CPI do Futebol enviará justificativa ao STF para explicar a quebra dos sigilos de Del Nero

Agência Senado de Notícias |Sergio Vieira | 27/08/2015, 13h40

 Em entrevista coletiva concedida após a reunião da CPI do Futebol, o presidente da Comissão, senador Romário (PSB-RJ), afirmou que, até as 20h desta quinta-feira (27), será encaminhada ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fachin a resposta a um mandado de segurança impetrado por Marco Polo Del Nero. Fachin é o relator da ação movida pelo presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Del Nero questiona a aprovação da quebra de seus sigilos bancário e fiscal por parte da CPI, alegando não haver nenhuma razão concreta, fruto de investigações, para que isso ocorra. O dirigente garante ser alvo de “perseguição” por parte do colegiado. O argumento foi rebatido por Romário.

– Na condição de cartola-mor do futebol, é fundamental que tenhamos acesso a estas informações. O que não faltam são indícios, denúncias para que isso ocorra – afirmou o senador, argumentando que “passar a limpo” o futebol no país trará benefícios para a sociedade.

O senador Roberto Rocha (PSB-MA) afirmou ter ficado “indignado” com o mandado movido pelo cartola. Essa atitude, em seu entendimento, traz mais suspeição às atividades do dirigente.

– Agora que faço mais questão ainda de que estas informações venham à tona. O que será que ele tanto teme que a sociedade saiba? – questionou.

Jornalistas

A comissão ouviu nesta quinta-feira os jornalistas Luiz Carlos Azenha, Amaury Ribeiro Jr. e Leandro Cipoloni. Eles são, junto com Tony Chastinet, os autores do livro O lado sujo do futebol, lançado em 2014 e que teve o prefácio assinado por Romário.

Ribeiro Jr. prometeu entregar à CPI documentos sobre o que denomina “Conexão México”. A documentação mostraria, segundo o jornalista, que empresas como a Nike e a Adidas teriam esquemas de lavagem de dinheiro no país. O repórter investigativo acusa essas duas empresas e outras companhias de se valerem de instrumentos legais como a Lei Geral da Copa como fachada para a prática de ilegalidades, contando com a conivência de autoridades do Banco Central. Ele acrescentou que a lei também foi utilizada por empresas de comunicação com o fim de sonegar impostos e informou àAgência Senado que repassará toda a documentação para a CPI na próxima semana.

Já Azenha sugeriu ao colegiado que as investigações tenham, entre outros alvos, os intermediários dos contratos da CBF. O profissional, que trabalha na TV Record, lembra que grandes ligas como a NBA (do basquete norte-americano) e outras jamais utilizam esse tipo de artifício.

Para ele, o ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira era o sócio oculto de empresas como a Traffic, de outras ligadas a Sandro Rosell (ex-dirigente da Nike e do Barcelona) e à ISL, todas intermediárias de contratos milionários.

– Esses intermediários servem apenas para a distribuição de propinas – garante.

Já para Cipoloni, o fato de Teixeira nunca ter sido condenado em muitas das investigações de que foi alvo só pode ser explicado devido à “leniência das autoridades”.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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