Amargo e doce, suave suspiro: Adeus Mariem Hassan

A grande voz da música Haul (Música tradicional do Sahara Ocidental) e mundialmente conhecida como A Voz do Deserto, deixou-nos prematuramente no dia 22 de agosto aos 57 anos na sua Jaima (tenda típica Saharaui feita de peles de camelo e ovelha) em Tindouf, nos campos de refugiados na Argélia. Por Né Eme.

Mariem Hassan

Jamais esqueceremos esta grande senhora , embaixatriz do Sahara Ocidental no Mundo, onde através da sua música deu a conhecer a causa e o sofrimento do povo Saharaui. Como um grito desde a alma, a irreverente Mariem mostrou a determinação, coragem e honra dos Saharauis na luta pacifica pela sua autodeterminação, sob a invasão ilegal de Marrocos após a grande traição espanhola.

Depois de Felipe González ter discursado num campo de refugiados Saharauis em 14 de novembro de 1976 Mariem cantou respostas a este discurso em 2011 na sua música “Shouka” – “O Espinho”:

FELIPE – “Quisemos estar aqui hoje, dia 14 de novembro de 1976, para demonstrar, com a nossa presença, todo o nosso repúdio e condenação, pelo Acordo de Madrid de 1975 …”
MARIEM – “Gonzalez! Nós ouvimos com respeito e abrimos as nossas jaimas para si.”
FELIPE – “O povo Saharauí vai ganhar a sua luta. E vão ganhar, não só porque é o correto, mas porque têm vontade de lutar pela sua liberdade.”
MARIEM – “Advogado, grande líder, grande conversador, às vezes as suas palavras ferem …”
FELIPE – “Eu quero que vocês saibam que a maioria do povo espanhol, o mais nobre e mais decente povo espanhol, está solidário com a vossa luta.”
MARIEM – “Eu bebi o sangue dos meus três irmãos que lutaram contra os assassinos invasores …”
FELIPE – “Para nós não é uma questão de autodeterminação, mas sim acompanhá-los na vossa luta até a vitória final.”
MARIEM – “Parece que você esqueceu as promessas que fez ao meu povo.”
FELIPE – “Em nome do povo Espanhol e porque se sente envergonhado por o governo ter feito um péssimo acordo e uma descolonização pior ainda, entregando-vos nas mãos dos governos reacionários de Marrocos e da Mauritânia.”
MARIEM – “Nós já não o respeitámos Felipe, porque você se tornou um servo dos covardes invasores…”
FELIPE – “Mas vocês devem saber que o nosso povo também lutou com o governo por ter deixado para o povo Saharaui, os governos reacionários.”
MARIEM – “Cuidado para não confundir oportunismo com justiça e o mal com o bem …”
FELIPE – “À medida que o nosso povo se aproxima da liberdade, a maior e mais eficaz é o apoio que podemos dar à vossa luta.”
MARIEM – “Chegou ao poder com discursos eloquentes, logo em seguida vendeu armas a Marrocos …”
FELIPE – “A Frente Polisario é o guia certo para a vitória final do povo Saharaui, e também nos convenceu de que a sua República Independente e Democrática consolidará o seu povo povo, levando-os de volta às suas casas.”
MARIEM – “Os Saharauis não vão desistir de seus direitos, mesmo tendo que pagar o preço em sangue: eles são um povo valente e continuará a lutar.”
FELIPE – “Sabemos que já experimentaram receber muitas promessas nunca cumpridas. Eu não vos vou prometer nada, mas vou empenhar-se na história: o nosso Partido estará com vocês até à vitória final.”
MARIEM – A história não perdoa: acreditámos em ti e tu enganaste-nos. Recordaremos o que aconteceu, ainda que não possa ser alterado:
Não há rosa sem espinho! Não há rosa sem espinho! Oh,Felipe. Oh, Felipe. Felipe, Felipe, Felipe. O teu veneno é mortal. Ai, Felipe, veneno, Philip veneno.Não há rosa sem espinho! E o teu veneno é mortal. É mortal, mortal, Felipe fatal. Veneno, veneno mortal. “

O filme com legendas em inglês:

A terceira, numa família de 10 irmãos, Mariem Hassan nasceu em 1958 em Smara, no Sahara Ocidental. Era ainda uma jovem com 17 anos quando saltou por uma janela para não ser presa pela policia espanhola, depois de ter cantado numa reunião clandestina da Frente Polisario, em 1975. E nesse mesmo ano Marrocos invade o Sahara Ocidental e Mariem foge com a sua família para a “hamada” argelina1.

