Em visita a Calais, premiê francês defende direito de asilo a imigrantes

Giselle Garcia – Correspondente da Agência Brasil/EBC
Primeiro-ministro francês, Manuel Valls
Primeiro-ministro francês, Manuel Valls, visita cidade de Calais, onde milhares de migrantes vivem em situação precária enquanto tentam atravessar o Canal da Mancha rumo ao Reino Unido Agência Brasil/EPA/Denis Charlet/Agência Brasil/Direitos Reservados

O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, visitou hoje (31) a cidade francesa de Calais, no Norte do país, onde milhares de imigrantes vivem em situação precária enquanto tentam atravessar o Canal da Mancha rumo ao Reino Unido. Ele estava acompanhado do ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, do comissário europeu para as questões migratórias, Dimitris Avramopoulos, e do vice-presidente da Comissão Europeia, Frans Timmermans.

“Nossa responsabilidade é garantir o direito de asilo, um direito fundamental. Não sairemos desta situação com cercas de arame farpado. Aqueles que são perseguidos em seus países, expostos à tortura, à opressão, precisam ser bem recebidos na Europa”, disse Valls em entrevista à imprensa. Ele observou, entretanto, que migrantes ilegais que chegam ao continente europeu em busca de emprego e melhor situação econômica devem ser enviados de volta aos seus países de origem.

O vice-presidente da Comissão Europeia, Frans Timmermans, anunciou que 5 milhões de euros (cerca de R$ 20,6 milhões) serão investidos na construção de um acampamento para oferecer assistência humanitária a cerca de 1,5 mil migrantes. A instalação deve estar pronta no início de 2016. As autoridades visitaram um abrigo para mulheres e crianças e estiveram com funcionários do Eurotúnel.

A proximidade do Reino Unido tem atraído para Calais, desde o fim da década de 1990, grupos de migrantes ilegais que buscam um futuro melhor em terras britânicas, onde eles acreditam ter mais facilidade de conseguir emprego. Muitos deles têm parentes ou amigos que completaram a travessia ilegalmente e se estabeleceram na Grã-Bretanha, ampliando a esperança de quem ainda sonha em chegar ao outro lado.

As medidas de reforço da segurança, adotadas por autoridades francesas e britânicas na última década, não foram suficientes para resolver a questão. O aumento do fluxo migratório para a Europa este ano – mais de 300 mil chegaram ao continente, por diferentes rotas – teve reflexos em Calais. Migrantes que alcançam o território europeu pelos países do Sul, entre eles Itália e Grécia, seguem viagem por terra até Calais, acreditando que conseguirão atravessar o Canal da Mancha de barco ou pelo Eurotúnel. Muitos são atraídos por traficantes de pessoas que atuam na região. No acampamento montado nas proximidades do porto de Calais, apelidado de A Floresta, o número de imigrantes não para de crescer. Atualmente, no local, vivem mais de 3 mil pessoas em condições precárias, inclusive mulheres e crianças. Eles sobrevivem da ajuda que recebem de instituições de caridade e voluntários.

Muitos imigrantes vivem como mendigos nas ruas da cidade francesa, gerando apreensão entre os moradores. A estudante Maxime Quehen, moradora de Calais, conta que a situação está ficando cada vez pior. “Calais mudou muito nos últimos 15 anos. A crise migratória está se agravando, afastando os turistas, gerando o fechamento das indústrias e enfraquecendo a economia”, diz ela.

Edição: Talita Cavalcante
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