Adolescente somali morre em barco que o resgatou no Mediterrâneo

Um adolescente somali de 15 anos morreu em um barco da Médicos sem Fronteiras (MSF) que o resgatou no Mediterrâneo, devido aos espancamentos sofridos na Líbia, contaram testemunhas à organização humanitária.

Com base na primeira análise do corpo, o jovem morreu no barco Dignity da MSF de uma parada cardíaca provocada pelas condições de saúde que registrava devido aos maus-tratos sofridos.

Seus companheiros da travessia contaram que o jovem, que sofria de uma doença crônica, havia sido obrigado a trabalhar sem parar, sem água ou comida e que costumava ser espancado.

“Apesar dos ferimentos, foi obrigado a realizar trabalhos pesados sem receber comida ou água”, explicou a MSF.

O barco Dignity resgatou no domingo 300 pessoas que haviam sido salvas por navios italianos em frente à costa da Líbia.

“Não podia caminhar, parecia que havia reagido bem aos primeiros socorros, mas sucumbiu tragicamente na segunda-feira a uma parada cardíaca”, indicou a MSF.

A embarcação da MSF chegou nesta terça-feira ao porto de Augusta, na Sicília.

Cerca de 5.000 pessoas, um número recorde, foram resgatadas no último fim de semana no Mediterrâneo, informou a Guarda Costeira italiana.

Trata-se de uma das maiores crises migratórias que a Europa, em particular a Itália e a Grécia, vive, onde uma multidão de pessoas, entre foragidos e imigrantes, tentam chegar à Europa aproveitando o verão.

Segundo as autoridades, com esta onda já são 107.000 os migrantes que chegaram à Itália pelo Mediterrâneo, enquanto a Grécia recebeu 157.000 durante o ano.

Um total de 90.000 se encontram nas instalações de acolhida da Itália à espera de receber o asilo ou ser devolvidos aos seus países se não cumprirem os requisitos para obter o asilo.

Segundo a Organização Internacional para as Migrações Internacionais (OIM), mais de 2.300 perderam a vida na travessia.

Outro fenômeno que preocupa as autoridades é a chegada de menores de idade sem acompanhante, cujo número atinge 7.350, calcula a organização Save the Children.

A maioria destes menores são eritreus que não querem realizar o serviço militar. Segundo o jornal La Repubblica, um menino de 12 anos deste país caminhou durante um ano, atravessou rios e desertos para poder zarpar da Líbia em uma embarcação que foi resgatada no último fim de semana.

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