Viveu vários anos em Smara, um dos 5 acampamentos que se ergueram em Tindouf, onde aprendeu a cultura Saharaui, incluindo a musica haul.

Ao longo dos últimos 40 anos, Mariem viveu o sofrimento do exílio, e nos últimos 10 anos conviveu com um cancro que acabaria por lhe tirar a vida.

Mas Mariem (para além da sua determinação e luta) deixou-nos um valioso legado: A sua Música!!!

Na Europa, África e Cuba, Mariem cantou, encantou e emocionou. Porque ninguém ficava indiferente ao seu grito de coragem, ao seu olhar terno e à dança com que acompanhava as suas músicas.

Mariem foi indubitavelmente uma guerreira.

Editou vários discos, e adaptou algumas músicas ao seu ritmo. Em Portugal, com Sebastião Antunes e Luís Peixoto, em 2013, Mariem cantou varias músicas entre as quais “Senhora do Almortão” e a “Cantiga da Burra”. Em 2015, Mariem participa no mais recente álbum de Sebastião Antunes & Quadrilha: “Proibido Adivinhar”.

No seu percurso, contam ainda um livro, “Soy Saharaui” e é homenageada ao ser-lhe dedicado o filme “Life is waiting: Referendum and Resistance in Western Sahara” de Iara Lee, produzido por Cultures of Resistance, pela sua devoção e procura diária da autodeterminação do povo Saharaui.

Em maio de 20124, foi convidada a encerrar o FiSahara (Festival Internacional de Cinema do Sahara), em Dajla nos campos de refugiados de Tinduf na Argélia, onde uma vez mais acompanhada de Sebastião Antunes, e naquele que foi o seu ultimo concerto, visivelmente debilitada, Mariem Hassan fez ecoar a sua voz, e voltou a cantar a “Senhora do Almortão” e “Grândola Vila Morena” de Zeca Afonso. A pedido de um público visivelmente consternado, diante desta grande senhora que apesar do seu sofrimento não se deixou esmorecer e cantou a emblemática “El Aaiún egdat” – “Arde El Aaiún”, uma canção dedicada aos tristes acontecimentos em novembro de 2010 na capital do Sahara Ocidental.

Concerto de Mariem Hassan no acampamento de Dajla, em Tinduf na Argélia, foto de Carlos Cazurro

Depois, sob aquele céu estrelado, Mariem levantou-se ajudada pelos seus músicos e discretamente recolheu-se na sua Jaima.

15 meses depois a sua voz calou-se para sempre.

A saudade será eterna. A recordação doce.

A tristeza de sabermos que partiu sem ver o seu Sahara livre e pelo qual tanto lutou… essa tristeza jamais perdoaremos.

Será feita justiça nesse dia. No dia em que à boa maneira Saharaui, bebermos um chá a comemorar a liberdade do Sahara Ocidental…

O primeiro copo é Amargo como a Vida, o segundo Doce como o Amor e o terceiro Suave como a Morte.

Até sempre Mariem!!!

Artigo de Né Eme

Notas:

1Termo árabe que designa um tipo de deserto pedregoso, com uma paisagem árida, o solo bastante duro, com muitas rochas e pouca areia. O cascalho tem dimensões superiores a 6 cm. As temperaturas mais altas rondam os 45º entre os meses de Julho e Setembro. O vento, o siroco, sopra forte em tornados e mini tornados levantando muito pó. A pluviosidade é escassa, mas quando se faz sentir caem chuvas torrenciais.

Trailer do filme: “Life is waiting: Referendum and Resistance in Western Sahara” de Iara Lee

Sapatos portugueses são os segundos mais caros do mundo


A seguir aos italianos

2015-08-31 

Lisboa – Os sapatos portugueses são os segundos mais caros do mundo, a seguir aos italianos, segundo a Associação dos Industriais do Calçado, Componentes, Artigos de Pele e Seus Sucedâneos (APICCAPS), que prevê que o preço médio seja «reajustado em baixa».

