“Levantem suas bandeiras, mesmo quando não puderem levantar”, orienta Mujica

Yasmin Botelho (foto)

Milhares de jovens brasileiros se encontraram com o ex-presidente e líder político uruguaio, José Pepe Mujica; atividade no Rio reuniu 10 mil, e pela internet, ao menos 20 mil acompanharam o discurso.

28/08/2015

Brasil de Fato

Em encontro com jovens no Rio de Janeiro, o ex-presidente e senador do Uruguai, José Pepe Mujica, deu uma lição de luta, mas, principalmente, de amor. Na Concha Acústica da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), mais de 10 mil pessoas presentes, e outras 20 mil acompanhando pela transmissão online da Pós-TV, contemplaram o discurso do líder latino-americano.

A iniciativa do encontro desta quinta-feira (26), que foi chamado de uma ‘noite histórica’ pelos militantes de movimentos populares e organizações brasileiras, partiu do próprio político uruguaio. Foram quase duas horas de fala do ex-líder guerrilheiro tupamaro, que deixou diversas mensagens aos brasileiros, as quais, listamos abaixo.

Pepe Mujica na Concha Acústica da UERJ | Foto: Yasmin Botelho

“Os únicos derrotados no mundo são os que deixam de lutar, de sonhar e de querer! Levantem suas bandeiras, mesmo quando não puderem levantar!”

“Aos 80 anos eu não venho buscar aplausos, mas venho buscar acender a mente da militância por uma causa nobre. Não há homens insubstituíveis, há causas insubstituíveis, e essas causas precisam de defesa coletiva e organizada dos homens. Necessitamos de ferramentas coletivas para modificar a realidade. As pessoas, por mais geniais que sejam, serão só franco atiradoras. Temos que criar ferramentas de compromisso coletivo e aprender a dor de andar coletivamente. E temos que aprender a perdoar, porque ninguém é perfeito.”

“Nunca vamos ter um mundo melhor se não lutarmos para mudar nós mesmos. Não se muda o mundo no campo material se não mudamos a cultura.”

“Não podemos gastar a nossa vida trabalhando e trabalhando para pagar contas. Há que gastar um tempo para trabalhar, porque se não se trabalha, está vivendo do outro que trabalha. A solidariedade tem uma companheira chamada responsabilidade.”

“Temos que chegar ao desenvolvimento com felicidade.”

Fotos: Mídia Ninja

“Vivemos no continente mais injusto e mais ricos em recursos naturais do mundo. Minha geração não conseguiu, e vocês têm que seguir levantando a bandeira da igualdade.”

“Nada mais bonito que a vida. A vida para defender a liberdade. A liberdade não se vende, a liberdade se ganha e se ganha fazendo algo pelos demais. Isso é uma luta entre o egoísmo natural e a solidariedade que se tem pela espécie. Sem solidariedade não há civilização. Temos que pensar como espécie não só como país. os pobres da África não são da África, são também nossos.”

“Não temos que imitar a Europa ou ao Japão. Não podemos querer o desenvolvimento com dor e angústia, desenvolvimento com felicidade para todos. A generosidade é o melhor negócio para a humanidade e o pior negócios são os bancos.”

“Essa etapa da sociedade capitalista tem que ter uma cultura que permita o seu desenvolvimento. Não podemos confundir o consumo com felicidade.”

“Eu creio que estão em crise os valores da nossa civilização. Essa etapa do capitalismo não gera puritanos, mas gera corrupção. Não estamos numa idade de aventura, mas uma idade de sepultura.”

“Nossa América pode ser um continente de paz e solidariedade . Esse mundo tem ciência e tecnologia como nunca e isso é positivo se tivermos alma e consciência. Mas essa civilização não tem consciência, tem carro forte para guardar dinheiro. Temos que ter uma mudança cultural e civilizatória. Precisamos de gente que dedique a sua vida em não só sonhar com um mundo melhor, e sim lutar por ele.”

“O problemas não são os presidentes, mas toda a corte.” – nisso, o público grita ‘Fora Cunha’ e ‘Não vai ter golpe’.

“Esse filme nós vimos muitas vezes na América Latina [sobre golpe militar]. A nossa democracia não é perfeita, mas temos que defendê-la para melhorá-la e não para sepultá-la.”

“Claro que a direita é golpista, mas o problema são as oportunidades que nós damos a ela. Temos que viver como o nosso povo mais pobre.”

“Temos que superar o individualismo e criar consciência coletiva se quisermos ter força de incidir na sociedade. Temos que viver como pensamos, porque se não acabamos pensando que vivemos.”

“Quando a maioria melhorar, você vai melhorar, e não antes.”

“A juventude passa, mas as causas nobres não passam.”

Homenagem

Ainda na quinta-feira (28), durante a manhã, Mujica recebeu uma homenagem na Associação Brasileira de Imprensa (ABI). O prêmio ‘Personalidade Sur 2015’, recebido pelo ex-presidente, oferecido pela Federação das Câmaras de Comércio e Indústria da América do Sul.

Na ocasião, o líder uruguaio também falou sobre como vê a política, a cultura e o Brasil.

“O Brasil tem força suficiente para superar as dificuldades que tem. O problema é que vocês se apegam ao derrotismo, e acham que nada serve para nada. Vocês têm um país maravilhoso, só depende de vocês para seguir em frente”, disse Mujica.

Sobre a esperança e a necessidade de se continuar acreditando na política, Pepe disse que “não se muda a realidade tomando café e fazendo comentários. Precisamos trabalhar com confiança, método e disciplina. Não há pessoas imprescindíveis, e sim causas imprescindíveis”.

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