Museus russos não terão mais proteção policial

31 de agosto de 2015 EKATERINA SINELSCHIKOVA, GAZETA RUSSA

Postos da polícia devem ser retirados das instituições no próximo ano.
Segundo o diretor do Ministério do Interior da Rússia, retirada não deverá acontecer antes de 1º de Janeiro de 2016. Foto:TASS
No dia 21 de agosto, 29 museus federais, incluindo o famoso Hermitage, em São Petersburgo, receberam uma notificação informando sobre a retirada dos postos policiais fixos em suas instalações.

Sistemas de alarme e circuitos de vídeo serão mantidos, mas a saída dos policiais vai reduzir significativamente a segurança nos museus, acreditam profissionais da área e representantes do Ministério da Cultura da Federação Russa, que fez apelos ao presidente russo, Vladímir Pútin, para manter os postos de polícia.

Segundo o diretor do Ministério do Interior da Rússia para a cidade de Moscou, Anatóli Iakunin, a remoção dos postos policiais está relacionada com a grande redução de membros ativos no Ministério do Interior. “Temos que cortar em quase 6.000 o número de funcionários alocados na segurança privada, por isso vamos retirar alguns postos fixos”, disse ele à Gazeta Russa.

Iakunin garantiu que a retirada não deverá acontecer antes de 1º de Janeiro de 2016, que é quando expiram todas as obrigações contratuais entre os museus e a polícia, e, mesmo assim, nem todas as instituições serão afetadas: a proteção policial permanecerá em “instalações críticas”, cuja lista será elaborada pelo governo.

No entanto, mais da metade dos museus federais com postos policiais foram notificados de sua eventual remoção a partir de 1º de novembro de 2015, disse o diretor do Departamento da Herança Cultural do Ministério da Cultura da Federação Russa, Mikhail Brizgalov.

Entre as alternativas disponíveis para a segurança dos museus estão as empresas privada de segurança e a organização comercial GUP Okhrana, do Ministério do Interior, formada por funcionários aposentados. De acordo com o Ministério da Cultura, nenhuma empresa de segurança da Rússia está autorizada a usar armas de fogo nos museus em caso de emergência.

“Na França, por exemplo, não apenas os museus privados, mas também os grandes museus do Estado (o Louvre, o Centro Pompidou, o Museu d’Orsay, o palácio de Versalhes e outros) contratam empresas para a sua proteção. A polícia lá nunca guarda museus”, disse o adido cultural da Embaixada da França na Rússia, Edouard de Lumley, àGazeta Russa. Situação semelhante acontece na Suíça e em Londres, segundo afirmam outras fontes.

“Se você tem o seu próprio posto de segurança, a equipe chega em dois ou três minutos. Se não tem, a segurança pode levar até dez minutos para chegar, que é o que basta para uma pessoa destruir qualquer obra de arte”, disse Zelfira Tregulova, diretora-geral da Galeria Estatal Tretyakov.

“Além disso, estamos falando da segurança de milhões de turistas”, acrescentou Aleksêi Levikin, diretor do Museu Histórico do Estado, localizado na Praça Vermelha, no centro de Moscou. “O centro é bastante atraente para todo o tipo de provocações. Um posto com policiais armados na entrada pode travar tanto um criminoso, como um terrorista”, disse ele.

Custo e riscos

Outro problema para os museus é o preço que terão que pagar pelos serviços de empresas de segurança privada. Segundo o diretor do Hermitage, Mikhail Piotrovski, o museu gasta anualmente cerca de 23 milhões de rublos (US$ 344 nil) em segurança. Se os postos policiais forem removidos do local, no próximo ano o Hermitage terá que desembolsar cerca de 100 milhões de rublos (US$ 1,49 milhão).

Deve-se lembrar que a escolha das empresas de segurança acontece apenas através de licitação pública, que, via de regra, escolhe não o candidato mais eficiente, mas o mais econômico, disse a diretora da galeria Tretyakov, Zelfira Tregulova.. Além disso, a cada ano podem ser escolhidas empresas diferentes, o que faz com que um número ilimitado de pessoas ganhe acesso a informações confidenciais dos museus, como a localização dos depósitos e o sistema de segurança existente.

O aumento do risco para as obras, por sua vez, pode levar a aumentos nos preços dos seguros dos museus. “Se notarmos que a proteção das obras está sofrendo grandes alterações, seremos obrigados a tomar as medidas adequadas quanto à política de tarifas”, disse o chefe do departamento de segurança de valores culturais da seguradora AlphaStrakhovanie, Andrêi Kutcha. Um aumento dos preços de seguros é esperado também pelo Ministério da Cultura.

Já Mirko Mudrinitch, chefe da seção de exposições e cargas valiosas da seguradora Ingosstrakh, não acredita que haverá aumento no preço dos seguros. Para ele, não são só as medidas de segurança que devem ser levadas em conta, mas também a ocorrência de incidentes similares ao que aconteceu no centro de exposições Manege, em Moscou, quando um grupo de pessoas autodenominadas “ativistas ortodoxos” destruíram várias esculturas e os seguranças do museu não puderam fazer nada a não ser chamar a polícia. Para evitar incidentes do tipo, a companhia de seguros propõe introduzir o seguro obrigatório dos artigos expostos desde o momento da desmontagem das obras em seus museus de origem até o retorno dos objetos da exposição.

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