Sem-terra marcham por reforma agrária no interior de São Paulo e em Minas Gerais

Movimento vai à capital mineira e interior de São Paulo para cobrar dos governos compromissos assumidos com camponeses.

18/08/2015

Brasil de Fato

Marcha no interior de SP | Foto: MST

Pela reforma agrária popular, milhares de integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realizam marchas em São Paulo e em Minas Gerais, nesta terça-feira (18). As ações antecedem a mobilização nacional que irá ocorrer nesta quinta-feira (20), em todo o país “por direitos, liberdade e democracia, convocada”, convocada por movimentos populares e sindicais.

No interior paulista, cerca de 450 famílias sem-terra saíram em caminhada do acampamento Alexandra Kollontai, em Serrana (SP), pela rodovia Abraão Assed, em direção à cidade de Ribeirão Preto. O acampamento Alexandra Kollontai existe desde 2009. Desde então, as famílias que vivem no local lutam pela adjudicação da fazenda Martinópolis.

Segundo o MST, a fazenda pertence à Usina Martinópolis, que possui uma dívida de cerca de R$ 300 milhões em Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) junto ao governo do estado de São Paulo.

Para Kelli Mafort, da direção nacional do MST, “é gritante a situação dos trabalhadores e trabalhadoras acampadas no local. Não dá mais para adiar. Já são mais de sete anos debaixo da lona preta, em péssimas condições de moradia, sem água, sem trabalho. Essas famílias têm que ser assentadas imediatamente”.

Na região de Ribeirão Preto há 67 processos de áreas em recuperação judicial. O setor sucroalcooleiro possui atualmente uma dívida de R$ 80 bilhões. Somente na região de Ribeirão, 80 usinas já faliram nos últimos anos.

Marcha em MG

Dois mil trabalhadores rurais do MST realizam uma marcha em Belo Horizonte (MG), como parte da Jornada Mineira de Lutas por Reforma Agrária. O ato inicia na avenida Cristiano Machado e vai até a Cidade Administrativa, sede do governo estadual, onde será realizado um ato político pela Reforma Agrária Popular. Em seguida, o movimento montará acampamento na Assembleia Legislativa.

De acordo com o MST, a jornada tem como objetivo denunciar a paralisação da reforma agrária no país e a política econômica do governo federal – que coloca em risco a conquista de direitos dos trabalhadores -; também cobra o compromisso do Ministério do Desenvolvimento Agrário em assentar as 5 mil famílias sem-terra acampadas em Minas Gerais.

Ato em MG | Foto: MST

“Não tem mais motivos para adiar o atendimento das nossas demandas”, afirma Silvio Netto, da coordenação estadual do MST. Dentre as demandas estão a erradicação da pobreza no campo, o investimento em infraestrutura e desenvolvimento dos assentamentos, um programa de agroindústrias para os assentados, o desenvolvimento de um plano de recuperação ambiental para o estado e a abertura de escolas do campo.

Também consta como reivindicação a garantia de desapropriações de áreas emblemáticas da luta do campo no estado. Entre elas, o acampamento Terra Prometida, onde aconteceu o Massacre de Felisburgo; o acampamento Nova Vida, no município de Novo Cruzeiro, no qual as famílias estão há 14 anos acampadas; e a fazenda Ariadnópolis, em que há vários acampamentos como mais de 16 anos.

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