Grécia registra aumento dramático de imigrantes em plena crise econômica

Cerca de 21.000 imigrantes chegaram na semana passada pelo mar às ilhas gregas, fugindo da guerra, da violência e da pobreza na Síria, Iraque e Afeganistão, alertou a ONU nesta terça-feira, pedindo ajuda às autoridades gregas, apesar da grave crise econômica que o país enfrenta.

Em uma semana, Alto Comissariado para os Refugiados (Acnur) registrou tantas chegadas na Grécia quanto em seis meses de 2014, ano durante o qual 43.500 migrantes chegaram nesse país.

“O número de chegadas de migrantes aumentou dramaticamente”, ressaltou o Acnur, acrescentando que o ritmo de chegadas se “acelerou” nas últimas semanas.

O Acnur exorta a Grécia a reforçar de forma “urgente” as instalações de acolhimento nas ilhas e no resto do país, e a criação de uma “estrutura única para coordenar a resposta de emergência” para esta crise.

O país também deve “estabelecer um mecanismo de assistência humanitária adequado”.

Entre 1º de janeiro e 14 de agosto de 2015, cerca de 160 mil migrantes chegaram pelo mar na Grécia, aos quais somam-se 1.716 chegadas por via terrestre, com a passagem da fronteira greco-turca.

Durante o mesmo período, mais de 2.400 migrantes morreram tentando cruzar o Mar Mediterrâneo para chegar à Europa.

Nesta terça de manhã, cinco migrantes sírios morreram quando o barco em que estavam virou e afundou quando tentavam chegar à ilha Kos, de acordo com a agência turca Anatolia.

A embarcação transportava 29 imigrantes, dos quais apenas 24 foram resgatados.

Já em 2014, 3.500 pessoas perderam suas vidas no Mar Mediterrâneo.

Segundo o coordenador da ajuda de emergência do Acnur para a Grécia, Roberto Mignone, o número de recém-chegados por noite na ilha de Kos é variável.

“Há duas noites, cerca de 650 pessoas foram resgatadas, e na noite passada, havia 250”, disse à AFP.

Cerca de 1.750 migrantes estão atualmente a bordo de uma balsa enviada pelas autoridades gregas ao largo da ilha de Kos, à espera de serem salvos, para que possam continuar a viagem para Atenas e norte da Europa.

“Nós estimamos que ainda há 2.500 migrantes na ilha neste momento”, acrescentou Mignone.

Na semana passada, o número de chegadas em Kos atingiu 7.000, com um tempo de espera interminável e nenhuma ajuda alimentar, exceto por turistas e moradores compadecidos.

Não há mais alojamentos disponíveis na ilha, embora Atenas tenha inaugurado no domingo um acampamento com 90 casas móveis, podendo acomodar entre 600 e 700 pessoas, com banheiros, chuveiros e ar condicionado.

Alguns esforços

“Houve alguns esforços das autoridades gregas, algumas melhorias, mas a situação continua muito complicada”, disse Mignone.

Em particular, o tratamento dos casos é lento, e não há policiais suficientes para registrar os pedidos de asilo.

A maioria das pessoas chegam a Kos em barcos infláveis ​​de Bodrum, na Turquia, a partir da Síria, Iraque e Afeganistão.

Segundo o Acnur, a maioria deles deve obter o status de refugiado.

A Alemanha, um dos destinos favoritos de muitos migrantes, está se preparando para rever em alta a sua previsão do número de requerentes de asilo para 2015, que poderia chegar a “até 750 mil”, um recorde, de acordo com o jornal Handelsblatt.

Contactado pela AFP, o governo não confirmou nem negou o número citado pelo Handelsblatt, simplesmente referindo-se a uma coletiva de imprensa na quarta-feira do ministro do Interior Thomas de Maizière, “que falará sobre estes previsões revistas”.

De acordo com as estatísticas do Eurostat, em 2014, a Alemanha acolheu sozinha 32,4% de todos os requerentes de asilo que chegaram à UE.

Por último, as autoridades italianas anunciaram nesta terça-feira que prenderam oito supostos traficantes entre os passageiros de uma embarcação em que 49 migrantes, mantidos a chutes e socos no porão, morreram asfixiados no último sábado.

Com base em “depoimentos contundentes” de muitos sobreviventes, especialmente parentes das vítimas, os investigadores identificaram um marroquino de 20 anos como o capitão do barco de 13 metros de comprimento em que estavam 362 pessoas.

Os outros sete funcionários eram responsáveis pela manutenção da ordem e, particularmente, para evitar que os cinquenta passageiros no porém subissem ao convés, um movimento que poderia virar o barco.

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