«O preço médio do calçado português nos mercados internacionais tem vindo a aumentar significativamente, fruto nomeadamente da aposta das empresas na migração da produção de calçado para segmentos de maior valor acrescentado. Espera-se, no entanto, que nos próximos anos o preço médio do calçado português possa ser reajustado em baixa, à medida que forem sendo introduzidos novos produtos, nomeadamente a exportação de calçado em outros materiais (por exemplo sintéticos e em plástico)», avançou a APICCAPS.

O preço médio a que foram exportados os sapatos portugueses, fixou-se em 2014, nos 28,24 euros, segundo dados do World Footwear Yearbook 2015. «Apenas Itália revela um desempenho melhor do que o português», com um preço médio na ordem dos 50 dólares (cerca de 44,28 euros), refere a associação, mantendo-se Espanha, o outro «grande concorrente» internacional de Portugal, a uma «grande distância» ao exportar o seu calçado a 22,03 dólares (cerca de 19,51 euros) o par.

Já a China, que assegura 65% da produção mundial de calçado, fica-se por um preço médio do par de calçado exportado de 4,44 dólares (cerca de 3,93 euros), oito vezes mais baixo do que o calçado português.

(c) PNN Portuguese News Network

Ritmo cai; venda recorde

Como destaca a AgRural, comercialização desacelerou no decorrer do mês, mas volumes da nova safra são inéditos

Diário de Cuiabá|Economia|Marianna Peres

Mesmo com a paralisação nas vendas futuras da soja, volumes já negociados são recordes para o período em MT

Agosto começou com bons negócios no mercado interno de soja, principalmente para a safra 2015/16, mas perdeu ritmo no decorrer do mês como destacam analistas da consultoria AgRural em seu mais recente levantamento mensal de comercialização, divulgado na última sexta-feira. Como explicam, com as quedas na Bolsa de Chicago, as vendas perderam fôlego já na segunda semana. Até a última sexta-feira, 30% da próxima safra nacional estavam negociados, volume que representava avanço de cinco pontos percentuais no mês, contra oito pontos em julho. Apesar da perda de ritmo, o total vendido é bem superior aos 10% registrados há um ano e fica à frente também dos 27% da média dos últimos cinco anos. As vendas da safra 2014/15, por sua vez, chegaram a 88%, em linha com a média.

No Centro-Oeste, produtores que venderam bons volumes em reais agora esperam para negociar em dólar. A comercialização 2015/16 evoluiu quatro pontos em agosto, para 33%, enquanto as vendas 2014/15 chegaram a 92%. Em Mato Grosso, lotes da próxima safra saíram apenas no início do mês. Em Sorriso, maior produtor mundial de soja, o grão para entrega em fevereiro de 2016 saiu por R$ 60,50, mas em dólar o preço médio ficou em US$ 15,50, com queda de 5% em relação a julho.

Conforme levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), até o início de agosto, 29,1% da estimativa da nova safra de soja – projetada pelo próprio Instituto -, em 29,06 milhões de toneladas, estava vendida de maneira antecipada contra 8% em igual período de 2014, ou seja, na comparação anual há um avanço de 21,2 pontos percentuais (p.p.). Os analistas do Imea destacam que o avanço registrado na comercialização, especialmente até julho, foi antecipado em cerca de quatro meses, já que o percentual alcançado era contabilizado a partir de novembro.

PELO PAÍS – Em Rio Verde (GO), a saca para entrega em fevereiro de 2016 com pagamento 30 de março chegou a sair por R$ 68 na primeira quinzena, R$ 4,20 acima da média de julho. Em Mato Grosso do Sul, lotes rodaram por R$ 66 no spot em Maracaju e também para março de 2016 em Dourados.

