Preços das commodities despencam nesta segunda-feira negra

Os preços das matérias-primas sofreram novamente uma forte queda nesta segunda-feira empurrados pela preocupação gerada pela economia chinesa, grande consumidora de materiais industriais, e o pânico dos investidores quanto a uma possível segunda-feira negra nos mercados mundiais.

A China, segunda economia mundial e maior consumidor de metais industriais, viu sua principal bolsa, a de Xangai, cair nesta segunda-feira 8,49%.

“A grande queda das matérias-primas é o reflexo do pessimismo sobre a China”, afirmou à AFP Daniel Ang, analista da Phillip Futures, de Cingapura.

Os investidores temem que a demanda chinesa de matérias-primas sofra com a redução da atividade industrial do gigante asiático.

Assim, o barril de “light sweet crude” fechou abaixo do patamar simbólico dos 40 dólares, a 38,24 dólares, o menor preço desde fevereiro de 2009.

Outras commodities necessárias para a atividade industrial, como o cobre e o alumínio, também chegaram a níveis não vistos em muito tempo.

O cobre, cujo preço é considerado um termômetro por seu amplo uso em todos os setores da indústria, caiu abaixo dos 5.000 dólares por tonelada na sexta-feira pela primeira vez desde a crise financeira de 2008, enquanto o alumínio caiu ao nível mais baixo em seis anos.

O Commodity Index da Bloomberg, que enumera 22 matérias-primas, nesta segunda-feira chegou ao nível mais baixo desde agosto de 1999.

Por outro lado, o preço do ouro, considerado um ativo seguro em tempos de crise, subiu e atingiu o valor mais alto desde o início de julho.

Medo do efeito dominó

Os investidores começam a temer seriamente que a debilidade da economia chinesa cause um efeito dominó e acabe atingindo toda a economia mundial.

Entre meados de junho e o fim de julho, a Bolsa de Xangai perdeu quase 30% de seu valor, levando o governo a adotar medidas drásticas, como as três desvalorizações da moeda nacional, para acalmar a insegurança dos mercados.

Essas medidas foram interpretadas pelos investidores como um sinal de que os problemas enfrentados pela economia chinesa são maiores do que se acreditava.

“O Banco Central chinês falhou espetacularmente em estimular sua economia, a recuperação europeia se baseia em um euro mais fraco, minado pela desvalorização do iuane, e os Estados Unidos vivem a recuperação mais lenta de sua história, apesar dos pesados subsídios”, disse Jasper Lawler, analista de CMC Markets.

Nesta segunda-feira, o pânico se espalhou por todas as bolsas europeias, com perdas de mais de 4% em Londres, Frankfurt, Madri e Amsterdã.

Alguns analistas, contudo, não se deixam abater pelo pessimismo e acreditam que os preços das commodities vão se recuperar porque os fundamentos econômicos são positivos.

“Os dados de julho sobre a demanda de matérias-primas são robustos (…), a demanda de cobre refinado subiu 2% nesse mês e 6% ao ano. Outros dados apontam uma demanda mais forte do que a oferta. Para nós, é realmente a especulação que está causando a queda dos preços, assim como as medidas impostas pelo governo chinês”, estimaram os analistas do Commerzbank.

“Esperamos que os preços voltem a subir no decorrer do ano”, concluíram.

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