Presidente do BNDES defende segurança de empréstimos a outros países

Agência Câmara de Notícias

O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, disse há pouco que os empréstimos feitos pelo banco a países sem grau de investimento (risco-país elevado), como Angola, Cuba e Venezuela, têm garantia de liquidez que protege as operações, como o Fundo Garantidor de Comércio Exterior (FGCE). Além disso, segundo ele, o banco busca outras garantias, que reforçariam a segurança dos créditos concedidos.

Em Angola, por exemplo, o petróleo daquele país cobre o cumprimento dos compromissos com o BNDES (é a chamada “conta-petróleo”). “A construção de garantias sólidas permite que a gente possa fazer as operações de maneira muita segura. Não há inadimplemento nestas operações”, disse Coutinho em depoimento encerrado há pouco.

O presidente do banco foi a primeira pessoa a ser ouvida pela CPI do BNDES, que apura supostas irregularidades em operações da instituição entre 2003 e 2015. O depoimento dele durou seis horas.

Durante sua apresentação, Coutinho procurou mostrar que o banco não sofreu ingerência política durante a sua gestão, que é uma instituição técnica e rentável para o Tesouro Nacional. Ele se comprometeu a entregar à CPI todas as informações que forem solicitadas ao banco.

Longo prazoLuciano Coutinho disse que o País precisa desenvolver o financiamento privado de longo prazo. Segundo ele, a concentração dessas operações no sistema bancário estatal decorre da própria estrutura do sistema financeiro brasileiro.

O presidente da instituição disse que os bancos privados têm dificuldade para acessar fontes de recursos para criar linhas de financiamento de longo prazo. As aplicações financeiras, que lastreiam essas fontes, são de curto prazo. Com isso, disse ele, os bancos não têm como montar carteiras de prazo maior para financiar projetos de infraestrutura.

Segundo ele, essa carência levou o governo federal, a partir do presidente Lula, a optar por fazer empréstimos em grande escala através do BNDES, que foram convertidos para setores intensivos de capital, como de telecomunicações e indústria pesada.

“O crédito de longo prazo sempre esteve concentrado no BNDES. Temos um desafio no País: desenvolver base para o financiamento privado de longo prazo. O mercado de capitais é o caminho mais promissor no primeiro momento”, disse Coutinho.

Reportagem – Janary Júnior
Edição – Daniella Cronemberger

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