Na região Sul, 24% da safra 2015/16 estão comprometida, enquanto as vendas da mercadoria spot somam 78%. No Paraná, a saca para março/16 rodou por R$ 71 em Maringá. Em Cascavel, a soja disponível saiu a R$ 73. No porto de Rio Grande, a saca spot chegou a valer R$ 82,50 no começo de agosto, maior valor desde setembro/12. Para abril/16, volumes rodaram por R$ 81,50. No Sudeste, as vendas da safra 2015/16 somam 29%. No disponível, o índice está em 93%. Em Uberlândia (MG), lotes para mar/16 chegaram a sair por R$ 70 no melhor momento, mas agora gira em R$ 66.

No Norte/Nordeste, as vendas da safra 2015/16 estão em 36%. No oeste da Bahia, lotes para abril/16 que saíram por R$ 70 no início do mês agora valem R$ 66. No Maranhão, compradores oferecem US$ 17 para entrega em abril/16, mas os produtores pedem US$ 20. Agosto começou com bons negócios no mercado interno de soja, principalmente para a safra 2015/16, mas perdeu ritmo no decorrer do mês como destacam analistas da consultoria AgRural em seu mais recente levantamento mensal de comercialização, divulgado na última sexta-feira. Como explicam, com as quedas na Bolsa de Chicago, as vendas perderam fôlego já na segunda semana. Até a última sexta-feira, 30% da próxima safra nacional estavam negociados, volume que representava avanço de cinco pontos percentuais no mês, contra oito pontos em julho. Apesar da perda de ritmo, o total vendido é bem superior aos 10% registrados há um ano e fica à frente também dos 27% da média dos últimos cinco anos. As vendas da safra 2014/15, por sua vez, chegaram a 88%, em linha com a média.

No Centro-Oeste, produtores que venderam bons volumes em reais agora esperam para negociar em dólar. A comercialização 2015/16 evoluiu quatro pontos em agosto, para 33%, enquanto as vendas 2014/15 chegaram a 92%. Em Mato Grosso, lotes da próxima safra saíram apenas no início do mês. Em Sorriso, maior produtor mundial de soja, o grão para entrega em fevereiro de 2016 saiu por R$ 60,50, mas em dólar o preço médio ficou em US$ 15,50, com queda de 5% em relação a julho.

Conforme levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), até o início de agosto, 29,1% da estimativa da nova safra de soja – projetada pelo próprio Instituto -, em 29,06 milhões de toneladas, estava vendida de maneira antecipada contra 8% em igual período de 2014, ou seja, na comparação anual há um avanço de 21,2 pontos percentuais (p.p.). Os analistas do Imea destacam que o avanço registrado na comercialização, especialmente até julho, foi antecipado em cerca de quatro meses, já que o percentual alcançado era contabilizado a partir de novembro.

PELO PAÍS – Em Rio Verde (GO), a saca para entrega em fevereiro de 2016 com pagamento 30 de março chegou a sair por R$ 68 na primeira quinzena, R$ 4,20 acima da média de julho. Em Mato Grosso do Sul, lotes rodaram por R$ 66 no spot em Maracaju e também para março de 2016 em Dourados.

Na região Sul, 24% da safra 2015/16 estão comprometida, enquanto as vendas da mercadoria spot somam 78%. No Paraná, a saca para março/16 rodou por R$ 71 em Maringá. Em Cascavel, a soja disponível saiu a R$ 73. No porto de Rio Grande, a saca spot chegou a valer R$ 82,50 no começo de agosto, maior valor desde setembro/12. Para abril/16, volumes rodaram por R$ 81,50. No Sudeste, as vendas da safra 2015/16 somam 29%. No disponível, o índice está em 93%. Em Uberlândia (MG), lotes para mar/16 chegaram a sair por R$ 70 no melhor momento, mas agora gira em R$ 66.

No Norte/Nordeste, as vendas da safra 2015/16 estão em 36%. No oeste da Bahia, lotes para abril/16 que saíram por R$ 70 no início do mês agora valem R$ 66. No Maranhão, compradores oferecem US$ 17 para entrega em abril/16, mas os produtores pedem US$ 20.

Museus russos não terão mais proteção policial

31 de agosto de 2015 EKATERINA SINELSCHIKOVA, GAZETA RUSSA

Postos da polícia devem ser retirados das instituições no próximo ano.
Segundo o diretor do Ministério do Interior da Rússia, retirada não deverá acontecer antes de 1º de Janeiro de 2016. Foto:TASS
No dia 21 de agosto, 29 museus federais, incluindo o famoso Hermitage, em São Petersburgo, receberam uma notificação informando sobre a retirada dos postos policiais fixos em suas instalações.

