas, o ônibus não tem horário e as linhas são insuficientes”, explica o vice-presidente da Associação dos Moradores e Amigos do Recanto de Itaipuaçu (AMAI), Ricardo Gutierrez.

Para verificar problemas como esses, assim como a qualidade dos ônibus em circulação, a Prefeitura de Maricá está realizando uma força tarefa para fiscalizar as empresas de ônibus. “Apreendemos alguns ônibus irregulares essa semana. Caso for provado que as empresas não estão atendendo os pré-requisitos, vamos ter que suspender a concessão pública”, ressalta Quaquá.

Os moradores de Itaipuaçu, um bairro distante do centro da cidade, estão preocupados com a decisão judicial. “Maricá é um município grande e nas zonas periféricas da cidade mora muita gente humilde. Essa é uma oportunidade de as pessoas poderem circular livremente” explica Gutierrez, também conhecido no seu bairro como Ricardinho Noturno.

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