Filho de chefe da polícia estaria envolvido em explosões na China

Um dos proprietários do depósito de produtos químicos de Tianjin, devastado por gigantescas explosões na semana passada, é o filho de um ex-chefe da polícia local, informou a imprensa chinesa, enquanto o prefeito da cidade fez um mea-culpa pela tragédia, que deixou 114 mortos.

Dez funcionários da companhia Tianjin Rui Hai International, a quem pertencia o depósito no porto de Tianjin, foram presos após as explosões.

A agência oficial Xinhua teve acesso a alguns dos suspeitos. Entre eles, Shexuan Dong, de 34 anos, filho de um ex-chefe de polícia do porto de Tianjin. Ele controlava 45% das ações de Rui Hai, que estavam em nome de um colega.

O restante da empresa pertence a Yu Xuewei, um ex-dirigente do grupo público Sinochem, o gigante chinês da indústria química. Ele também se escondia atrás de um laranja, um amigo próximo, segundo a Xinhua.

“Eu pedi a meu colega que guardasse estas ações em seu nome, por causa do meu pai. Se a imprensa noticiasse que eu fazia esse tipo de investimento, isso poderia ter um impacto negativo”, declarou Dong, citado pela agência estatal.

Cerca de 700 toneladas de cianureto de sódio, um componente altamente tóxico, eram mantidos no depósito, localizado a menos de um quilômetro de zonas habitadas e de estradas importantes – o que é proibido pelas regras de segurança chinesas.

Complexos residenciais e uma estação de trem estão situadas dentro de um raio de 650 m ao redor do armazém, e os líderes de Rui Hai se esforçaram para esconder estes fatos, acusa a agência de notícias.

Dong Shexuan reconheceu ter usado sua influência política para conseguir todas as licenças necessárias e para passar sem impedimentos por todas as inspeções.

“As minhas conexões estão na polícia e nos bombeiros. Eu me encontrava com membros das brigadas de bombeiros do porto de Tianjin e entregava arquivos, e muito rapidamente recebia autorização”, revelou Dong.

Tianjin Rui Hai International Logistics tem também operou sem uma licença por nove meses, até junho, acrescentou a Xinhua.

“Após o fim da nossa primeira licença, fizemos um pedido de prorrogação. Mas enquanto isso, nós não paramos nossas atividades”, declarou Yu Xuewei.

“Nós não pensávamos que isso era realmente um problema. Muitas outras empresas o fazem também”, acrescentou, citado pela imprensa estatal.

Sinochem, seu antigo empregador, possui dois armazéns de produtos perigosos perto do local das explosões, o que também viola os regulamentos em matéria de segurança, segundo a ONG Greenpeace.

Enquanto isso, uma investigação por corrupção foi aberta contra o diretor administrativo do Estado responsável pela segurança do trabalho.

Estas informações foram divulgadas enquanto Pequim procura destacar as deficiências dos funcionários locais, tentando desviar a ira popular e as denúncias de falhas mais amplas em todo o país.

Nesta quarta-feira, durante um coletiva de imprensa transmitida ao vivo pela televisão, o prefeito de Tianjin fez uma mea culpa modesta.

“Na condição de dirigente, não posso me esquivas de minhas responsabilidades”, declarou Huang Xingguo, enquanto várias pessoas que precisaram ser desalojadas pelo risco de contaminação manifestavam em frente ao hotel.

‘Democracia chinesa’

Mas ao contrário dos dias anteriores, várias autoridades locais vieram ao encontro dos manifestantes para ouvir as suas queixas.

“Comprem!”, gritavam os manifestantes, referindo-se a seus apartamentos, enquanto as autoridades – incluindo Zong Guoying, secretário do Partido Comunista local, pegava em megafones para falar com eles

As autoridades asseguraram aos moradores que ouviram e entenderam as suas demandas e preocupações.

O princípio de uma reunião entre as autoridades locais e representantes dos proprietários foi aceita, sem qualquer compromisso feito, observou um dos manifestantes, Xuan Hong.

“Isso é positivo, mas ainda não há solução”, disse à AFP.

“Tenho certeza que eles já têm soluções, mas eu não tenho certeza que ela atende às nossas expectativas”, acrescentou, referindo-se aos pedidos dos moradores para serem realojados.

“Nós temos muitas, muitas opções”, confirmou Zong à AFP, enquanto a discussão entre residentes e autoridades prosseguia.

“É nossa responsabilidade. Nós somos o governo do povo”, disse ele. A “Democracia da China é diferente”, disse Zong, “Mas o governo chinês trabalha para o povo chinês”, assegurou.

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