Sistemas de alarme e circuitos de vídeo serão mantidos, mas a saída dos policiais vai reduzir significativamente a segurança nos museus, acreditam profissionais da área e representantes do Ministério da Cultura da Federação Russa, que fez apelos ao presidente russo, Vladímir Pútin, para manter os postos de polícia.

Segundo o diretor do Ministério do Interior da Rússia para a cidade de Moscou, Anatóli Iakunin, a remoção dos postos policiais está relacionada com a grande redução de membros ativos no Ministério do Interior. “Temos que cortar em quase 6.000 o número de funcionários alocados na segurança privada, por isso vamos retirar alguns postos fixos”, disse ele à Gazeta Russa.

Iakunin garantiu que a retirada não deverá acontecer antes de 1º de Janeiro de 2016, que é quando expiram todas as obrigações contratuais entre os museus e a polícia, e, mesmo assim, nem todas as instituições serão afetadas: a proteção policial permanecerá em “instalações críticas”, cuja lista será elaborada pelo governo.

No entanto, mais da metade dos museus federais com postos policiais foram notificados de sua eventual remoção a partir de 1º de novembro de 2015, disse o diretor do Departamento da Herança Cultural do Ministério da Cultura da Federação Russa, Mikhail Brizgalov.

Entre as alternativas disponíveis para a segurança dos museus estão as empresas privada de segurança e a organização comercial GUP Okhrana, do Ministério do Interior, formada por funcionários aposentados. De acordo com o Ministério da Cultura, nenhuma empresa de segurança da Rússia está autorizada a usar armas de fogo nos museus em caso de emergência.

“Na França, por exemplo, não apenas os museus privados, mas também os grandes museus do Estado (o Louvre, o Centro Pompidou, o Museu d’Orsay, o palácio de Versalhes e outros) contratam empresas para a sua proteção. A polícia lá nunca guarda museus”, disse o adido cultural da Embaixada da França na Rússia, Edouard de Lumley, àGazeta Russa. Situação semelhante acontece na Suíça e em Londres, segundo afirmam outras fontes.

“Se você tem o seu próprio posto de segurança, a equipe chega em dois ou três minutos. Se não tem, a segurança pode levar até dez minutos para chegar, que é o que basta para uma pessoa destruir qualquer obra de arte”, disse Zelfira Tregulova, diretora-geral da Galeria Estatal Tretyakov.

“Além disso, estamos falando da segurança de milhões de turistas”, acrescentou Aleksêi Levikin, diretor do Museu Histórico do Estado, localizado na Praça Vermelha, no centro de Moscou. “O centro é bastante atraente para todo o tipo de provocações. Um posto com policiais armados na entrada pode travar tanto um criminoso, como um terrorista”, disse ele.

Custo e riscos

Outro problema para os museus é o preço que terão que pagar pelos serviços de empresas de segurança privada. Segundo o diretor do Hermitage, Mikhail Piotrovski, o museu gasta anualmente cerca de 23 milhões de rublos (US$ 344 nil) em segurança. Se os postos policiais forem removidos do local, no próximo ano o Hermitage terá que desembolsar cerca de 100 milhões de rublos (US$ 1,49 milhão).

Deve-se lembrar que a escolha das empresas de segurança acontece apenas através de licitação pública, que, via de regra, escolhe não o candidato mais eficiente, mas o mais econômico, disse a diretora da galeria Tretyakov, Zelfira Tregulova.. Além disso, a cada ano podem ser escolhidas empresas diferentes, o que faz com que um número ilimitado de pessoas ganhe acesso a informações confidenciais dos museus, como a localização dos depósitos e o sistema de segurança existente.

O aumento do risco para as obras, por sua vez, pode levar a aumentos nos preços dos seguros dos museus. “Se notarmos que a proteção das obras está sofrendo grandes alterações, seremos obrigados a tomar as medidas adequadas quanto à política de tarifas”, disse o chefe do departamento de segurança de valores culturais da seguradora AlphaStrakhovanie, Andrêi Kutcha. Um aumento dos preços de seguros é esperado também pelo Ministério da Cultura.

