Moradores de Niterói ocupam terreno abandonado

Movimento dos Trabalhadores Sem Teto pede a construção de moradias populares

17/08/2015

Brasil de Fato | Fania Rodrigues, do Rio de Janeiro (RJ)

Foto: reprodução

Debaixo do sol escaldante, Maria de Fátima de Souza, de 38 anos, constrói seu barraco na recente ocupação do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), no bairro Largo da Batalha, em Niterói. Apesar do esforço físico para fincar as estruturas de bambu, seu cansaço não é maior que a esperança de ter uma vida melhor.

“Aqui estamos tendo a oportunidade de lutar pela nossa casa própria”, diz a dona de casa e militante da ocupação. Atualmente Maria de Fátima mora no Morro do Cantagalo, localizado na baixada litorânea de Niterói. Mãe de seis filhos, ela e sua família vivem apenas da renda do esposo, que é ajudante de bombeiro hidráulico. “Amo minha comunidade, mas a vida lá é muito difícil. Essa economia com o aluguel pode melhorar a vida dos meus filhos”, explica.

Maria de Fátima faz parte do grupo de mais de 350 famílias que ocupam o terreno de cerca de 100 mil metros quadrados, na região de Pendotiba, considerada nobre. Os militantes do MTST ocuparam a área na sexta-feira (7). O terreno, que pertence à Prefeitura de Niterói, foi desapropriado em 2011, com o objetivo de construir um terminal rodoviário, mas estava abandonado há muitos anos.

Habitação popular

No entanto, nenhum projeto para viabilizar o terminal foi apresentado. O MTST pede que esse terreno seja destinado à habitação popular. “Tem muitas famílias de comunidades pobres do entorno, algumas delas vivendo em área de risco, que necessitam de uma moradia”, afirma um dos coordenados do MTST, Guilherme Simões.

Aos poucos, o terreno que estava abandonado, cheio de mato e lixo, vai ganhando vida e barracos improvisados de famílias pobres que reivindicam o direito à moradia. Porém, a batalha promete ser longa, já que essa é uma das regiões mais valorizadas da cidade, e o mercado imobiliário está de olho. “Nosso maior conflito é com a especulação imobiliária. Tem muita gente em carro importado que passa aqui na frente do acampamento e nos chama de vagabundos. Os ricos da área não aceitam nossa presença”, destaca Guilherme.

Casa para todos

Segundo a política do movimento pela moradia, não pode haver casa sem gente e gente sem casa. É isso que os ocupantes do Largo da Batalha reivindicam. “Abandonada como estava, essa área não cumpria sua função social. Esse terreno não pode continuar vazio enquanto tem gente precisando de casa digna”, afirma Guilherme Simões, do MTST.

Foi isso que levou a dona de casa Cleomar Rodrigues Mendes, de 42 anos, a se juntar à luta. “Lá em casa, somos sete pessoas morando em um espaço muito pequeno. Moro com meus três filhos, meu pai de 74 anos e duas irmãs. E essa casa pertence ao pai dos meus filhos, nem é nossa”, diz a militante.

Ela sonha com o dia em que vai morar em uma casa melhor e em um lugar com mais facilidade. “Subir e descer da comunidade com meu pai doente é muito sofrido. Se alguém passa mal a noite não tem como ir para o médico, pois estamos no alto da comunidade e é complicado sair. Se a gente conquistasse nossa casinha, aqui as coisas seriam mais fáceis”, garante a dona de casa.

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