Memórias: Sacco e Vanzetti

No dia 23 de agosto de 1927, foram executados Nicola Sacco e Bartolomei Vanzetti, dois anarquistas americanos, nascidos em Itália. Sobre as suas culpas houve muitas dúvidas já na época dos acontecimentos. Não foram absolvidos, mesmo depois de um outro homem ter admitido a autoria dos crimes. Por António José André.

Bartolomeo Vanzetti e Nicola Sacco

A acusação era de roubo e homicídio, mas o processo e a culpa dos dois homens sempre foram alvo de contestação. O julgamento foi injusto desde a acusação, tendo sido influenciado pelo contexto anti-imigrante e anti-anarquista.

O julgamento de Sacco e Vanzetti teve início, no dia 31 de Maio de 1921, no Tribunal de Dedham, sob um forte dispositivo policial. O exterior era patrulhado e a sala do tribunal foi alterada com portas deslizantes anti-bomba e grades de ferro nas janelas.

Durante o primeiro julgamento, por roubo, Sacco provou que tinha estado a trabalhar, mas Vanzetti não. Sacco tinha o cartão do ponto, Vanzetti apresentou testemunhas que lhe tinham comprado peixe nesse dia.

No segundo julgamento, por homicídio, Sacco apresentou provas de que tinha estado no Consulado Italiano. Depois, disse que tinha ido jantar com amigos. A acusação disse que eles eram conhecidos anarquistas.

O advogado da acusação Frederick Katzmann deu mais atenção às posições políticas de Sacco e Vanzetti do que ás provas. As provas apresentadas pela polícia revelaram-se equívocas e as testemunhas da acusação duvidosas.

No entanto, o júri voltou com um veredito de culpados, condenando Sacco e Vanzetti à pena de morte. Em 1926, Sacco e Vanzetti encontraram, na prisão de Dedham, Celestino Madeiros, que confessou ter cometido o crime atribuído aos anarquistas.

O recurso que apresentaram com este motivo, o apoio de advogados e do professor de Direito em Harvard, Felix Frankfurter, foi recusado. Um novo julgamento foi recusado também pelo Supremo Tribunal Judicial e por três juízes do Supremo Tribunal.

Os protestos espalharam-se nos Estados Unidos pelo mundo, mas eles acabaram por ser executados. No dia 23 de Agosto de 1977, Michael Dukakis, governador de Massachusetts, publicou uma proclamação que efetivamente absolvia os dois homens do crime.

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