Já Mirko Mudrinitch, chefe da seção de exposições e cargas valiosas da seguradora Ingosstrakh, não acredita que haverá aumento no preço dos seguros. Para ele, não são só as medidas de segurança que devem ser levadas em conta, mas também a ocorrência de incidentes similares ao que aconteceu no centro de exposições Manege, em Moscou, quando um grupo de pessoas autodenominadas “ativistas ortodoxos” destruíram várias esculturas e os seguranças do museu não puderam fazer nada a não ser chamar a polícia. Para evitar incidentes do tipo, a companhia de seguros propõe introduzir o seguro obrigatório dos artigos expostos desde o momento da desmontagem das obras em seus museus de origem até o retorno dos objetos da exposição.

Nova Central Sindical, que chega aos dez anos, refuta apoio incondicional ao governo

Da Redação, com Agência Senado | 31/08/2015

A Comissão de Direitos Humanos (CDH) celebrou nesta segunda-feira (31), com audiência pública os dez anos de criação da Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NCST). Dirigentes sindicais ligados à entidade afirmaram que pretendem continuar colaborando para a governabilidade do país no quadro atual de crise, mas ressalvaram que o apoio à presidente Dilma Rousseff não é incondicional. Segundo o presidente da entidade, José Calixto Ramos, antes de tudo é necessário garantir solução para demandas já discutidas com a equipe da presidente e que permanecem sem resposta.

—A nossa central, como já dissemos, não será obstáculo à governabilidade, mas é preciso que os governantes entendam que para sofrimento e paciência há limite. Assim, pode chegar a hora em que, ao invés de estarmos sempre ao lado da nossa presidente, vamos ter que reagir — afirmou José Calixto.

Os sindicalistas cobraram, entre outras medidas, a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais e o fim do fator previdenciário. Houve ainda críticas ao avanço do projeto que regulamenta a terceirização, para permitir sua adoção também nas atividades principais da empresa. Já aprovado pela Câmara dos Deputados, o PLC 30/2015 está agora no Senado. Se passar, a expectativa é de que texto seja vetado por Dilma.

Independência

O requerimento de audiência pública na CDH foi apresentado pelo presidente do colegiado, senador Paulo Paim (PT-RS), que também dirigiu os trabalhos. Conforme o senador, a nova central veio dar novo ânimo ao movimento sindical brasileiro, atuando de forma soberana, independente e suprapartidária. Disse ainda que a entidade busca o desenvolvimento sustentável, o fim da política abusiva de juros e a luta permanente pelo emprego, renda, justiça e  soberania nacional.

— Hoje, como ontem, essas bandeiras de luta devem continuar a ser bravamente levantadas. Durante toda minha vida pública, cujo berço foi a atividade sindical, tenho aprendido que os trabalhadores não podem e não devem abrir mão de seus direitos conquistados a duras penas — disse Paim.

Para Moacir Roberto Tesch, secretário-geral da NCST, a entidade chegou a seu primeiro decênio sem envelhecer. A seu ver, isso se deve à sua capacidade de compreender os reais interesses dos trabalhadores. Tanto assim é que, conforme assinalou, a central conseguiu arregimentar forças para, em seus primeiros tempos, barrar reforma sindical que representaria “rasgar a CLT”.

Democracia

O presidente da Confederação dos Servidores Públicos do Brasil (CSPB), João Domingos Gomes dos Santos, salientou que a central foi a primeira a levantar bandeira contra o fator previdenciário, hoje um tema unânime da luta sindical. Também atribuiu à NCST a dianteira na campanha contra a terceirização. Com relação à crise econômica, salientou que a central recusa soluções em que a conta tenha que ser paga pelos trabalhadores. Quanto à crise ética, salientou a posição da central contra ações que, a pretexto de combate à corrupção, visam atingir a democracia.

—Temos hoje excelente oportunidade para passar o país a limpo, mas investigar o que tem que ser investigado não pode ser armadilha para ferir a democracia — alertou.

