Oskar Lafontaine: “Esquerda europeia deve desenvolver um plano B”

O ex-ministro das Finanças alemão e fundador do Die Linke diz que “o euro converteu-se num instrumento de dominação económica da economia alemã e do governo alemão na Europa” e faz a sua “autocrítica” por ter defendido transferência de mais poderes para o nível europeu.

Foto Bruno Schmitt/Die Linke

“A esquerda europeia deve agora desenvolver um plano B para o caso de um partido num dos membros europeus se veja numa situação parecida [à da Grécia]”, defende Oskar Lafontaine. Para o fundador do Die Linke, é preciso “tirar o poder ao Banco Central Europeu (que não está legitimado democraticamente) de anular a democracia” e voltar a criar um sistema monetário europeu. A ideia de um “plano B para fazer face à Europa alemã” foi também defendida no domingo pelo dirigente da Frente de Esquerda francesa Jean-Luc Mélenchon, que se encontrou com Varoufakis para lhe propor a realização de uma conferência europeia dedicada a trabalhar esta proposta.

Num artigo publicado esta semana no Junge Welt, intitulado “O que podemos aprender com a chantagem ao governo do Syriza?”, Oskar Lafontaine defende que a questão que a esquerda deve responder não é “dracma ou euro?”, mas se “apesar do efeito social catastrófico está a favor da permanência do euro ou pelo contrário se pronuncia a favor de uma reconversão escalonada para um sistema monetário europeu mais flexível”.

Neste artigo, Lafontaine faz a sua “autocrítica” por ter defendido, “enquanto europeu convicto”, a política de transmisão de poderes a nível europeu. “Hoje está claro que a Comissão Europeia e o Parlamento Europeu se tornaram muletas executantes do lóbi financeiro e transferir mais competências a nível europeu é equivalente à desmontagem da democracia e do estado social de direito”.

“Sou favorável ao regresso a um sistema europeu de moedas que tenha em conta as experiências aprendidas com este sistema monetário e que com a sua construção beneficie todos os países que dele fazem parte”, prossegue Lafontaine, explicando que “o sistema monetário europeu funcionou com algumas dificuldades, mas melhor que a moeda única”, permitindo compensar os diferentes crescimentos económicos. Com o euro, diz Lafontaine, apenas os trabalhadores e pensionistas dos países periféricos “arcam com o peso da desvalorização interna através da descida dos salários, cortes de pensões e subidas de impostos”.

Neste artigo, Lafontaine faz a sua “autocrítica” por ter defendido, “enquanto europeu convicto”, a política de transmisão de poderes a nível europeu. “Hoje está claro que a Comissão Europeia e o Parlamento Europeu se tornaram muletas executantes do lóbi financeiro e transferir mais competências a nível europeu é equivalente à desmontagem da democracia e do estado social de direito”.

“O euro converteu-se num instrumento de dominação económica da economia alemã e do governo alemão na Europa. Uma esquerda que queira uma Europa democrática e social, deve mudar a sua política europeia e escolher novos caminhos”, conclui o antigo ministro das Finanças do SPD.

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