Contra a privatização da Linha 5-Lilás, metroviários realizam ato no Capão Redondo em SP

Para o Comitê em Defesa do Metrô Estatal, a proposta de passar o trecho para o setor privado provocará uma significativa queda na qualidade dos serviços, a superlotação e o aumento abusivo das tarifas.

01/09/2015

Brasil de Fato | Simone Freire, da Redação

Protesto dos metroviários em São Paulo | Foto: Reprodução

Contra a privatização da Linha 5-Lilás do Metrô de São Paulo, mais de 80 entidades que integram o Comitê em Defesa do Metrô Estatal realizam nesta terça-feira (1), a partir das 18h, um ato em frente à Estação Capão Redondo, na zona sul da capital paulista.

“A gente faz uma campanha histórica para que o transporte seja um direito do povo e uma obrigação do Estado. Privatizar é transformar o transporte em uma mercadoria e ele ser regido pelos interesses do lucro e não pelos da população”, defende Flávio Rogério Gomes dos Santos, vice-presidente do Sindicato dos Metroviários de São Paulo.

A proposta de privatizar a linha que pretende ligar a zona sul à região da Chácara Klabin, na zona sudoeste, foi anunciada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) em julho deste ano.

Santos explica que para os movimentos que integram o Comitê em Defesa do Metrô, a proposta do governador tende a lesionar ainda mais a população, uma vez que diminuirá a qualidade dos serviços prestados, intensificará ainda mais a superlotação dos trens e das estações, além de aumentar abusivamente as tarifas e reduzir postos de trabalho.

Interesses particulares do governador seriam a motivação para realizar concessões nas linhas da estatal paulista, segundo o vice-presidente. “As empresas que receberam concessão das outras linhas já privatizadas – 4 e 6 – são as mesmas empresas que financiaram a campanha eleitoral dele. Então, ele está querendo devolver a favor da para eleição o patrimônio público”, critica.

Outras linhas do Metrô paulista também estão na lista de Alckmin, que deixou aberta a possibilidade de concessão das linhas de monotrilho 17-Ouro (Jabaquara-Morumbi) e 15-Prata (Cidade Tiradentes-Ipiranga).

Nacional

Criado em agosto pelo Sindicato dos Metroviários e cerca de oitenta entidades, centrais sindicais, movimentos sociais e trabalhadores; o Comitê em Defesa do Metrô Estatal tem o intuito de agir nacionalmente a favor de um transporte púbico e estatal, sejam nas linhas que já são privatizadas ou projetadas para a iniciativa privada.

“A gente defende a estatização da Linha 4-Amarela, que já opera privatizada, e da futura Linha-6, que nasceu já nos moldes das Parcerias Público Privadas. A gente quer que tenha uma ampliação do Metro, mas que esta seja estatal”, pontua Santos.

Atrasos

Atualmente, a Linha 5-Lilás opera com sete estações em 9,6 quilômetros de trilhos. O primeiro trecho, entre Capão Redondo e Largo Treze, foi entregue em 20 de outubro de 2002. Depois disso, as obras ficaram paradas até 2009 e foram interrompidas novamente um ano depois, por suspeitas de fraude e formação de cartel entre as empresas, com a participação de funcionários da gestão Alckmin.

A estação Adolfo Pinheiro foi entregue, no ano passado, e foi a última a entrar em operação no trecho em funcionamento. Adiada por diversas vezes, a entrega final da linha estava prevista para este ano, mas, em março, Alckmin estendeu a conclusão para 2017.

A situação da Linha-5 não difere das outras obras do Metrô. Segundo informações do jornal O Estado de S. Paulo, publicadas nesta terça-feira (1), as duas obras em andamento da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e cinco das sete obras do Metrô registram ao menos dois anos de atraso em relação às promessas originais de entrega do governo estadual. Duas dessas – a conclusão da Linha 4-Amarela e a construção da Linha 18-Bronze, além do monotrilho que vai para a Região do ABC – não têm previsão de retomada – ou início – das obras.

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