Arthur Bueno, da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Alimentação, que a NCST entra na “adolescência” enfrentando exigências muito maiores, em decorrência da crise atual. Segundo ele, as ameaças às condições de trabalho podem aumentar, mobilizando esforços mais intensos para a proteção do “mais sagrado para o trabalhador, sua saúde e sua vida”.

Turbulência

Representantes de diferentes órgãos públicos participaram da homenagem, entre os quais o secretário-executivo do Ministério do Trabalho e Emprego, Francisco José Pontes Ibiapina – que representou o titular da pasta, Manoel Dias. Ele admitiu que o momento “turbulento” na economia gera apreensões, mas disse que o governo está adotando medidas para salvaguardar os trabalhadores, como o Programa de Proteção ao Emprego, para evitar demissões.

Pelo Ministério da Previdência Social, Marco Antonio Gomes Pérez, da área de área de saúde e segurança ocupacional, salientou que o órgão já vem atuando em colaboração com a central sindical e continuará disponível para novos trabalhos técnicos em parceria. Subprocurador-geral do Ministério Público do Trabalho, Ricardo José Macedo de Britto Pereira disse que esse órgão procura sempre apoiar lutas em defesa dos direitos dos trabalhadores, o que gera uma aproximação com todo o movimento sindical.

— Então, precisamos intensificar essa parceria [com a NCST], para que trabalhadores tenham condições de vida e trabalho como determina a Constituição — comentou.

Outro convidado foi o diretor adjunto da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Stanley Gacek, encarregado do escritório da entidade no Brasil. Ele também acentuou a parceria como o movimento sindical, um dos tripés de relacionamento que congrega ainda governos e empregadores na luta pela regulamentação de direitos trabalhistas. Salientou ainda a importância do diálogo nesse momento “crucial” do país, a seu ver momento que exige a valorização do diálogo para pela democracia e paz social.

Decano

A audiência contou com a participação de outros dirigentes sindicais, entre eles o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores de Transportes Terrestres, Omar José Gomes. Com 96 anos recentemente completados e um dos fundadores da NCST, ele foi aplaudido pelo esforço de comparecer poucos dias depois de alta hospitalar.

— Brasil precisa de uma central sindical com esse espírito — comentou, dizendo que continuará na luta.

Segundo José Calixto, o presidente da entidade, hoje a NCST já dispõe de centrais estaduais organizadas em 23 estados e ainda no Distrito Federal. São mais de 1.200 sindicatos associados. Destacou que a central adotou, entre seus princípios, modelo de atuação independente em relação a governos e partidos.

— Não queremos ficar presos a qualquer partido ou governo, o que passou ou que virá. Precisamos e queremos trabalhar com todos, o que não queremos é ser um braço de nenhum — comentou.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Projeto busca melhorar a criação de frangos em aviários

Agência USP de Notícias

Com informações de Leonardo Zacarin, da Assessoria CEPID-CeMEAI

Um sistema que conta com a participação do Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) do Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI), sediado no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, está sofisticando a criação de aves em uma granja na região de Jundiaí, no interior de São Paulo. O sistema é aberto e gratuito, com variáveis que outros ainda não possuem.

Programa monitora níveis de água, ração e ventilação durante todo o dia

Os mais de 23 mil frangos do aviário são monitorados 24 horas por dia, sete dias por semana. Níveis de água, ração, ventilação são fiscalizados durante todo o tempo por um programa desenvolvido pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFGRS). O software reúne os dados obtidos e, a cada cinco minutos, envia essas informações para pesquisadores do CeMEAI, que, com base nestes dados, utilizam a matemática para tomar as melhores decisões em relação ao bem-estar dos animais e otimizar o processo.

A ideia central de todo o sistema é utilizar os dados coletados para chegar ao melhor método possível de criar as aves, adaptando o processo às mudanças das variáveis. Os frangos ficam cerca de 45 dias no aviário antes de seguir para o frigorífico. Durante esse tempo, os animais recebem ração cara e de boa qualidade, além de serem observados por câmeras instaladas na granja. A conversão desses investimentos em alimento para o ser humano é o coeficiente o qual mede a eficiência do criadouro e o custo do frango, que será maior caso ele tenha realizado seu potencial genético.

