A força do cinema argentino

Mostra Argentina Rebelde, na Caixa Cultural, reúne 17 filmes das últimas sete décadas. Maioria nunca foi lançada no Brasil

Secretaria da Cultura do Rio de Janeiro

‘Terra dos Patriarcas’ (2011), de Nicolás Prividera, é um dos destaques da programação. O filme nunca foi exibido no Brasil  (Foto: Divulgação)

"Pude ver um Puma" (2011), de Eduardo Williams: filme rodado na Argentina, entre as ruínas de um complexo de luxo dos anos 1980
"Invasão" (1969), de Hugo Santiago, é um dos destaques da programação. No filme, um grupo de homens, liderados por um idoso, tenta impedir uma invasão à cidade de Aquileia

Com dois Oscars de melhor filme em língua estrangeira na bagagem – um em 1986 por A História Oficial e outro em 2010 por O Segredo de seus Olhos – , o cinema argentino se destaca mais a cada dia com bons roteiros, diretores e atores . Em homenagem à produção cinematográfica dos hermanos, a Caixa Cultural do Rio de Janeiro apresenta ao público carioca, a partir desta terça (18), Argentina Rebelde. Com 17 filmes entre longas, médias e curtas-metragens, a maioria inédita no Brasil, a mostra traça um amplo panorama do que vem sendo produzido no país nos últimos 70 anos, do cine social da década de 1940 ao Nuevo Cine dos anos 1960, passando pelas propostas contemporâneas mais radicais.

A programação, que tem curadoria do crítico e pesquisador de cinema Victor Guimarães, reúne obras de diversos estilos, todas marcadas por um toque de rebeldia. “O sentido da rebeldia que reúne as obras desta mostra é duplo e indissociável: resistência à injustiça social e à repressão política, aliada, no cinema, à insubordinação diante das gramáticas hegemônicas. Rebeldia que não tem apenas um sentido negativo, de oposição, mas que se afirma como invenção, apesar de tudo”, diz o curador.

Entre os filmes selecionados estão o longa Invasão (1969), que retrata um grupo de homens, liderados por um idoso, que tenta impedir uma invasão à cidade de Aquileia. A história, que faz referência à Guerra de Troia, é uma lenda na cultura argentina. Também faz parte da programação … (Reticências), de 1971, primeira produção do escritor e cineasta Edgardo Cozarinsky, um dos nomes mais importantes do cinema underground argentino. O filme nunca foi lançado, tendo sido, inclusive, considerado perdido. Em 2011, por fim, foi restaurado.

Outro título em destaque é o curta Rei Morto (1995), da premiada diretora Lucrecia Martel, que conta a história de uma esposa que tenta fugir de sua cidade e do marido abusivo. A mostra, que segue até o dia 30 de agosto, tem a participação de especialistas em cinema latino-americano, como os críticos argentinos Alejandro Cozza e Roger Koza, a professora e escritora argentina Ana Laura Lusnich e sociólogo e professor peruano Isaac León Frías.

“Cada filme, em seu tempo e a seu modo, como não poderia deixar de ser, combina faces de uma mesma atitude estética e política rebelde, que varia e se desdobra em um manancial de formas”, conclui Victor Guimarães.

Trailer de Rey Muerto

Colaboração de Danielle Veras

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s