Cello popular

Festival Rio International Cello Encounter chega à 21ª edição com espetáculos gratuitos por toda a cidade

Secretaria da Cultura do Rio de Janeiro

O grupo Choro na Feira também participa da abertura do festival, um concerto em homenagem aos 450 anos do Rio  (Foto: Divulgação)
David Chew recebe os violoncelistas Dave Haughey e Eugene Friesen para a noite de abertura do festival, no Espaço Tom Jobim
O violoncelista David Chew criou o festival em 1994 para democratizar o acesso à música clássica

Era 1994, pouco mais de um ano depois da chacina promovida por policiais militares na Igreja da Candelária, quando o violoncelista inglês David Chew resolveu lançar por aqui o festival Rio International Cello Encounter. Morador do Rio e sensibilizado com a morte dos oito jovens, Chew queria popularizar a música clássica, transformando-a em um instrumento para promover a paz nas favelas e na periferia. Foi assim que convidou músicos da Ásia, América do Norte e Europa para apresentações e oficinas gratuitas na comunidade de Santa Marta, entre os bairros de Botafogo e Laranjeiras.

Ao longo dos últimos vinte anos, o projeto já promoveu mais de 700 apresentações para um público estimado de 350 mil pessoas. Para a 21ª edição – cuja abertura oficial acontece na noite desta quinta (13), no Espaço Tom Jobim com o clássico dos violoncelistas Dave Haughey e Eugene Friesen se misturado ao popular do grupo Choro na Feira em uma homenagem aos 450 anos do Rio – estão previstas cerca de 50 concertos de artistas nacionais e estrangeiros, distribuídos por diferentes espaços da cidade, entre eles Parque Lage, Centro Municipal de Referência da Música Carioca, Escola de Música Villa-Lobos e Vila Olímpica da Maré.

“A música de qualidade tem que ser de graça, oferecida para todo mundo. Isso é muito importante para mim, especialmente depois da chacina da Candelária. Na primeira edição do festival, eu levei os músicos na comunidade do Santa Marta, que ainda não era pacificada. Essa foi uma das primeiras vezes que alguém foi lá e tocou na favela, antes mesmo da chegada de outros projetos sociais”, diz Chew, idealizador do festival que reúne, além da música, diversas linguagens artísticas, como a dança (Cello Dance), as artes plásticas (Cello Tinta) e a poesia (Cello Poema).

Outras atrações do evento, que segue até o dia 23 de agosto, são o violinista alemão Matthias Jakisic, o duo holandês Ernst Reijseger e Harmen Frannje, o bandoneonista argentino Tito Cartechini, o pianista holandês Gijs Andriessen, a Orquestra de Cordas de Volta Redonda e a Orquestra Sinfônica de Barra Mansa, entre outros. Além dos 450 anos do Rio, serão lembrados os compositores brasileiros Villani Côrtes, Francisco Mignone, Pixinguinha, Gilson Peranzzetta e Heitor Villa-Lobos. David Chew realça a importância de projetos como o Rio International Cello Encounter para a formação das crianças.

“Estamos sempre lutando para lembrar que os projetos sociais e culturais têm que ser mantidos a longo prazo. Os resultados começam a aparecer dentro de 20, 30 ou 40 anos. As crianças precisam disso, é uma oportunidade para o futuro”, conclui.

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