Afoxé Filhos de Gandhy sedia encontro sobre Revolta dos Búzios e ações afirmativas

27 de agosto de 2015

Evento acontece sexta-feira, dia 28, na sede da instituição, entrada gratuita

 

Agência Áfricas de Notícias 

show_imgREDAÇÃO – O Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela, órgão vinculado à Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), em parceria com os Filhos de Gandhy, realizam um debate nesta sexta-feira,  28 sobre ações afirmativas, trazendo os ideais da Revolta dos Búzios para a atualidade. O encontro será às 18h30, na sede do afoxé, no bairro do Pelourinho, em Salvador, como parte da programação do ‘Agosto da Igualdade’, mês alusivo à manifestação popular de 1798 pela república democrática e abolição da escravatura.

Para a discussão, foram convidados o cineasta e fotógrafo Antônio Olavo, que já apresentou projetos como Quilombos da Bahia (2004), Abdias do Nascimento: Memória Negra (2008) e A Cor do Trabalho (2014), além dos historiadores Fred Joi e Anne Rodrigues, também coordenadora do Mundo Afro.  Participam ainda do evento, aberto ao público, o presidente do afoxé Filhos de Gandhy, Francisco Lima, e o coordenador do Centro de Referência Nelson Mandela, Walmir França. A atividade é associada à Década Internacional de Afrodescendentes, que vigora até 2024, trabalhando diversas temáticas ligadas às questões raciais nos eixos da justiça, reconhecimento e desenvolvimento.

A história: Conjuração Baiana ou Revolta dos Búzios

No dia 12 de agosto de 1798 tinha inicio um dos movimentos abolicionista e de independência, menos conhecidos do Brasil – A revolta dos Alfaiates ou dos Búzios. Comparado a Inconfidência Mineira, a articulação na Bahia era mais arrojada, pois propunha a libertação das pessoas escravizadas – coisa que Tiradentes e companhia limitada não pensaram. A revolta foi inspirada na Revolução Francesa, 1792 – nos ideais: Fraternidade, Liberdade e Igualdade.
As autoridades portuguesas até que tentaram evitar que as ideias francesas chegassem à colônia brasileira, mas a vinda em 1796 de um francês de nome Larcher acabou pondo por terra a estratégia. Cientes da presença do partidário da revolução na França, o colocaram sob vigilância, mas os soldados encarregados terminaram apaixonados pelos fatos que aconteciam na Europa.        Não era difícil isso acontecer, pois eles eram brasileiros e não concordavam com a situação que estava sendo submetido o Brasil.
Outro influenciado pelas ideias do francês, foi o farmacêutico o João Ladislau Figueiredo e Mello, que cedia sua residência para reuniões, que participavam membros da elite baiana, mais ligados aos setores liberais. Entre eles o padre Francisco Agostinho Gomes e até um senhor de engenho – Inácio Siqueira Bulcão. Inclusive livros de pensadores iluministas eram lidos e distribuídos, apesar da forte fiscalização portuguesa contra esse material.
Nesse período os senhores de engenhos estavam beneficiados pelo aumento da produção da cana-de-açúcar, que substitui no mercado internacional o mesmo produto cultivado em São Domingos, palco da revolta dos escravos. Mas a recusa desses produtores em cultivar gêneros alimentícios aumentou a inflação sobre a comida, criando descontentamento na população pobre.
Também chamada de Inconfidência Baiana, a Revolta teve efetivo inicio com a divulgação de panfletos feitos por Luis Gonzaga das Virgens, com as seguintes ideias: 1º – Independência da Capitania; 2º Governo Republicano; 3º Liberdade de comercio e abertura de todos os portos; 4º Cada soldado receberia soldo de duzentos réis por dia; 5º Libertação das pessoas escravizadas. O material foi afixado e distribuído nas ruas de Salvador. Delatado, Luis, foi preso no dia 24 de agosto de 1798.

No texto dos panfletos constava a seguinte frase: “Povo que viveis flagelados com o pleno poder do indigno coroado, esse mesmo rei que vós criastes; esse mesmo rei tirano é o que se firma no trono para vos veixar, para vos roubar e para vos maltratar.” E outro se lia: “Animai-vos Povo Bahiense que está por chegar o tempo feliz da nossa liberdade: o tempo em que todos seremos iguais”.

Durante a fase de repressão, centenas de pessoas foram denunciadas – militares, clérigos, funcionários públicos e pessoas de todas as classes sociais. Destas, quarenta e nove foram detidas, a maioria tendo procurado abjurar a sua participação, buscando demonstrar inocência. No dia, 8 de novembro de 1799, procedeu-se à execução dos condenados à pena capital, por enforcamento, de quatro pessoas, entre eles dois soldados, um aprendiz de alfaiate e um mestre alfaiate. Um quinto condenado à pena capital, o ourives Luís Pires, fugitivo, jamais foi localizado. Pela sentença, todos tiveram os seus nomes e memórias “malditos” até à 3a. geração. Os despojos – cabeças e mãos – dos executados foram espalhados pela cidade e ficaram em exposição.

Os despojos ficaram à vista, para exemplo da população, por cinco dias, tendo sido recolhidos no dia 13 pela Santa Misericórdia (instituição responsável pelos cemitérios à época do Brasil Colônia), que os fez sepultar em local desconhecido. Os demais envolvidos, um total de sete pessoas,  foram condenados à pena de degredo, agravada com a determinação de ser sofrido na costa Ocidental da África, fora dos domínios de Portugal o que equivalia à morte. Cada um recebeu publicamente 500 chibatadas no Pelourinho, à época no Terreiro de Jesus, e foram depois conduzidos para assistir a execução dos sentenciados à pena capital.

(fonte: historiasylvio.blogspot.com// revoltadosbúzios/google)

Serviço:

O quê: Painel de Debate sobre a Revolta dos Búzios.

Quando: 28.08 (sexta-feira), às 18h30.

Onde: Sede do afoxé Filhos de Gandhy (Rua Maciel de Baixo, 53 – Pelourinho, Salvador/BA).

Mais informações: 3321-7073 / 3117-744

Publicação autorizada pela Agência Áfricas de Notícias

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