Ministério Público pede anulação das 798 demissões na GM de São José dos Campos

A empresa anunciou as demissões por telegrama, contrariando a jurisprudência que a obriga a negociar com o sindicato antes de realizar cortes em massa.

Brasil de Fato | Victor Tineo, de São Paulo (SP)

Trabalhadores foram avisados das demissões por cartas

O Ministério Público do Trabalho pediu a anulação das 798 demissões realizadas pela General Motors, durante audiência de reconciliação, na segunda-feira (17). A GM recusou o pedido do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos de cancelar as demissões e nova audiência foi marcara para a próxima sexta-feira (21).

Contrariando a jurisprudência que obriga a empresa a negociar com o sindicato da categoria antes de realizar demissões em massa, a empresa enviou por telegrama todas as 798 demissões, sem qualquer acordo ou contato com o sindicato. Para tentar reconciliação com grevistas, a montadora ofereceu um salário-base para os trabalhadores demitidos, mas o sindicato recusou a proposta.

A greve dos metalúrgicos da GM chega a 8 dias e não tem previsão de acabar. O secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos aponta que a entidade não vai recuar “As empresas lucraram milhões durante esses últimos 12 anos, com incentivos fiscais do governo, mas agora que a crise aperta tentam jogar nas costas dos trabalhadores, agora a gente tem que ir pra cima”.

“A audiência de hoje foi um passo positivo em nossa luta para que as demissões sejam anuladas”, afirma o presidente do Sindicato, Antônio Ferreira de Barros, o Macapá.

Audiência pública

A demissão em massa realizada pela GM será tema de audiência pública, na Assembleia Legislativa de São Paulo, nesta quarta-feia (19), às 19h.

Para o debate foram convidados representantes da General Motors, da Prefeitura de São José dos Campos e da Comissão de Atividades Econômicas da Assembleia Legislativa. A audiência será no Plenário Teotônio Vilela.

O sindicato aponta que manterá a mesma postura durante a audiência. “O sindicato vai manter a posição em favor dos trabalhadores e contra as demissões”, afirma Renato.

Questionado sobre a situação da crise, Renato acredita que uma medida provisória para proteger o trabalhador é necessária. “O governo federal tem que propor uma medida provisória que garanta a estabilidade dos trabalhadores, para que eles não saiam prejudicados”

Outros casos

Na cidade de Taubaté (SP), operários da Volkswagen estão em greve pela demissão de 50 funcionários nesta segunda-feira (17). A empresa se defende afirmando que, com o atual cenário do mercado, a fábrica precisou de novas medidas para continuar competitiva.

De acordo com o sindicato, a montadora alega que há excesso de trabalhadores na planta, queda na produção e que a fábrica quer fazer um reajuste salarial, prejudicial aos trabalhadores.

A greve não tem previsão para o fim e só acabará, segundo o sindicato, com a reversão de todas as demissões que ocorreram na segunda-feira (17).

No mesmo dia, a fabricante chinesa Chery anunciou férias coletivas para funcionários da fábrica de Jacareí (SP). O sindicato indica que 300 pessoas são atingidas pela decisão, segundo informações do portal G1.

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