O sambista Wilson Moreira faz campanha colaborativa para gravar novo CD

Foto: Luísa Côrtes

A partir de um site, todos podem ajudar na arrecadação de fundos para disco de músicas inéditas

21/08/2015

Brasil de Fato | Luísa Côrtes, do Rio de Janeiro (RJ)

Parceiro de Candeia, Nei Lopes, Paulo César Pinheiro, Elton Medeiros, entre outros, Wilson Moreira é um dos maiores compositores brasileiros. Com um sorriso no rosto e ótimas histórias, o “alicate” – apelido em referência ao seu firme aperto de mão – recebe todos com carinho e muita gentileza.

Autor de clássicos das rodas de samba, como Senhora Liberdade, Coisa da Antiga, Candongueiro e Gostoso Veneno, o mestre lança campanha colaborativa para gravar seu novo disco de composições inéditas, chamado Wilson Moreira em Versos e Quadras.

Assim, por meio do sitewww.kickante.com.br, até o final de setembro, qualquer admirador do samba de raiz pode colaborar com a gravação do CD e, em contrapartida, receber uma cópia do disco autografado, convite para o show de lançamento ou, até mesmo, ter a honra de presenciar um show particular de Moreira, entre outras recompensas que variam com o valor da contribuição.

História

O primeiro contato de Moreira com a música veio dos seus ancestrais, por isso, faz questão de respeitar as tradições e influências do jongo, lundu, calango, entre outros ritmos.

“Não conheci meu avô, mas minha mãe me contava que ele tocava caxambu, sanfona, gostava de dançar jongo. Minha família era de Minas, veio para o Rio, para a região de Vassouras, Paraíba do Sul, Avelar, Andrade Costa. Já meu pai era de Realengo, bairro onde nasci”, conta Wilson, que completa 79 anos em dezembro.

O sambista já foi percussionista, passista, contribuiu na formação das alas do G.R.E.S. Portela e, ao lado de Candeia, fundou o Grêmio Recreativo de Artes Negras e Escola de Samba Quilombo. “Já tive a honra de ter a minha obra interpretada por grandes músicos brasileiros, entre eles: Zeca Pagodinho, Roberto Ribeiro, Clara Nunes, Alcione, Beth Carvalho, João Nogueira e Elizeth Cardoso”, se orgulha.

No entanto, mesmo sendo um compositor reconhecido e gravado por cantores famosos, Wilson aponta para as dificuldades de se viver de música no Brasil. “O João Nogueira disse uma vez para mim: ´larga esse negócio de presídio, agora, você é um artista´. Eu respondi: está maluco, João? Eu passei num concurso para agente penitenciário, antes eu ficava sempre desempregado. Preciso de um emprego, só vive de música quem está na mídia, os grandões. E hoje continua a mesma coisa”, diz.

Durante mais de 30 anos trabalhando no presídio de Bangu, onde se aposentou em 92, Wilson Moreira ganhou inspiração para compor, em parceria com Nei Lopes, o clássico Senhora Liberdade: “Muita gente acha que é música de preso, um dia eu disse para o Nei que meu trabalho era tranca. Ele é advogado, assim, reunimos nossas experiências e acabou em samba. Há um tempo, trabalhando no presídio, tocou a música em um radinho de pilha. Um dos presos, que também gostava de música, veio me dar um abraço. Bonito, né?”, lembra.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s