Segundo dados divulgados em julho pela Associação Brasileira de Proteína Animal, a produção para exportação de frango deve crescer de 2% a 3% ainda este ano, totalizando 13 milhões de toneladas até o fim de 2015. O consumo nacional deve passar de 43 kg para 45 kg por pessoa, devido a alto no preço da carne bovina.

Impulso na produção
A pesquisa do CeMEAI na granja ainda está em andamento e pode, no futuro, ajudar outros aviários e impulsionar ainda mais a produção e as vendas do setor. Todas as informações obtidas pelo software da faculdade sulista podem ser acessados pela internet, de qualquer lugar do mundo. O projeto é coordenado pelo professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) José Mario Martinéz.

O CeMEAI, é um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O Centro é especialmente adaptado e estruturado para promover o uso de ciências matemáticas (em particular matemática aplicada, estatística e ciência da computação) como um recurso industrial. As atividades do Centro são realizadas dentro de um ambiente interdisciplinar, enfatizando-se a transferência de tecnologia e a educação e difusão do conhecimento para as aplicações industriais e governamentais.

As atividades são desenvolvidas nas áreas de Otimização Aplicada e Pesquisa Operacional, Mecânica de Fluidos Computacional, Avaliação de Risco, Inteligência Computacional e Engenharia de Software.

Além do ICMC, o CEPID-CeMEAI conta com outras seis instituições associadas: o Centro de Ciências Exatas e Tecnologia (CCET) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), o Instituto de Matemática Estatística e Computação Científica (IMECC) da Unicamp, o Instituto de Biociências Letras e Ciências Exatas (IBILCE) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), a Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT) da Unesp, o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) e o Instituto de Matemática e Estatística (IME) da USP.

Foto:  Marcos Santos / USP Imagens

PMDB vai à TV para dizer que  o Brasil deseja e deve mudar  

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Michel Temer que se afastou da função de articulador político do governo
Principal aliado da presidente Dilma Rousseff no Congresso, o PMDB fará mais uma demonstração de seu distanciamento do governo nesta semana, exibindo na televisão oito filmes publicitários em que as principais lideranças do partido dirão que o país precisa de mudanças.
“O Brasil é um só, e sempre vai ser maior e mais importante do que qualquer governo”, diz em um dos anúncios o vice-presidente Michel Temer, que na semana passada se afastou da função de articulador político do governo com os partidos aliados.
“A nação quer mudar, a nação deve mudar, a nação vai mudar”, diz em outro filme o ex-ministro Moreira Franco, um dos principais aliados de Temer na cúpula do PMDB, citando o deputado Ulysses Guimarães (1916-1992), um dos fundadores do partido.
Os oito filmes, cada um com 30 segundos de duração, serão veiculados a partir de amanhã, nos intervalos comerciais da programação das emissoras de TV, no espaço reservado pela legislação para a propaganda partidária.
Os anúncios irão ao ar num momento em que o PMDB emite sinais cada vez mais fortes de descontentamento com o governo e a maneira como Dilma lida com a crise política e econômica em que seu governo mergulhou.
Depois de se afastar das negociações de cargos e verbas com partidos aliados, Temer avisou Dilma na semana passada que considerava inviável seu plano de recriar a CPMF, o imposto sobre transações financeiras extinto em 2007.
No sábado (29), o governo decidiu abandonar a ideia da contribuição, após avaliar que a resistência apresentada por políticos aliados e empresários tornava sua aprovação pelo Congresso impossível.
As principais lideranças do PMDB aparecem nas peças publicitárias, incluindo os presidentes do Senado, Renan Calheiros (AL), e da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (RJ). Os dois são investigados por suspeita de participação no esquema de corrupção descoberto na Petrobras.
Em uma das propagandas, a deputada Simone Morgado (PA) cita dois “mandamentos” de Ulys-ses Guimarães que estão na “ordem do dia”: “O primeiro é que, di-ante de uma crise, a melhor atitude a ser tomada é a do diálogo”.
Moreira Franco completa a mensagem: “Hábil e conciliador, ele dizia: vamos sentar e conversar. No outro [mandamento], ele é claro e direto: a nação quer mudar, a nação deve mudar, a nação vai mudar”. Ulysses usou a frase no discurso que fez na promulgação da Constituição de 1988.